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Ilhas de arqueologia : o quotidiano e a civilização material na Madeira e nos Açores : (séculos XV-XVIII)

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Resumo:Nas “Ilhas de Arqueologia”, procura-se retratar o papel que os arquipélagos da Madeira e dos Açores assumiram no conhecimento dos testemunhos materiais pós-quatrocentistas. A especificidade cronológica e cultural de terem sido achadas e povoadas nas primeiras décadas do século XV (características que servem de terminus post quem na análise, por exemplo, da cultura material), conferem às ilhas o estatuto de “campo experimental” no âmbito da Arqueologia Moderna em Portugal. A civilização material reflecte-se nos momentos de ruptura e de continuidade da vida quotidiana. Após o povoamento, e consequente infra-estruturação dos territórios insulares, circuitos comerciais regionais e intercontinentais, aliciados pelo ensaio e pelo cultivo de novos produtos de exportação (açúcar e pastel), capitalizam a entrada e o fluxo de novos apetrechos e produtos. Por exemplo, nos lares mais abastados das ilhas, figuram novos artigos de importação oriundos do “Reino”, da Europa (Espanha, Itália, França, Países Baixos, Holanda, Inglaterra, Alemanha) e do Oriente. Os milhares de objectos (cerâmica, osso, vidro, metal e pedra), desenterrados de um palimpsesto sedimentar com mais de três séculos, são a fonte de aproximação ao complexo enredo das relações e das actividades sociais e económicas. A cerâmica é, indubitavelmente, o vestígio predominante. No dia-a-dia, as peças de barro local e importado materializam-se nas mais diversas tarefas: no serviço e na apresentação de alimentos e bebidas; no armazenamento e no transporte; no aquecimento e na iluminação; na higiene pessoal e da habitação; na actividade lúdica; e no uso artesanal e industrial. O retrato desta quotidianidade resulta do exercício dedutivo dos espaços e dos dados exumados. É um relato ou uma versão – pessoal, particular e circunscrita – daquilo que poderia ter sido uma parte dos acontecimentos colectivos à escala local e regional. A diacronia do tempo habitado sedimenta no espaço, quase sempre entulhado, um depósito de restos das gentes do passado. Perante esse repositório, quase mudo por natureza, a tarefa mais complexa foi a de fazer falar o silêncio da terra habitada…
Autores principais:Sousa, Élvio Duarte Martins, 1973-
Assunto:Arqueología moderna e medieval - Arquipélago dos Açores (Portugal) Arqueología moderna e medieval - Arquipélago da Madeira (Portugal) Cultura material - Arquipélago da Madeira (Portugal) Cultura material - Arquipélago dos Açores (Portugal) Teses de doutoramento - 2012
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Nas “Ilhas de Arqueologia”, procura-se retratar o papel que os arquipélagos da Madeira e dos Açores assumiram no conhecimento dos testemunhos materiais pós-quatrocentistas. A especificidade cronológica e cultural de terem sido achadas e povoadas nas primeiras décadas do século XV (características que servem de terminus post quem na análise, por exemplo, da cultura material), conferem às ilhas o estatuto de “campo experimental” no âmbito da Arqueologia Moderna em Portugal. A civilização material reflecte-se nos momentos de ruptura e de continuidade da vida quotidiana. Após o povoamento, e consequente infra-estruturação dos territórios insulares, circuitos comerciais regionais e intercontinentais, aliciados pelo ensaio e pelo cultivo de novos produtos de exportação (açúcar e pastel), capitalizam a entrada e o fluxo de novos apetrechos e produtos. Por exemplo, nos lares mais abastados das ilhas, figuram novos artigos de importação oriundos do “Reino”, da Europa (Espanha, Itália, França, Países Baixos, Holanda, Inglaterra, Alemanha) e do Oriente. Os milhares de objectos (cerâmica, osso, vidro, metal e pedra), desenterrados de um palimpsesto sedimentar com mais de três séculos, são a fonte de aproximação ao complexo enredo das relações e das actividades sociais e económicas. A cerâmica é, indubitavelmente, o vestígio predominante. No dia-a-dia, as peças de barro local e importado materializam-se nas mais diversas tarefas: no serviço e na apresentação de alimentos e bebidas; no armazenamento e no transporte; no aquecimento e na iluminação; na higiene pessoal e da habitação; na actividade lúdica; e no uso artesanal e industrial. O retrato desta quotidianidade resulta do exercício dedutivo dos espaços e dos dados exumados. É um relato ou uma versão – pessoal, particular e circunscrita – daquilo que poderia ter sido uma parte dos acontecimentos colectivos à escala local e regional. A diacronia do tempo habitado sedimenta no espaço, quase sempre entulhado, um depósito de restos das gentes do passado. Perante esse repositório, quase mudo por natureza, a tarefa mais complexa foi a de fazer falar o silêncio da terra habitada…

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