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Hospitalização domiciliária versus hospitalização convencional : estudo comparativo multivariável em doentes com diagnósticos de Insuficiência cardíaca e pneumonia

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Summary:Introdução: A Medicina moderna exige reformulação dos serviços de saúde e a hospitalização domiciliária (HD), implementada em Portugal em 2015 pelo Hospital Garcia de Orta (HGO), parece apresentar vantagens teóricas, tanto para o sistema como para o doente e cuidadores. Materiais e Métodos: Amostra não aleatorizada de doentes propostos para UHD, aceites e não aceites, com diagnósticos principais de Insuficiência Cardíaca (IC) e Pneumonia (PN), com alta no primeiro semestre de 2018. Colheita de dados no processo clínico eletrónico e análise em Excel e SPSS. Resultados: Analisaram-se 230 doentes (113 homens, 163 internados a partir do Serviço de Urgência, as idades variaram entre 23-98 anos) – 111 ficaram em Unidade de Hospitalização Domiciliária (UHD) e 119 em enfermaria (ENF); 74 internados por IC (33 UHD, 41 ENF) e 156 por PN (78 UHD, 78 ENF). A idade média foi 74,47 anos para IC (78,42 UHD e 80,32 ENF) e 67,65 anos para PN (64,26 UHD e 71,05 ENF). A hipertensão arterial (HTA) foi a comorbilidade mais frequente (163 doentes – 66 IC e 97 PN). O critério de exclusão mais frequente para UHD foi a condição clínica (49 dos 119 ENF). A média do índice de Charlson foi 6,91 para IC (7,06 UHD e 6,78 ENF) e 4,27 para PN (4,12 UHD e 4,43 ENF) para PN. A média do MEWS foi 1,11 para IC (0,94 UHD e 1,24 ENF) e 2,71 para PN (3,88 UHD e 1,3 ENF). A maioria dos doentes fez oxigenoterapia. Não se registaram diferenças significativas no número de medicamentos na admissão e na alta. A duração média do internamento em IC foi 10,99 dias (7,06 UHD e 14,15 ENF) e em PN foi 9,44 dias (7,53 UHD e 11,36 ENF). A maioria dos doentes em UHD manteve apenas seguimento no centro de saúde, enquanto em ENF a maioria iniciou seguimento em consulta externa. Não houve óbitos a curto-prazo na UHD. Da avaliação aos 3 e 6 meses a maioria dos doentes não teve intercorrências. Discussão: Apesar das limitações, este estudo mostrou diferenças entre UHD e ENF: prevalência de diabetes em IC; idade, MEWS, CURB-65 e intercorrências aos 3 meses dos doentes com PN; duração do internamento e destino independentemente do diagnóstico principal. Nada se concluiu acerca das complicações no internamento e parece haver igualdade em relação a todas as outras variáveis. O objetivo na prática clínica é atingir a eficiência sem prejuízo da segurança e a HD parece, de facto, permitir fazê-lo.
Main Authors:Vieira, Mariana Gomes
Subject:Hospitalização domiciliária Pneumonia Insuficiência cardíaca Hospitalização convencional Internamento hospitalar
Year:2020
Country:Portugal
Document type:master thesis
Access type:open access
Associated institution:Universidade de Lisboa
Language:Portuguese
Origin:Repositório da Universidade de Lisboa
Description
Summary:Introdução: A Medicina moderna exige reformulação dos serviços de saúde e a hospitalização domiciliária (HD), implementada em Portugal em 2015 pelo Hospital Garcia de Orta (HGO), parece apresentar vantagens teóricas, tanto para o sistema como para o doente e cuidadores. Materiais e Métodos: Amostra não aleatorizada de doentes propostos para UHD, aceites e não aceites, com diagnósticos principais de Insuficiência Cardíaca (IC) e Pneumonia (PN), com alta no primeiro semestre de 2018. Colheita de dados no processo clínico eletrónico e análise em Excel e SPSS. Resultados: Analisaram-se 230 doentes (113 homens, 163 internados a partir do Serviço de Urgência, as idades variaram entre 23-98 anos) – 111 ficaram em Unidade de Hospitalização Domiciliária (UHD) e 119 em enfermaria (ENF); 74 internados por IC (33 UHD, 41 ENF) e 156 por PN (78 UHD, 78 ENF). A idade média foi 74,47 anos para IC (78,42 UHD e 80,32 ENF) e 67,65 anos para PN (64,26 UHD e 71,05 ENF). A hipertensão arterial (HTA) foi a comorbilidade mais frequente (163 doentes – 66 IC e 97 PN). O critério de exclusão mais frequente para UHD foi a condição clínica (49 dos 119 ENF). A média do índice de Charlson foi 6,91 para IC (7,06 UHD e 6,78 ENF) e 4,27 para PN (4,12 UHD e 4,43 ENF) para PN. A média do MEWS foi 1,11 para IC (0,94 UHD e 1,24 ENF) e 2,71 para PN (3,88 UHD e 1,3 ENF). A maioria dos doentes fez oxigenoterapia. Não se registaram diferenças significativas no número de medicamentos na admissão e na alta. A duração média do internamento em IC foi 10,99 dias (7,06 UHD e 14,15 ENF) e em PN foi 9,44 dias (7,53 UHD e 11,36 ENF). A maioria dos doentes em UHD manteve apenas seguimento no centro de saúde, enquanto em ENF a maioria iniciou seguimento em consulta externa. Não houve óbitos a curto-prazo na UHD. Da avaliação aos 3 e 6 meses a maioria dos doentes não teve intercorrências. Discussão: Apesar das limitações, este estudo mostrou diferenças entre UHD e ENF: prevalência de diabetes em IC; idade, MEWS, CURB-65 e intercorrências aos 3 meses dos doentes com PN; duração do internamento e destino independentemente do diagnóstico principal. Nada se concluiu acerca das complicações no internamento e parece haver igualdade em relação a todas as outras variáveis. O objetivo na prática clínica é atingir a eficiência sem prejuízo da segurança e a HD parece, de facto, permitir fazê-lo.

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