Publicação
Parasitas gastrointestinais em contexto zoológico : estudo de prevalência em felinos selvagens no jardim zoológico de Budapeste
| Resumo: | Os jardins zoológicos evoluíram de espaços de entretenimento e exibição de animais para instituições dedicadas à conservação, educação ambiental e promoção do bem-estar animal. Neste contexto, a monitorização sanitária, particularmente a deteção e prevenção de parasitas, assume grande relevância, não apenas para a saúde dos animais em cativeiro, como também para a dos animais de vida livre e para o ser humano, numa perspetiva de One Health. A transmissão parasitária pode ocorrer por diferentes vias, seja por contacto direto com visitantes e tratadores, pelo contacto com animais presentes nas imediações ou através de reinfeções ambientais, entre outros. Torna-se, por isso, essencial conhecer os ciclos parasitários e os respetivos hospedeiros, bem como definir e aplicar medidas adequadas de maneio, higienização e alimentação, de forma a reduzir a contaminação ambiental e a circulação destes agentes. Este estudo teve como objetivo avaliar a prevalência parasitária em quatro espécies de felinos selvagens no Jardim Zoológico de Budapeste: leões asiáticos (Panthera leo persica), tigres-siberianos (Panthera tigris altaica), leopardos-da-pérsia (Panthera pardus saxicolor) e gato-de-pallas (Otocolobus manul). Para tal, foi recolhida uma amostra fecal representativa de cada espécie semanalmente, durante cinco semanas consecutivas, totalizando vinte amostras. Estas foram analisadas pelo método Mini-FLOTAC e observadas ao microscópio para identificação e contagem de ovos e oocistos. Os resultados revelaram uma prevalência global de 70%, com predominância de Eimeria spp. Embora, não tenham sido detetados parasitas nas amostras provenientes do gato-de-pallas, Cystoisospora spp., Trichuris spp. e Capillaria spp. foram identificadas em pelo menos uma das restantes espécies. As infeções apresentaram baixa intensidade e, a ausência de alguns parasitas descritos na literatura sugere eficácia dos protocolos de desparasitação e maneio. Parte dos achados apontam para pseudoparasitismo decorrente da ingestão de presas ou de contaminação ambiental. Apesar das limitações inerentes ao número de amostras e ao período de recolha, este estudo contribui para o conhecimento parasitológico de felinos em cativeiro e fornece dados relevantes para a prática clínica em medicina veterinária e para a gestão de jardins zoológicos. Neste sentido, a monitorização parasitológica regular e a adaptação contínua das medidas de maneio e dieta constituem ferramentas essenciais para garantir o bem-estar dos animais em cativeiro e salvaguardar a saúde global |
|---|---|
| Autores principais: | Lencastre,Cláudia Marques |
| Assunto: | Parasitas Felinos Jardim zoológico Monitorização One Health Parasites Felids Zoo Monitoring One Health |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Os jardins zoológicos evoluíram de espaços de entretenimento e exibição de animais para instituições dedicadas à conservação, educação ambiental e promoção do bem-estar animal. Neste contexto, a monitorização sanitária, particularmente a deteção e prevenção de parasitas, assume grande relevância, não apenas para a saúde dos animais em cativeiro, como também para a dos animais de vida livre e para o ser humano, numa perspetiva de One Health. A transmissão parasitária pode ocorrer por diferentes vias, seja por contacto direto com visitantes e tratadores, pelo contacto com animais presentes nas imediações ou através de reinfeções ambientais, entre outros. Torna-se, por isso, essencial conhecer os ciclos parasitários e os respetivos hospedeiros, bem como definir e aplicar medidas adequadas de maneio, higienização e alimentação, de forma a reduzir a contaminação ambiental e a circulação destes agentes. Este estudo teve como objetivo avaliar a prevalência parasitária em quatro espécies de felinos selvagens no Jardim Zoológico de Budapeste: leões asiáticos (Panthera leo persica), tigres-siberianos (Panthera tigris altaica), leopardos-da-pérsia (Panthera pardus saxicolor) e gato-de-pallas (Otocolobus manul). Para tal, foi recolhida uma amostra fecal representativa de cada espécie semanalmente, durante cinco semanas consecutivas, totalizando vinte amostras. Estas foram analisadas pelo método Mini-FLOTAC e observadas ao microscópio para identificação e contagem de ovos e oocistos. Os resultados revelaram uma prevalência global de 70%, com predominância de Eimeria spp. Embora, não tenham sido detetados parasitas nas amostras provenientes do gato-de-pallas, Cystoisospora spp., Trichuris spp. e Capillaria spp. foram identificadas em pelo menos uma das restantes espécies. As infeções apresentaram baixa intensidade e, a ausência de alguns parasitas descritos na literatura sugere eficácia dos protocolos de desparasitação e maneio. Parte dos achados apontam para pseudoparasitismo decorrente da ingestão de presas ou de contaminação ambiental. Apesar das limitações inerentes ao número de amostras e ao período de recolha, este estudo contribui para o conhecimento parasitológico de felinos em cativeiro e fornece dados relevantes para a prática clínica em medicina veterinária e para a gestão de jardins zoológicos. Neste sentido, a monitorização parasitológica regular e a adaptação contínua das medidas de maneio e dieta constituem ferramentas essenciais para garantir o bem-estar dos animais em cativeiro e salvaguardar a saúde global |
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