Publicação
Tangible microinteraction in the relief of generalized anxiety disorder
| Resumo: | Já foi demonstrado que a interação tangível pode ter um impacto significativo no ser humano no que toca à mitigação da ansiedade e dos seus sintomas. As microinterações tangíveis destacam-se como elementos promissores dentro do espectro mais amplo da interação tangível, pelo seu potencial para intervenções precisas e personalizadas, especialmente em contextos de regulação emocional, como é o caso da mitigação da ansiedade. Contudo, dependendo do contexto e do modo como estas microinterações são aplicados, a sua influência pode variar, podendo ter um efeito tão subtil que se tornam quase impercetíveis, ou pelo contrário ser um fator determinante no comportamento dos utilizadores. Nesse sentido, a utilização de microinteração tangível, em produtos, interfaces ou sistemas, precisa de ser estudada para compreender qual a sua eficácia e possíveis implicações da sua aplicação dentro de contextos específicos, já que tal pode permitir escolhas informadas no desenvolvimento de produtos especialmente concebidos para melhorar a experiência e reduzir sintomas de condições como o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). De entre os variados contextos influenciadores do estado ansioso de jovens adultos com TAG existe um número considerável de condicionantes que afetam o design de intervenções e a sua implementação, atendendo a que estas implicam a necessidade de uma contextualização cuidada, tendo sempre em conta fatores como a acessibilidade, usabilidade, e até mesmo diferenças individuais. Esta última condicionante devido a variações de sensibilidade e a diferenciação individual nas respostas dos utilizadores a diferentes estímulos. Assim sendo, a adoção destas intervenções requer que haja empatia e uma compreensão profunda do utilizador final, isto é, do público-alvo. Nesta medida o presente estudo tem como objetivo avaliar se microinterações tangíveis conseguem mitigar a ansiedade em situações de contextos académicos, e os principais fatores determinantes na perceção da eficácia das referidas microinterações, assim como compreender de que modo estas microinterações podem ser incorporadas em produtos tangíveis. A escolha deste contexto académico deve-se entre outros ao facto de que este ambiente é frequentemente associado a níveis elevados de stresse e ansiedade, principalmente entre estudantes adultos jovens com transtornos de ansiedade, nomeadamente o TAG. Tal deve-se ao facto de que o meio académico envolve uma variedade de situações potencialmente ansiogénicas derivadas do seu teor avaliativo associado a um ambiente bastante competitivo. Isto por sua vez faz com que este contexto e público-alvo sejam um cenário realista e relevante para o desenvolvimento e aplicação de intervenções tangíveis de regulação emocional. No decorrer da investigação foi aplicada uma metodologia mista com bases qualitativas e quantitativas. Para começar, uma fase exploratória que envolveu revisão de literatura, através do cruzamento de palavras-chave, dando origem ao enquadramento teórico da investigação. Seguiu-se a realização de inquéritos contextuais com exercícios de shadowing e a realização de entrevistas semi-estruturadas a jovens adultos estudantes com Transtorno de Ansiedade Generalizada, a fim de traduzir necessidades latentes destes utilizadores e identificar implicações do contexto académico. Para analisar e codificar os dados coletados, foi aplicado o método AEIOU (Atividades, Espaços, Interações, Objetos e Utilizadores), com o intuito de extrair padrões significativos e gerar conhecimentos acionáveis. Ainda nesta fase exploratória foram realizadas entrevistas exploratórias com três profissionais, dois clínicos ativos (psicólogo e médico psiquiatra) e um educador de necessidades especiais, para uma melhor compreensão da problemática e da relevância do estudo, assim como identificar possíveis formas de fomentar a acessibilidade, inclusividade e envolvimento, e ao mesmo tempo evitar possíveis barreiras de usabilidade. No geral, esta primeira fase exploratória teve como objetivo compreender de forma ampla as experiências e necessidades dos jovens estudantes adultos. Esses resultados subsidiaram a fase generativa subsequente, focada no desenvolvimento de diversas ideias por meio de esboços e modelos de simulações físicas de baixa fidelidade de microinterações tangíveis. O processo de design considerou aspetos