Publicação
Generation of tissue-resident memory T cells
| Resumo: | O sistema imune pode ser dividido em dois ramos principais, imunidade inata e imunidade adaptativa. Enquanto a imunidade inata reconhece padrões conservados em microrganismos ao longo da evolução, a imunidade adaptativa atua de forma especializada, através de linfócitos B e T. Estas células são capazes de reconhecer moléculas de patogénios com maior especificidade e combate-los mais eficazmente, eliminando-os na maior parte dos casos. Além desta função, uma característica fundamental da imunidade adaptativa e a geração de memoria imunológica. Desta forma, se um organismo for reinfectado com um patogénio, a resposta imune contra este será muito mais rápida e poderá decorrer sem doença. Inicialmente, as células T de memoria eram divididas em dois grupos de acordo com os órgãos pelos quais circulavam: células T de memoria efetora, que circulam em órgãos não linfoides, e células T de memoria central, assim conhecidas por apresentarem uma maior longevidade e terem um maior tropismo para órgãos linfoides. Mais recentemente novos grupos de células de memoria foram descritos, nomeadamente as células T de memoria residentes em tecidos (Trm). Como o nome indica, estas células estão destinadas a permanecer dentro dos tecidos onde foram geradas, expressando marcadores como CD69, que previne a sua saída, e CD103 ou CD49a, que lhes permite a integração no tecido e o seu patrulhamento. Para que a memoria imunológica seja gerada, uma resposta imune efetora tem de ser estabelecida previamente. A resposta de células T pode ser dividida classicamente em três grupos, de acordo com o tipo de patogénio encontrado. No caso de infeção por vírus ou bactérias intracelulares, há um contexto inflamatório que promove a diferenciação do linfócito T CD4 em linfócito T auxiliar do tipo 1 (Th1). Este processo e desencadeado por um programa transcricional mediado pelo fator de transcrição T-box expresso em células T (Tbet), que leva a produção de interferão gama (IFN-g). Por sua vez, o IFN-g ativa macrófagos e recruta linfócitos T CD8 citotóxicos, de forma a eliminar células infetadas. No contexto duma infeção helmíntica, ou em caso de alergia, uma resposta mediada por IL-4 induz o linfócito T a iniciar um programa de diferenciação em célula T auxiliar do tipo 2 (Th2). Este programa e orquestrado pelo fator de transcrição GATA-3, que promove a produção de interleucina (IL)- 4, IL-5 e IL-13, e também o recrutamento de eosinófilos, basófilos e mastócitos, que desencadeiam mecanismos de reparação tecidual. Se o patogénio tiver uma natureza extracelular, seja bactéria ou fungo, ira desencadear uma resposta mediada por IL-6 e TGF-b, que levara um linfócito T a diferenciar-se numa célula T auxiliar produtora de IL-17 (Th17). Este fenómeno traduz-se através do recetor retinoide órfão gama t (RORgt), que despoleta a expressão de IL-17 e IL-22 na célula Th17, promovendo o recrutamento de neutrófilos para o local de infeção e induzindo a fagocitose do patogénio. |
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| Autores principais: | Fernandes,Leandro Joel Barros |
| Assunto: | Immune response Trm Treg Infection Transcription factor Resposta imune Trm Treg Infeção Fator de transcrição |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O sistema imune pode ser dividido em dois ramos principais, imunidade inata e imunidade adaptativa. Enquanto a imunidade inata reconhece padrões conservados em microrganismos ao longo da evolução, a imunidade adaptativa atua de forma especializada, através de linfócitos B e T. Estas células são capazes de reconhecer moléculas de patogénios com maior especificidade e combate-los mais eficazmente, eliminando-os na maior parte dos casos. Além desta função, uma característica fundamental da imunidade adaptativa e a geração de memoria imunológica. Desta forma, se um organismo for reinfectado com um patogénio, a resposta imune contra este será muito mais rápida e poderá decorrer sem doença. Inicialmente, as células T de memoria eram divididas em dois grupos de acordo com os órgãos pelos quais circulavam: células T de memoria efetora, que circulam em órgãos não linfoides, e células T de memoria central, assim conhecidas por apresentarem uma maior longevidade e terem um maior tropismo para órgãos linfoides. Mais recentemente novos grupos de células de memoria foram descritos, nomeadamente as células T de memoria residentes em tecidos (Trm). Como o nome indica, estas células estão destinadas a permanecer dentro dos tecidos onde foram geradas, expressando marcadores como CD69, que previne a sua saída, e CD103 ou CD49a, que lhes permite a integração no tecido e o seu patrulhamento. Para que a memoria imunológica seja gerada, uma resposta imune efetora tem de ser estabelecida previamente. A resposta de células T pode ser dividida classicamente em três grupos, de acordo com o tipo de patogénio encontrado. No caso de infeção por vírus ou bactérias intracelulares, há um contexto inflamatório que promove a diferenciação do linfócito T CD4 em linfócito T auxiliar do tipo 1 (Th1). Este processo e desencadeado por um programa transcricional mediado pelo fator de transcrição T-box expresso em células T (Tbet), que leva a produção de interferão gama (IFN-g). Por sua vez, o IFN-g ativa macrófagos e recruta linfócitos T CD8 citotóxicos, de forma a eliminar células infetadas. No contexto duma infeção helmíntica, ou em caso de alergia, uma resposta mediada por IL-4 induz o linfócito T a iniciar um programa de diferenciação em célula T auxiliar do tipo 2 (Th2). Este programa e orquestrado pelo fator de transcrição GATA-3, que promove a produção de interleucina (IL)- 4, IL-5 e IL-13, e também o recrutamento de eosinófilos, basófilos e mastócitos, que desencadeiam mecanismos de reparação tecidual. Se o patogénio tiver uma natureza extracelular, seja bactéria ou fungo, ira desencadear uma resposta mediada por IL-6 e TGF-b, que levara um linfócito T a diferenciar-se numa célula T auxiliar produtora de IL-17 (Th17). Este fenómeno traduz-se através do recetor retinoide órfão gama t (RORgt), que despoleta a expressão de IL-17 e IL-22 na célula Th17, promovendo o recrutamento de neutrófilos para o local de infeção e induzindo a fagocitose do patogénio. |
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