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Cannabis sativa e o seu uso medicinal
| Summary: | Introdução: Cannabis sativa L. tem sido cultivada ao longo dos séculos pela sua vasta gama de aplicações, nomeadamente, como fonte de matéria-prima, para fins recreativos e religiosos e pelas suas propriedades medicinais. O presente trabalho tem como objetivo avaliar a utilidade do uso de Cannabis sativa flos e seus principais metabolitos secundários no tratamento do cancro, inflamação e dor através de uma revisão da literatura científica disponível. Métodos: Foi realizada uma pesquisa bibliográfica nas bases de dados PubMed, Cochrane e Web of Science, utilizando como palavra-chaves “cannabis sativa” AND “inflammation” / OR “cancer” / OR “pain”, no período temporal de 1 de janeiro de 2017 e 31 de dezembro de 2021. A metodologia PRISMA foi utilizada para selecionar os artigos científicos a serem considerados. Resultados: De um número inicial de 2664 estudos, aplicando os critérios de inclusão e exclusão definidos, foram considerados 26 estudos científicos, realizados essencialmente a nível pré-clínico, sendo 10 estudos relativos a atividade antitumoral in vitro; 10 visando a atividade anti-inflamatória in vitro e in vivo; e, relativamente à atividade na dor, 4 estudos in vitro e in vivo, 1 brief report e 1 estudo clínico piloto. Os resultados pré-clínicos mostraram a atividade antitumoral de C. sativa, flor em células tumorais de cancro da próstata, cérebro, pele, mama, pulmão, fígado e colorretal, tendo também o seu principal constituinte marcador, o canabidiol (CBD), demostrado este tipo de atividade. Na inflamação aguda, COVID-19, neuroinflamação e inflamação induzida por Cutibacterium acnes, preparações e constituintes de C. sativa flor mostraram atividade inibitória de moléculas pró-inflamatórias. No entanto, um extrato rico em CBD provocou um aumento das moléculas pró-inflamatórias, em modelo de inflamação intestinal e de COVID-19. Um efeito sinérgico foi observado, in vivo, para o Δ9-tetrahydrocannabinol (THC), com a administração de gabapentina, tendo-se verificado um aumento da janela terapêutica, potência e eficácia deste constituinte na redução da dor neuropática. Diferentes tipos de administração de C. sativa, flor, como a intraperitoneal, oral e a absorção bucal, produziram efeitos notórios na redução da dor. A absorção bucal mostrou particular interesse, pois permitiu eliminar o efeito colateral amnésico do THC. Conclusões: Apesar dos dados existentes são ainda necessários mais estudos pré-clínicos e clínicos pa |
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| Main Authors: | Santos, Ana Sofia Ferreira dos |
| Subject: | Cannabis sativa Cannabidiol Cancer Mestrado integrado - 2022 |
| Year: | 2022 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | master thesis |
| Access type: | open access |
| Associated institution: | Universidade de Lisboa |
| Language: | English |
| Origin: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Summary: | Introdução: Cannabis sativa L. tem sido cultivada ao longo dos séculos pela sua vasta gama de aplicações, nomeadamente, como fonte de matéria-prima, para fins recreativos e religiosos e pelas suas propriedades medicinais. O presente trabalho tem como objetivo avaliar a utilidade do uso de Cannabis sativa flos e seus principais metabolitos secundários no tratamento do cancro, inflamação e dor através de uma revisão da literatura científica disponível. Métodos: Foi realizada uma pesquisa bibliográfica nas bases de dados PubMed, Cochrane e Web of Science, utilizando como palavra-chaves “cannabis sativa” AND “inflammation” / OR “cancer” / OR “pain”, no período temporal de 1 de janeiro de 2017 e 31 de dezembro de 2021. A metodologia PRISMA foi utilizada para selecionar os artigos científicos a serem considerados. Resultados: De um número inicial de 2664 estudos, aplicando os critérios de inclusão e exclusão definidos, foram considerados 26 estudos científicos, realizados essencialmente a nível pré-clínico, sendo 10 estudos relativos a atividade antitumoral in vitro; 10 visando a atividade anti-inflamatória in vitro e in vivo; e, relativamente à atividade na dor, 4 estudos in vitro e in vivo, 1 brief report e 1 estudo clínico piloto. Os resultados pré-clínicos mostraram a atividade antitumoral de C. sativa, flor em células tumorais de cancro da próstata, cérebro, pele, mama, pulmão, fígado e colorretal, tendo também o seu principal constituinte marcador, o canabidiol (CBD), demostrado este tipo de atividade. Na inflamação aguda, COVID-19, neuroinflamação e inflamação induzida por Cutibacterium acnes, preparações e constituintes de C. sativa flor mostraram atividade inibitória de moléculas pró-inflamatórias. No entanto, um extrato rico em CBD provocou um aumento das moléculas pró-inflamatórias, em modelo de inflamação intestinal e de COVID-19. Um efeito sinérgico foi observado, in vivo, para o Δ9-tetrahydrocannabinol (THC), com a administração de gabapentina, tendo-se verificado um aumento da janela terapêutica, potência e eficácia deste constituinte na redução da dor neuropática. Diferentes tipos de administração de C. sativa, flor, como a intraperitoneal, oral e a absorção bucal, produziram efeitos notórios na redução da dor. A absorção bucal mostrou particular interesse, pois permitiu eliminar o efeito colateral amnésico do THC. Conclusões: Apesar dos dados existentes são ainda necessários mais estudos pré-clínicos e clínicos pa |
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