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Avaliação da ingestão e do consumo de alimentos ricos em fósforo em pacientes renais crónicos em hemodiálise e a sua interação com parâmetros bioquímicos

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Resumo:A hiperfosfatémia é uma complicação presente nos pacientes em programa regular de hemodiálise, que é reconhecida como um dos alvos clínicos mais importantes e difíceis de tratar nestes pacientes. Não tratada, pode provocar dores ósseas, prurido e agravamento para hiperparatiroidismo secundário. Os dados de estudos observacionais mostram que um nível sérico de fósforo elevado é um fator de risco independente para a mortalidade, e o tratamento com quelantes de fósforo é independentemente associado com uma maior sobrevida. O excesso de fósforo e cálcio sérico conduz a que estes dois elementos se combinem e formem depósitos de fosfato de cálcio no organismo, especialmente a nível vascular, provocando o endurecimento dos tecidos, num processo denominado calcificação vascular que contribui para a morbilidade e mortalidade destes pacientes. Com base nessas evidências, diretrizes de prática clínica recomendam metas específicas para os níveis séricos de fósforo na população em diálise. Avaliar a ingestão de um grupo de pacientes renais crónicos em hemodiálise para quantificar o teor de fósforo na alimentação, e avaliar o consumo alimentar para verificar os alimentos consumidos que mais influenciam os níveis de fósforo plasmático, foram objetivos deste trabalho. O desenho de estudo foi do tipo transversal observacional, tendo sido avaliados 145 pacientes em tratamento de hemodiálise em clínicas privadas, a nível de dados demográficos, pessoais, antropométricos, dados relacionados com a doença renal crónica, bioquímicos e outros dados analíticos destes pacientes durante sete meses (abril a outubro). Aplicaram-se inquéritos alimentares às 24h em três dias distintos (dia sem tratamento dialítico, dia com tratamento dialítico e domingo) e um questionário de frequência alimentar, de forma a verificar a ingestão e o consumo de alimentos ricos neste mineral, respetivamente. Com este trabalho, constatou-se que a maioria dos pacientes se encontravam bem dialisados, mas a média da taxa de catabolismo proteico normalizada (PCRn) encontrou-se abaixo do recomendado, o que indica que a dose adequada de diálise não influenciou a ingestão proteica nestes pacientes. Relativamente aos outros parâmetros avaliados, tais como: fósforo, cálcio, produto fósforo-cálcio e albumina séricos, os pacientes parecem estar devidamente controlados, dado que a média se encontrava dentro dos valores preconizados. Neste trabalho obteve-se uma correlação positiva significativa entre a albumina sérica e Hormona Paratiroidea (PTH) no sexo masculino. Outras correlações de Pearson fortemente significativas, mas de forma inversa, foram entre a média do produto fósforo-cálcio e idade e entre a média do fósforo sérico e a idade no grupo dos homens. Obteve-se, também, correlações de Pearson significativamente positivas entre a média do fósforo sérico e PCRn, a média da PCRn e média do produto fósforo-cálcio, a média da albumina sérica e a média da PCRn e a média da PCRn e média da ureia pré-hemodiálise. No sexo feminino obteve-se correlações inversas entre a média da PCRn e a idade e a média da albumina sérica e idade. Com a aplicação dos inquéritos alimentares concluiu-se que a maioria dos pacientes faziam duas refeições confecionadas (almoço e jantar) nos dias sem tratamento e ao domingo. Nos dias com tratamento a escolha recaía sobre outro tipo de refeições. Nestes dias, a refeição do jantar foi maioritariamente substituída por refeições tipo lanche. Das refeições intercalares a mais consumida foi o pequeno-almoço; a merenda da manhã foi a menos consumida. Através do inquérito alimentar às 24 horas, avaliou-se a ingestão de fósforo. Os pacientes do sexo masculino ingeriram em média alimentos com maior quantidade de fósforo comparativamente com as pacientes do sexo feminino. Com o questionário de frequência alimentar concluiu-se que os alimentos de origem animal mais consumidos foram: peixe gordo e magro, bacalhau, fiambre de porco e carne de vaca cozida/estufada. A clara de ovo também teve um consumo elevado. Dos produtos lácteos, o leite meio gordo foi o mais consumido, seguido do queijo flamengo. Deste grupo de alimentos, os que contêm uma relação fósforo/proteína menor são: clara de ovo, bacalhau, entremeada de porco, frango inteiro, perna de frango e bife de vaca grelhado/frito. Dos cereais e derivados, leguminosas secas e frescas e tubérculos, os mais consumidos foram: arroz, pão branco, massa e batata cozida. Boas opções de consumo são o grão-de-bico e favas, devido à sua menor relação fósforo/proteína. Os produtos alimentares (refrigerantes gaseificados e sem gás) que contêm aditivos de fósforo tiveram um consumo muito reduzido. Assim, recomendamos que os pacientes em programa regular de hemodiálise, sejam ensinados a escolherem os produtos alimentares, principalmente os de origem animal, com uma relação fósforo/proteína reduzida e a limitarem a ingestão de produtos alimentares que contenham aditivos de fósforo. Seria ainda fundamental que o teor de fósforo dos produtos fosse incluído na rotulagem nutricional.
