Publicação
A Academia Real das Ciências de Lisboa (1779-1834) : ciências e hibridismo numa periferia europeia
| Resumo: | A Academia Real das Ciências de Lisboa tem ocupado um lugar subsidiário, às vezes até ornamental, quando não está mesmo ausente, da narrativa historiográfica em geral e da história das ciências em particular. A presente dissertação tem como propósito caracterizar o processo de produção e organização das ciências numa periferia europeia, protagonizado pela Academia Real das Ciências de Lisboa no período que decorre desde a sua fundação, em 1779, até à sua primeira reforma estatutária, em 1834. As evidências recolhidas passaram, em primeiro lugar, pela determinação da configuração social e profissional dos seus sócios e da sua evolução ao longo dos primeiros cinquenta anos de funcionamento da Academia. Em segundo lugar, pela articulação desses resultados com as linhas programáticas da Academia que emergem da análise quer dos textos impressos não periódicos, quer da sua publicação periódica de maior longevidade, a História e Memórias da Academia Real das Sciencias de Lisboa. Em terceiro lugar, pelo recenseamento e análise dos programas postos a concurso pela Academia para atribuição de prémios, dos prémios atribuídos, bem como das comissões técnico-científicas em que a Academia esteve envolvida de modo a esclarecer a sua relação com o poder através da sua função de consultoria técnico-científica. Com base nas evidências recolhidas foi então possível chegar a um conjunto de conclusões que passamos a enunciar. A estrutura e prática programáticas da Academia resultaram de processos de apropriação e transformação de modelos e programas preexistentes de produção e organização do conhecimento, integrados por variáveis de natureza social e política específicas do contexto local em que a Academia emergiu. A sua configuração socioprofissional, inicialmente marcada por um contexto de final de Antigo Regime, sofreu uma viragem geracional indutora de uma concomitante viragem nas respetivas opções programáticas. A condição de periferia europeia da Academia, conjugada com a de centralidade colonial, permitiram explicar a sua rede de associados luso-brasileiros, bem como o seu próprio perfil programático. Os primeiros cinquenta anos do funcionamento da Academia Real das Ciências foram caracterizados por um hibridismo programático - subjacente ao qual existia um entendimento polissémico das “Ciências” que constituíam o objeto da Academia - indexável a transfigurações na natureza programática da Academia. Sociedade económica, sociedade médica, repartição governamental foram os sucessivos rostos dessas diferentes transfigurações que marcaram o percurso programático da Academia Real das Ciências de Lisboa nos primeiros cinquenta anos da sua existência. |
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| Autores principais: | Silva, José |
| Assunto: | Academia Real das Ciências de Lisboa Hibridismo Polissemia Periferia Teses de doutoramento - 2015 |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A Academia Real das Ciências de Lisboa tem ocupado um lugar subsidiário, às vezes até ornamental, quando não está mesmo ausente, da narrativa historiográfica em geral e da história das ciências em particular. A presente dissertação tem como propósito caracterizar o processo de produção e organização das ciências numa periferia europeia, protagonizado pela Academia Real das Ciências de Lisboa no período que decorre desde a sua fundação, em 1779, até à sua primeira reforma estatutária, em 1834. As evidências recolhidas passaram, em primeiro lugar, pela determinação da configuração social e profissional dos seus sócios e da sua evolução ao longo dos primeiros cinquenta anos de funcionamento da Academia. Em segundo lugar, pela articulação desses resultados com as linhas programáticas da Academia que emergem da análise quer dos textos impressos não periódicos, quer da sua publicação periódica de maior longevidade, a História e Memórias da Academia Real das Sciencias de Lisboa. Em terceiro lugar, pelo recenseamento e análise dos programas postos a concurso pela Academia para atribuição de prémios, dos prémios atribuídos, bem como das comissões técnico-científicas em que a Academia esteve envolvida de modo a esclarecer a sua relação com o poder através da sua função de consultoria técnico-científica. Com base nas evidências recolhidas foi então possível chegar a um conjunto de conclusões que passamos a enunciar. A estrutura e prática programáticas da Academia resultaram de processos de apropriação e transformação de modelos e programas preexistentes de produção e organização do conhecimento, integrados por variáveis de natureza social e política específicas do contexto local em que a Academia emergiu. A sua configuração socioprofissional, inicialmente marcada por um contexto de final de Antigo Regime, sofreu uma viragem geracional indutora de uma concomitante viragem nas respetivas opções programáticas. A condição de periferia europeia da Academia, conjugada com a de centralidade colonial, permitiram explicar a sua rede de associados luso-brasileiros, bem como o seu próprio perfil programático. Os primeiros cinquenta anos do funcionamento da Academia Real das Ciências foram caracterizados por um hibridismo programático - subjacente ao qual existia um entendimento polissémico das “Ciências” que constituíam o objeto da Academia - indexável a transfigurações na natureza programática da Academia. Sociedade económica, sociedade médica, repartição governamental foram os sucessivos rostos dessas diferentes transfigurações que marcaram o percurso programático da Academia Real das Ciências de Lisboa nos primeiros cinquenta anos da sua existência. |
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