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Resultados de imunoterapia alergénio-específica sublingual em canídeos atópicos, no concelho de Oeiras : estudo piloto

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Summary:A dermatite atópica canina (DAc) é uma doença de incidência elevada e crescente na população canina. A par da evicção alergénica, frequentemente inviável, a imunoterapia alergénio-específica (ITAE) é o único tratamento passível de modificar o curso natural da doença a longo prazo, mesmo após a sua suspensão. A via de administração tradicional de ITAE é a injeção subcutânea; no entanto, a via sublingual (SLIT) tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos na comunidade médica devido à sua proclamada maior segurança, praticabilidade e conforto na aplicação. O principal objetivo deste estudo retrospetivo centrou-se na avaliação da eficácia de um protocolo inicial de 7 meses de SLIT em 22 canídeos atópicos. Numa primeira fase procedeu-se a análise epidemiológica dos painéis alérgicos de 72 canídeos diagnosticados clinicamente com DAc e submetidos a provas alergológicas serológicas. Destes, 16,7% resultaram num painel alérgico negativo a todos os aeroalergénios testados. Na amostra analisada não houve predomínio de género e a raça indeterminada e o Retriever do Labrador foram as mais prevalentes. O grupo de alergénios mais frequentemente envolvido no processo alérgico foi o dos ácaros, nomeadamente as espécies Dermatophagoides farinae, Acarus siro e Tyrophagus putrescentiae. Na segunda fase, analisou-se a resposta à terapêutica em 22 canídeos atópicos submetidos a um protocolo de 7 meses de SLIT, face a um grupo de controlo de 22 canídeos atópicos tratados exclusivamente com medicação antialérgica sintomática. Esta análise foi feita através de um questionário aplicado aos donos dos animais e através do grau de redução da necessidade de medicação antialérgica concomitante para controlo dos sinais clínicos de DAc. Obteve-se uma redução estatisticamente significativa dos níveis de prurido no grupo de estudo face ao grupo de controlo. Ainda, 31,8% dos animais conseguiram controlar os sinais clínicos de DAc com recurso apenas à SLIT ou, em alguns casos, combinada com champô hipoalergénico. De forma geral, 86,4% dos animais responderam positivamente ao tratamento com SLIT. No entanto, o período de 7 meses de tratamento foi insuficiente para prevenir recidivas após a suspensão, pelo que o mesmo deve ser alargado. Este estudo, apesar das suas limitações, contribui assim para o crescente volume de bibliografia que atesta a eficácia e segurança da SLIT, constituindo uma alternativa válida para o tratamento da DAc.
Main Authors:Vicente, Marisa Alexandra Nunes
Subject:Dermatite atópica Cão Imunoterapia alergénio-específica Sublingual SLIT Atopic dermatitis Dogs Allergen-specific immunotherapy Sublingual
Year:2015
Country:Portugal
Document type:master thesis
Access type:open access
Associated institution:Universidade de Lisboa
Language:Portuguese
Origin:Repositório da Universidade de Lisboa
Description
Summary:A dermatite atópica canina (DAc) é uma doença de incidência elevada e crescente na população canina. A par da evicção alergénica, frequentemente inviável, a imunoterapia alergénio-específica (ITAE) é o único tratamento passível de modificar o curso natural da doença a longo prazo, mesmo após a sua suspensão. A via de administração tradicional de ITAE é a injeção subcutânea; no entanto, a via sublingual (SLIT) tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos na comunidade médica devido à sua proclamada maior segurança, praticabilidade e conforto na aplicação. O principal objetivo deste estudo retrospetivo centrou-se na avaliação da eficácia de um protocolo inicial de 7 meses de SLIT em 22 canídeos atópicos. Numa primeira fase procedeu-se a análise epidemiológica dos painéis alérgicos de 72 canídeos diagnosticados clinicamente com DAc e submetidos a provas alergológicas serológicas. Destes, 16,7% resultaram num painel alérgico negativo a todos os aeroalergénios testados. Na amostra analisada não houve predomínio de género e a raça indeterminada e o Retriever do Labrador foram as mais prevalentes. O grupo de alergénios mais frequentemente envolvido no processo alérgico foi o dos ácaros, nomeadamente as espécies Dermatophagoides farinae, Acarus siro e Tyrophagus putrescentiae. Na segunda fase, analisou-se a resposta à terapêutica em 22 canídeos atópicos submetidos a um protocolo de 7 meses de SLIT, face a um grupo de controlo de 22 canídeos atópicos tratados exclusivamente com medicação antialérgica sintomática. Esta análise foi feita através de um questionário aplicado aos donos dos animais e através do grau de redução da necessidade de medicação antialérgica concomitante para controlo dos sinais clínicos de DAc. Obteve-se uma redução estatisticamente significativa dos níveis de prurido no grupo de estudo face ao grupo de controlo. Ainda, 31,8% dos animais conseguiram controlar os sinais clínicos de DAc com recurso apenas à SLIT ou, em alguns casos, combinada com champô hipoalergénico. De forma geral, 86,4% dos animais responderam positivamente ao tratamento com SLIT. No entanto, o período de 7 meses de tratamento foi insuficiente para prevenir recidivas após a suspensão, pelo que o mesmo deve ser alargado. Este estudo, apesar das suas limitações, contribui assim para o crescente volume de bibliografia que atesta a eficácia e segurança da SLIT, constituindo uma alternativa válida para o tratamento da DAc.

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