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Medicinal use of cannabis
| Summary: | A Cannabis é uma planta utilizada, há milhares de anos em várias partes do mundo, para diversos fins, desde fibra para tecido ou redes de pesca, ao uso terapêutico e recreativo. Os usos medicinais descritos incluem analgésico, poderoso relaxante, controlo de náuseas e enjoos e também para estimular o apetite. Com o passar do tempo, foi-se notando um aumento do uso pelas suas propriedades psicotrópicas e alucinogénias pelo que o seu consumo teve de ser regulado e até foi incluída na lista de substâncias ilegais e proibidas. As plantas de Cannabis sativa produzem químicos importantes denominados fitocanabinóides e que são os responsáveis pelas propriedades farmacológicas da planta. Existem cerca de 500 moléculas que podem ser encontradas nestas plantas, sendo que os fitocanabinóides compreendem cerca 100 dessas moléculas. Os fitocanabinóides que aparecem em maior quantidade, o Δ-9-tetrahidrocanabinol (THC) e canabidiol (CBD), produzem os efeitos mais significativos no ser humano e são as moléculas utilizadas como substâncias ativas em medicamentos. Aquando do estudo dos efeitos dos canabinóides, foi identificado o sistema endocanabinóide, composto pelos recetores de canabinóides e pelos canabinóides endógenos. O recetor CB1 pode ser extensamente encontrado no sistema nervoso central, e o recetor CB2 pode ser encontrado nos órgãos e tecidos periféricos. As moléculas classificadas como canabinóides endógenos são o 2-araquidonoilglicerol e N-araquidonoiletanolamina. Quanto às suas propriedades terapêuticas, estudos clínicos demonstraram eficácia terapêutica do uso de canabinóides em várias formas farmacêuticas em diversas doenças ou sintomas de doenças. Existem já medicamentos aprovados para o tratamento de espasmos derivados de esclerose múltiplas em doentes refratários a outras terapêuticas, dor crónica neuropática, sintomas associados a doenças neurodegenerativas e alívio de náuseas e vómitos associados a administração de citotóxicos. A legislação em Portugal permite a produção e uso de Cannabis para fins medicinais e já existe 1 medicamento aprovado e comercializado, o Sativex. Apesar dos estudos que já existem, a prática clínica e a evidência ainda é pouca, pelo que ainda existe muito por estudar relativamente à eficácia terapêutica de Cannabis e os efeitos que esta pode ter no ser humano a curto e longo prazo. |
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| Main Authors: | Freitas, Gonçalo Maria Coelho Fragoso |
| Subject: | Cannabis sativa Tetrahidrocanabinol Canabidiol Sistema endocanabinoide Mestrado integrado - 2020 |
| Year: | 2020 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | master thesis |
| Access type: | open access |
| Associated institution: | Universidade de Lisboa |
| Language: | English |
| Origin: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Summary: | A Cannabis é uma planta utilizada, há milhares de anos em várias partes do mundo, para diversos fins, desde fibra para tecido ou redes de pesca, ao uso terapêutico e recreativo. Os usos medicinais descritos incluem analgésico, poderoso relaxante, controlo de náuseas e enjoos e também para estimular o apetite. Com o passar do tempo, foi-se notando um aumento do uso pelas suas propriedades psicotrópicas e alucinogénias pelo que o seu consumo teve de ser regulado e até foi incluída na lista de substâncias ilegais e proibidas. As plantas de Cannabis sativa produzem químicos importantes denominados fitocanabinóides e que são os responsáveis pelas propriedades farmacológicas da planta. Existem cerca de 500 moléculas que podem ser encontradas nestas plantas, sendo que os fitocanabinóides compreendem cerca 100 dessas moléculas. Os fitocanabinóides que aparecem em maior quantidade, o Δ-9-tetrahidrocanabinol (THC) e canabidiol (CBD), produzem os efeitos mais significativos no ser humano e são as moléculas utilizadas como substâncias ativas em medicamentos. Aquando do estudo dos efeitos dos canabinóides, foi identificado o sistema endocanabinóide, composto pelos recetores de canabinóides e pelos canabinóides endógenos. O recetor CB1 pode ser extensamente encontrado no sistema nervoso central, e o recetor CB2 pode ser encontrado nos órgãos e tecidos periféricos. As moléculas classificadas como canabinóides endógenos são o 2-araquidonoilglicerol e N-araquidonoiletanolamina. Quanto às suas propriedades terapêuticas, estudos clínicos demonstraram eficácia terapêutica do uso de canabinóides em várias formas farmacêuticas em diversas doenças ou sintomas de doenças. Existem já medicamentos aprovados para o tratamento de espasmos derivados de esclerose múltiplas em doentes refratários a outras terapêuticas, dor crónica neuropática, sintomas associados a doenças neurodegenerativas e alívio de náuseas e vómitos associados a administração de citotóxicos. A legislação em Portugal permite a produção e uso de Cannabis para fins medicinais e já existe 1 medicamento aprovado e comercializado, o Sativex. Apesar dos estudos que já existem, a prática clínica e a evidência ainda é pouca, pelo que ainda existe muito por estudar relativamente à eficácia terapêutica de Cannabis e os efeitos que esta pode ter no ser humano a curto e longo prazo. |
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