Publicação
Isolamento e caracterização de uma lisina de um bacteriófago que infecta Staphylococcus aureus
| Resumo: | A terapia fágica envolve a utilização de fagos ou dos seus produtos como bioagentes para o tratamento ou profilaxia de doenças infecciosas bacterianas. Os bacteriófagos que apresentam genomas de DNA de cadeia dupla, geralmente, produzem enzimas (endolisinas ou lisinas) que degradam o peptidoglicano da parede celular bacteriana, na fase final da infecção, para libertar a progenia viral. Estudos recentes forneceram provas consideráveis de que as lisinas de alguns fagos mostram uma actividade bacteriolítica imediata e elevada, mesmo quando aplicadas exogenamente. Estas evidências apoiam, fortemente, a utilidade clínica das lisinas fágicas no controlo das infecções bacterianas. As bactérias Staphylococcus aureus são patogenes comuns que estão envolvidos em várias doenças infecciosas. O tratamento destas infecções tornou-se, particularmente, problemático devido à sua capacidade de adquirir resistências aos antibióticos de uso comum. Contudo, têm sido realizados muito poucos estudos para possíveis aplicações terapêuticas de lisinas fágicas, activamente purificadas, contra S. aureus. Neste estudo pretendeu-se analisar a actividade lítica de uma lisina (Lys87) codificada pelo fago 87 de S. aureus. Inicialmente, foi deduzido que o gene lys87 codifica para uma possível lisina, com base na pesquisa de homologias. A análise da sequência de aminoácidos da Lys87 revelou a presença de um domínio CHAP e de resíduos conservados existentes em inferidos e conhecidos domínios de endopeptidase, semelhantes aos de outras lisinas de fagos que infectam S. aureus. O gene lys87 foi clonado e a lisina sobre-expressa, como uma proteína de fusão com uma cauda de histidinas, em Escherichia coli. Foram utilizadas várias estratégias para purificar, com sucesso, a Lys87. Os resultados obtidos neste estudo mostraram que esta lisina exibe uma actividade lítica contra diversas estirpes clinicamente relevantes de S. aureus, que incluem estirpes resistentes à meticilina. Contudo, a Lys87 também revelou uma capacidade lítica contra outras espécies de bactérias gram-positivas pertencentes aos géneros Staphylococcus, Micrococcus, Bacillus e Enterococcus. Em conclusão, os resultados obtidos no presente estudo indicam que a Lys87 apresenta um largo espectro de actividade mureinolítica contra S. aureus e outras espécies de bactérias grampositivas, o que sugere que a Lys87 apresenta potencial para ser utilizada como agente antimicrobiano na prevenção e/ou tratamento de infecções provocadas por estafilococos. Consequentemente, é necessário prosseguir com as investigações para analisar a actividade lítica da Lys87. |
|---|---|
| Autores principais: | Cantante, Cátia Sofia de Carvalho, 1982- |
| Assunto: | Actividade lítica Bacteriófagos Endolisina Terapia fágica Staphylococcus aureus Teses de mestrado - 2008 |
| Ano: | 2008 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A terapia fágica envolve a utilização de fagos ou dos seus produtos como bioagentes para o tratamento ou profilaxia de doenças infecciosas bacterianas. Os bacteriófagos que apresentam genomas de DNA de cadeia dupla, geralmente, produzem enzimas (endolisinas ou lisinas) que degradam o peptidoglicano da parede celular bacteriana, na fase final da infecção, para libertar a progenia viral. Estudos recentes forneceram provas consideráveis de que as lisinas de alguns fagos mostram uma actividade bacteriolítica imediata e elevada, mesmo quando aplicadas exogenamente. Estas evidências apoiam, fortemente, a utilidade clínica das lisinas fágicas no controlo das infecções bacterianas. As bactérias Staphylococcus aureus são patogenes comuns que estão envolvidos em várias doenças infecciosas. O tratamento destas infecções tornou-se, particularmente, problemático devido à sua capacidade de adquirir resistências aos antibióticos de uso comum. Contudo, têm sido realizados muito poucos estudos para possíveis aplicações terapêuticas de lisinas fágicas, activamente purificadas, contra S. aureus. Neste estudo pretendeu-se analisar a actividade lítica de uma lisina (Lys87) codificada pelo fago 87 de S. aureus. Inicialmente, foi deduzido que o gene lys87 codifica para uma possível lisina, com base na pesquisa de homologias. A análise da sequência de aminoácidos da Lys87 revelou a presença de um domínio CHAP e de resíduos conservados existentes em inferidos e conhecidos domínios de endopeptidase, semelhantes aos de outras lisinas de fagos que infectam S. aureus. O gene lys87 foi clonado e a lisina sobre-expressa, como uma proteína de fusão com uma cauda de histidinas, em Escherichia coli. Foram utilizadas várias estratégias para purificar, com sucesso, a Lys87. Os resultados obtidos neste estudo mostraram que esta lisina exibe uma actividade lítica contra diversas estirpes clinicamente relevantes de S. aureus, que incluem estirpes resistentes à meticilina. Contudo, a Lys87 também revelou uma capacidade lítica contra outras espécies de bactérias gram-positivas pertencentes aos géneros Staphylococcus, Micrococcus, Bacillus e Enterococcus. Em conclusão, os resultados obtidos no presente estudo indicam que a Lys87 apresenta um largo espectro de actividade mureinolítica contra S. aureus e outras espécies de bactérias grampositivas, o que sugere que a Lys87 apresenta potencial para ser utilizada como agente antimicrobiano na prevenção e/ou tratamento de infecções provocadas por estafilococos. Consequentemente, é necessário prosseguir com as investigações para analisar a actividade lítica da Lys87. |
|---|
Atividades financiadas
Não foram encontrados projetos financiados.