Publicação
Indexical Sinn: Fregeanism versus Millianism
| Resumo: | Neste ensaio discutem-se dois pontos de vista sobre a variação notacional com respeito à referência e ao conteúdo singular indexical: o ponto de vista de que certas formas de Millianismo são no fundo variantes notacionais de uma teoria fregeana da referência, sendo esta a concepção fregeana da variação notacional; e o ponto de vista de que certas formas de Fregeanismo são no fundo variantes notacionais de uma teoria da referência directa, sendo esta a concepção milliana da variação notacional. Enquanto a primeira concepção assenta na suposição de que uma teoria da referência directa poderia ser facilmente convertida numa versão particular de uma teoria neo-fregeana, mostrando que ela está obrigada a reconhecer certas entidades próximas de sentidos fregeanos, a segunda concepção está baseada na suposição de que uma teoria neo-fregeana poderia ser facilmente convertida numa versão particular de uma teoria milliana, mostrando que sentidos De Re são teóricamente supérfluos e logo elimináveis. A questão de saber com quantas teorias da referência e do conteúdo singular estamos aqui confrontados — duas teorias diferentes (e mutuamente antagónicas)? Ou apenas duas versões daquilo que é em essência a mesma teoria? — é uma questão seguramente importante para quem se interesse pelo tópico. E essa questão deve ser respondida através de um exame cuidadoso da plausibilidade de cada uma das concepções acima mencionadas. Antes de tentarmos escolher entre as teorias em questão, quereríamos naturalmente saber se há ou não de facto duas teorias substancialmente díspares. Grosso modo, se a concepção fregeana da variação notacional fosse correcta, então teríamos de lidar com apenas uma teoria geral da referência singular, viz. o fregeanismo; analogamente, se a concepção milliana da variação notacional fosse correcta, estaríamos confrontados com uma única teoria geral da referência singular, viz. o millianismo. Pensamos que, quer a concepção fregeana da variação notacional, quer a sua contraparte milliana, são incorrectas, embora por razões diferentes (naturalmente). Argumentamos noutro lado que a concepção fregeana da variação notacional — considerada na sua aplicação à semântica de relatos de atitudes proposicionais que contêm nomes próprios — é incorrecta. Tencionamos neste ensaio suplementar esse resultado com uma tentativa de mostrar que a concepção milliana da variação notacional — tomada na sua aplicação à semântica de expressões indexicais — deve ser também vista como incorrecta. Concentramos a nossa atenção num conjunto de argumentos a favor da concepção milliana, argumentos esses que tomamos como adequadamente representativos do ponto de vista geral do teórico milliano sobre o neo-fregeanismo acerca de indexicais e que envolvem questões relativas ao significado cognitivo de frases que contêm termos indexicais. |
|---|---|
| Autores principais: | Branquinho, João |
| Assunto: | Semântica formal Significado Reference Propositions |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Neste ensaio discutem-se dois pontos de vista sobre a variação notacional com respeito à referência e ao conteúdo singular indexical: o ponto de vista de que certas formas de Millianismo são no fundo variantes notacionais de uma teoria fregeana da referência, sendo esta a concepção fregeana da variação notacional; e o ponto de vista de que certas formas de Fregeanismo são no fundo variantes notacionais de uma teoria da referência directa, sendo esta a concepção milliana da variação notacional. Enquanto a primeira concepção assenta na suposição de que uma teoria da referência directa poderia ser facilmente convertida numa versão particular de uma teoria neo-fregeana, mostrando que ela está obrigada a reconhecer certas entidades próximas de sentidos fregeanos, a segunda concepção está baseada na suposição de que uma teoria neo-fregeana poderia ser facilmente convertida numa versão particular de uma teoria milliana, mostrando que sentidos De Re são teóricamente supérfluos e logo elimináveis. A questão de saber com quantas teorias da referência e do conteúdo singular estamos aqui confrontados — duas teorias diferentes (e mutuamente antagónicas)? Ou apenas duas versões daquilo que é em essência a mesma teoria? — é uma questão seguramente importante para quem se interesse pelo tópico. E essa questão deve ser respondida através de um exame cuidadoso da plausibilidade de cada uma das concepções acima mencionadas. Antes de tentarmos escolher entre as teorias em questão, quereríamos naturalmente saber se há ou não de facto duas teorias substancialmente díspares. Grosso modo, se a concepção fregeana da variação notacional fosse correcta, então teríamos de lidar com apenas uma teoria geral da referência singular, viz. o fregeanismo; analogamente, se a concepção milliana da variação notacional fosse correcta, estaríamos confrontados com uma única teoria geral da referência singular, viz. o millianismo. Pensamos que, quer a concepção fregeana da variação notacional, quer a sua contraparte milliana, são incorrectas, embora por razões diferentes (naturalmente). Argumentamos noutro lado que a concepção fregeana da variação notacional — considerada na sua aplicação à semântica de relatos de atitudes proposicionais que contêm nomes próprios — é incorrecta. Tencionamos neste ensaio suplementar esse resultado com uma tentativa de mostrar que a concepção milliana da variação notacional — tomada na sua aplicação à semântica de expressões indexicais — deve ser também vista como incorrecta. Concentramos a nossa atenção num conjunto de argumentos a favor da concepção milliana, argumentos esses que tomamos como adequadamente representativos do ponto de vista geral do teórico milliano sobre o neo-fregeanismo acerca de indexicais e que envolvem questões relativas ao significado cognitivo de frases que contêm termos indexicais. |
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