críticos como portabilidade, integração contextual e experiência do utilizador, além de mapear possíveis momentos de intervenção ao longo da jornada académica do estudante. Assim sendo foram elaborados journey mappings acerca dos diversos momentos, e das diferentes situações, identificadas durante a fase exploratória da presente investigação, usados como base para a definição de requerimentos funcionais e não funcionais para microinterações adequadas para o uso durante os momentos identificados. Entre outros fatores estes requerimentos pretendem permitir que as microinterações tangíveis possam ser desenvolvidas de modo a poderem ser integradas de forma natural no dia-a-dia dos estudantes jovens adultos, sem que estas causem interrupções bruscas ou necessidade de mudanças de rotina. Adicionalmente, as ideias foram refinadas com base em gatilhos emocionais recorrentes e técnicas reconhecidas de alívio da ansiedade, com o objetivo de desenvolver conceitos de microinterações tangíveis que fossem ao mesmo tempo discretas, acessíveis e eficazes. Por fim foram projetadas e construídas cinco maquetes físicas e funcionais de microinterações tangíveis que com base na investigação levada a cabo até ao momento seriam capazes de mitigar a ansiedade de jovens adultos com TAG quando necessário. Estes modelos foram feitos com recurso a equipamentos e software de Arduíno e passaram pela conceção de código que define o comportamento de cada modelo, para servir de prova de conceito. Esta fase generativa foi também uma fase iterativa. Por fim, numa fase avaliativa final foi feita uma avaliação preliminar com within-subject design usando o método do Feiticeiro de Oz com uma amostra de conveniência representativa do público alvo considerado (jovens adultos estudantes com TAG), com o intuito de atestar de forma preliminar a veracidade da hipótese desta investigação, que propõe que microinterações tangíveis que incorporem estímulos que sejam emocionalmente competentes são capazes de mitigar de forma eficaz a ansiedade de jovens adultos com TAG dentro do contexto académico. Esta avaliação inicial foi feita ao testar as diferentes provas de conceito de microinterações tangíveis em comparação com uma condição de controle, sem microinteração ou outro auxílio, durante a execução de uma tarefa stressante, neste caso específico um jogo de cartas de memória contrarrelógio, dentro de um ambiente semelhante ao de uma sala de aula durante apresentações orais. Este jogo foi cuidadosamente projetado para ter uma carga cognitiva significativa e requerer atenção e concentração, para simular ao máximo de forma controlada as condições enfrentadas pelos alunos durante as atividades académicas stressoras previamente identificadas e mapeadas. As influências das provas de conceito foram verificadas com um procedimento experimental que contava com três momentos avaliativos (o antes, o durante e o depois da tarefa stressora) e o uso de um questionário para que os participantes respondessem retrospetivamente e avaliassem a experiência de interação com as provas de conceito recorrendo às escalas de prazer e ativação do Manequim de Autoavaliação (SAM). Os resultados demostram que a interação com a prova de conceito resultou em melhores pontuações dentro dos domínios da valência (prazer) e ativação (ansiedade/stress) quando comparada à condição de controle, apontando para o potencial de cada uma das microinterações em mitigar a ansiedade em jovens estudantes adultos com TAG. No entanto, também evidenciou que nenhuma das microinterações reduziu universalmente a ansiedade, tal como comprovado pela variabilidade significativa dos resultados, o que veio realçar a necessidade e importância de haver uma adaptação cuidada das intervenções às preferências dos utilizadores e às suas caraterísticas individuais. Não obstante, o contraste entre os resultados da condição de controlo sem microinteração e o das microinterações demonstram um padrão esperado de níveis de ansiedade superiores e fraca recuperação no caso do controlo sem microinteração, o que realça o potencial de microinterações tangíveis que incorporem estímulos sensoriais adequados, como ferramentas para regulação emocional e para manutenção da ansiedade de jovens adultos estudantes com TAG dentro do contexto académico. |
|---|---|
| Autores principais: | Viegas,Laura Inês de Meneses |