Autores principais:Gomes, Isabel Maria Correia
Assunto:Alimentos Consumo Fósforo Hemodiálise Hiperfosfatémia Proteínas Ingestão alimentar
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:A hiperfosfatémia é uma complicação presente nos pacientes em programa regular de hemodiálise, que é reconhecida como um dos alvos clínicos mais importantes e difíceis de tratar nestes pacientes. Não tratada, pode provocar dores ósseas, prurido e agravamento para hiperparatiroidismo secundário. Os dados de estudos observacionais mostram que um nível sérico de fósforo elevado é um fator de risco independente para a mortalidade, e o tratamento com quelantes de fósforo é independentemente associado com uma maior sobrevida. O excesso de fósforo e cálcio sérico conduz a que estes dois elementos se combinem e formem depósitos de fosfato de cálcio no organismo, especialmente a nível vascular, provocando o endurecimento dos tecidos, num processo denominado calcificação vascular que contribui para a morbilidade e mortalidade destes pacientes. Com base nessas evidências, diretrizes de prática clínica recomendam metas específicas para os níveis séricos de fósforo na população em diálise. Avaliar a ingestão de um grupo de pacientes renais crónicos em hemodiálise para quantificar o teor de fósforo na alimentação, e avaliar o consumo alimentar para verificar os alimentos consumidos que mais influenciam os níveis de fósforo plasmático, foram objetivos deste trabalho. O desenho de estudo foi do tipo transversal observacional, tendo sido avaliados 145 pacientes em tratamento de hemodiálise em clínicas privadas, a nível de dados demográficos, pessoais, antropométricos, dados relacionados com a doença renal crónica, bioquímicos e outros dados analíticos destes pacientes durante sete meses (abril a outubro). Aplicaram-se inquéritos alimentares às 24h em três dias distintos (dia sem tratamento dialítico, dia com tratamento dialítico e domingo) e um questionário de frequência alimentar, de forma a verificar a ingestão e o consumo de alimentos ricos neste mineral, respetivamente. Com este trabalho, constatou-se que a maioria dos pacientes se encontravam bem dialisados, mas a média da taxa de catabolismo proteico normalizada (PCRn) encontrou-se abaixo do recomendado, o que indica que a dose adequada de diálise não influenciou a ingestão proteica nestes pacientes. Relativamente aos outros parâmetros avaliados, tais como: fósforo, cálcio, produto fósforo-cálcio e albumina séricos, os pacientes parecem estar devidamente controlados, dado que a média se encontrava dentro dos valores preconizados. Neste trabalho obteve-se uma correlação positiva significativa entre a albumina sérica e Hormona Paratiroidea (PTH) no sexo masculino. Outras correlações de Pearson fortemente significativas, mas de forma inversa, foram entre a média do produto fósforo-cálcio e idade e entre a média do fósforo sérico e a idade no grupo dos homens. Obteve-se, também, correlações de Pearson significativamente positivas entre a média do fósforo sérico e PCRn, a média da PCRn e média do produto fósforo-cálcio, a média da albumina sérica e a média da PCRn e a média da PCRn e média da ureia pré-hemodiálise. No sexo feminino obteve-se correlações inversas entre a média da PCRn e a idade e a média da albumina sérica e idade. Com a aplicação dos inquéritos alimentares concluiu-se que a maioria dos pacientes faziam duas refeições confecionadas (almoço e jantar) nos dias sem tratamento e ao domingo. Nos dias com tratamento a escolha recaía sobre outro tipo de refeições. Nestes dias, a refeição do jantar foi maioritariamente substituída por refeições tipo lanche. Das refeições intercalares a mais consumida foi o pequeno-almoço; a merenda da manhã foi a menos consumida. Através do inquérito alimentar às 24 horas, avaliou-se a ingestão de fósforo. Os pacientes do sexo masculino ingeriram em média alimentos com maior quantidade de fósforo comparativamente com as pacientes do sexo feminino. Com o questionário de frequência alimentar concluiu-se que os alimentos de origem animal mais consumidos foram: peixe gordo e magro, bacalhau, fiambre de porco e carne de vaca cozida/estufada. A clara de ovo também teve um consumo elevado. Dos produtos lácteos, o leite meio gordo foi o mais consumido, seguido do queijo flamengo. Deste grupo de alimentos, os que contêm uma relação fósforo/proteína menor são: clara de ovo, bacalhau, entremeada de porco, frango inteiro, perna de frango e bife de vaca grelhado/frito. Dos cereais e derivados, leguminosas secas e frescas e tubérculos, os mais consumidos foram: arroz, pão branco, massa e batata cozida. Boas opções de consumo são o grão-de-bico e favas, devido à sua menor relação fósforo/proteína. Os produtos alimentares (refrigerantes gaseificados e sem gás) que contêm aditivos de fósforo tiveram um consumo muito reduzido. Assim, recomendamos que os pacientes em programa regular de hemodiálise, sejam ensinados a escolherem os produtos alimentares, principalmente os de origem animal, com uma relação fósforo/proteína reduzida e a limitarem a ingestão de produtos alimentares que contenham aditivos de fósforo. Seria ainda fundamental que o teor de fósforo dos produtos fosse incluído na rotulagem nutricional.

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