| Assunto: | interaction design microinteraction tangible interaction generalized anxiety disorder anxiety design de interação microinteração interação tangível transtorno de ansiedade generalizada ansiedade |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Já foi demonstrado que a interação tangível pode ter um impacto significativo no ser humano no que toca à mitigação da ansiedade e dos seus sintomas. As microinterações tangíveis destacam-se como elementos promissores dentro do espectro mais amplo da interação tangível, pelo seu potencial para intervenções precisas e personalizadas, especialmente em contextos de regulação emocional, como é o caso da mitigação da ansiedade. Contudo, dependendo do contexto e do modo como estas microinterações são aplicados, a sua influência pode variar, podendo ter um efeito tão subtil que se tornam quase impercetíveis, ou pelo contrário ser um fator determinante no comportamento dos utilizadores. Nesse sentido, a utilização de microinteração tangível, em produtos, interfaces ou sistemas, precisa de ser estudada para compreender qual a sua eficácia e possíveis implicações da sua aplicação dentro de contextos específicos, já que tal pode permitir escolhas informadas no desenvolvimento de produtos especialmente concebidos para melhorar a experiência e reduzir sintomas de condições como o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). De entre os variados contextos influenciadores do estado ansioso de jovens adultos com TAG existe um número considerável de condicionantes que afetam o design de intervenções e a sua implementação, atendendo a que estas implicam a necessidade de uma contextualização cuidada, tendo sempre em conta fatores como a acessibilidade, usabilidade, e até mesmo diferenças individuais. Esta última condicionante devido a variações de sensibilidade e a diferenciação individual nas respostas dos utilizadores a diferentes estímulos. Assim sendo, a adoção destas intervenções requer que haja empatia e uma compreensão profunda do utilizador final, isto é, do público-alvo. Nesta medida o presente estudo tem como objetivo avaliar se microinterações tangíveis conseguem mitigar a ansiedade em situações de contextos académicos, e os principais fatores determinantes na perceção da eficácia das referidas microinterações, assim como compreender de que modo estas microinterações podem ser incorporadas em produtos tangíveis. A escolha deste contexto académico deve-se entre outros ao facto de que este ambiente é frequentemente associado a níveis elevados de stresse e ansiedade, principalmente entre estudantes adultos jovens com transtornos de ansiedade, nomeadamente o TAG. Tal deve-se ao facto de que o meio académico envolve uma variedade de situações potencialmente ansiogénicas derivadas do seu teor avaliativo associado a um ambiente bastante competitivo. Isto por sua vez faz com que este contexto e público-alvo sejam um cenário realista e relevante para o desenvolvimento e aplicação de intervenções tangíveis de regulação emocional. No decorrer da investigação foi aplicada uma metodologia mista com bases qualitativas e quantitativas. Para começar, uma fase exploratória que envolveu revisão de literatura, através do cruzamento de palavras-chave, dando origem ao enquadramento teórico da investigação. Seguiu-se a realização de inquéritos contextuais com exercícios de shadowing e a realização de entrevistas semi-estruturadas a jovens adultos estudantes com Transtorno de Ansiedade Generalizada, a fim de traduzir necessidades latentes destes utilizadores e identificar implicações do contexto académico. Para analisar e codificar os dados coletados, foi aplicado o método AEIOU (Atividades, Espaços, Interações, Objetos e Utilizadores), com o intuito de extrair padrões significativos e gerar conhecimentos acionáveis. Ainda nesta fase exploratória foram realizadas entrevistas exploratórias com três profissionais, dois clínicos ativos (psicólogo e médico psiquiatra) e um educador de necessidades especiais, para uma melhor compreensão da problemática e da relevância do estudo, assim como identificar possíveis formas de fomentar a acessibilidade, inclusividade e envolvimento, e ao mesmo tempo evitar possíveis barreiras de usabilidade. No geral, esta primeira fase exploratória teve como objetivo compreender de forma ampla as experiências e necessidades dos jovens estudantes adultos. Esses resultados subsidiaram a fase generativa subsequente, focada no desenvolvimento de diversas ideias por meio de esboços e modelos de simulações físicas de baixa fidelidade de microinterações tangíveis. O processo de design considerou aspetos críticos como portabilidade, integração contextual e experiência do utilizador, além de mapear possíveis momentos de intervenção ao longo da jornada académica do estudante. Assim sendo foram elaborados journey mappings acerca dos diversos momentos, e das diferentes situações, identificadas durante a fase exploratória da presente investigação, usados como base para a definição de requerimentos funcionais e não funcionais para microinterações adequadas para o uso durante os momentos identificados. Entre outros fatores estes requerimentos pretendem permitir que as microinterações tangíveis possam ser desenvolvidas de modo a poderem ser integradas de forma natural no dia-a-dia dos estudantes jovens adultos, sem que estas causem interrupções bruscas ou necessidade de mudanças de rotina. Adicionalmente, as ideias foram refinadas com base em gatilhos emocionais recorrentes e técnicas reconhecidas de alívio da ansiedade, com o objetivo de desenvolver conceitos de microinterações tangíveis que fossem ao mesmo tempo discretas, acessíveis e eficazes. Por fim foram projetadas e construídas cinco maquetes físicas e funcionais de microinterações tangíveis que com base na investigação levada a cabo até ao momento seriam capazes de mitigar a ansiedade de jovens adultos com TAG quando necessário. Estes modelos foram feitos com recurso a equipamentos e software de Arduíno e passaram pela conceção de código que define o comportamento de cada modelo, para servir de prova de conceito. Esta fase generativa foi também uma fase iterativa. Por fim, numa fase avaliativa final foi feita uma avaliação preliminar com within-subject design usando o método do Feiticeiro de Oz com uma amostra de conveniência representativa do público alvo considerado (jovens adultos estudantes com TAG), com o intuito de atestar de forma preliminar a veracidade da hipótese desta investigação, que propõe que microinterações tangíveis que incorporem estímulos que sejam emocionalmente competentes são capazes de mitigar de forma eficaz a ansiedade de jovens adultos com TAG dentro do contexto académico. Esta avaliação inicial foi feita ao testar as diferentes provas de conceito de microinterações tangíveis em comparação com uma condição de controle, sem microinteração ou outro auxílio, durante a execução de uma tarefa stressante, neste caso específico um jogo de cartas de memória contrarrelógio, dentro de um ambiente semelhante ao de uma sala de aula durante apresentações orais. Este jogo foi cuidadosamente projetado para ter uma carga cognitiva significativa e requerer atenção e concentração, para simular ao máximo de forma controlada as condições enfrentadas pelos alunos durante as atividades académicas stressoras previamente identificadas e mapeadas. As influências das provas de conceito foram verificadas com um procedimento experimental que contava com três momentos avaliativos (o antes, o durante e o depois da tarefa stressora) e o uso de um questionário para que os participantes respondessem retrospetivamente e avaliassem a experiência de interação com as provas de conceito recorrendo às escalas de prazer e ativação do Manequim de Autoavaliação (SAM). Os resultados demostram que a interação com a prova de conceito resultou em melhores pontuações dentro dos domínios da valência (prazer) e ativação (ansiedade/stress) quando comparada à condição de controle, apontando para o potencial de cada uma das microinterações em mitigar a ansiedade em jovens estudantes adultos com TAG. No entanto, também evidenciou que nenhuma das microinterações reduziu universalmente a ansiedade, tal como comprovado pela variabilidade significativa dos resultados, o que veio realçar a necessidade e importância de haver uma adaptação cuidada das intervenções às preferências dos utilizadores e às suas caraterísticas individuais. Não obstante, o contraste entre os resultados da condição de controlo sem microinteração e o das microinterações demonstram um padrão esperado de níveis de ansiedade superiores e fraca recuperação no caso do controlo sem microinteração, o que realça o potencial de microinterações tangíveis que incorporem estímulos sensoriais adequados, como ferramentas para regulação emocional e para manutenção da ansiedade de jovens adultos estudantes com TAG dentro do contexto académico. |
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Atividades financiadas
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