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SARS-CoV-2 serological survey on Cascais :

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Summary:A pandemia causada pelo SARS-CoV-2, começou no final de 2019. Em pouco tempo, espalhou-se rapidamente por todo o mundo. Para avaliar o impacto da pandemia de SARS-CoV-2, foi realizado um inquérito serológico no concelho de Cascais e disponível para todos os residentes de Cascais. Neste inquérito serológico foi realizado um teste serológico por laboratórios privados de Cascais juntamente com um questionário sobre dados sociodemográficos, dados clínicos, sintomas e comportamentos relacionados com a COVID-19. O objetivo do estudo foi avaliar a seroprevalência de anticorpos para SARS-CoV-2 e identificar fatores sociodemográficos, clínicos e comportamentais associados à seropositividade para SARS-CoV-2 na população de residentes em Cascais. Neste estudo analisámos 4410 questionários obtidos entre 21 de Maio e 1 de Outubro de 2020, para os quais estava disponível informação sobre o país de origem. Desta forma foi conseguido avaliar a seroprevalência do SARS-CoV-2 nos migrantes e na população portuguesa residente em Cascais e estudar a associação entre a seroprevalência e história de doença crónica, sintomas reportados e teste PCR positivo, na população migrante e portuguesa. A seroprevalência entre a população de migrantes foi de 2,02% (IC 95%: 1,33 – 3,07%) e a abordagem Bayesiana corrigiu a seroprevalência, tendo em conta a sensibilidade e especificidade do teste serológico, corrigiu para 1,93% (IC 95%: 1,25 – 2,71%), a seroprevalência quando comparada com a população portuguesa. Encontrou-se uma associação estatisticamente significativa entre a seroprevalência e o agregado familiar. Em relação aos fatores sociodemográficos, como sexo, faixa etária, situação profissional, escolaridade, freguesias e histórico de viagens, não foram encontradas associações estatisticamente significativas. No que diz respeito ao histórico de doenças crónicas da população migrante, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os doentes crónicos e os não doentes, embora a população que se referiu não ser doente crónico tenha apresentado uma seroprevalência maior em relação aos doentes crónicos. Em relação ao histórico de COVID-19, para os migrantes, houve uma associação estatisticamente significativa entre teste serológico positivo e ter realizado um teste PCR anterior ((odds ratio 3,43 (IC 95%: 1,39 – 8,71), valor de p <0,005 ) e ter relatado um teste PCR anterior positivo ((odds ratio 24,46 (IC 95%: 0,60 – 988,64), valor p <0,002). Em relação aos sintomas da COVID-19, a seroprevalência foi maior entre os participantes que reportaram ter tido febre, calafrios, dor no peito, cefaleia, dor abdominal, anosmia (perda do olfato) e ageusia (perda do paladar). Para os sintomas anosmia (perda do olfato) e ageusia (perda do paladar) houve associação estatisticamente significativa com testes serológicos positivos (odds ratio 4,40 (IC 95%: 0,62 – 16,69), p-valor <0,05) e (odds ratio 9,65 (IC 95%: 2,01 – 32,81), valor p <0,001), respetivamente. Cerca de 57,14% (IC 95%: 36,55 – 75,53%) da população migrante reportou não ter apresentado nenhum sintoma sugestivo de infeção por COVID-19. Com base na relação entre os sintomas reportados e a reatividade dos testes serológicos, os sintomas cefaleia, febre, ageusia (perda do paladar), tosse e congestão nasal foram os de maior sensibilidade. Em relação às implicações relacionadas com a COVID-19, na população migrante, a seroprevalência foi maior entre os participantes que não procuraram atendimento médico 5,17% (IC 95%: 2,39 – 10,83%) em comparação com os que procuraram. Em relação aos internamentos ou cuidados intensivos por implicações da COVID-19, não foi possível avaliar a seroprevalência devido ao pequeno tamanho da amostra. Na população migrante, a seroprevalência entre aqueles que faltaram ao trabalho ou à escola foi estatisticamente significativa sendo que aqueles que não faltaram ao trabalho ou à escola, apresentado uma maior seroprevalência na população que faltou ao trabalho ou à escola, (associação estatisticamente significativa, odds ratio 3,91 (IC 95%: 0,83 – 12,81), valor p <0,05). Desde que a OMS declarou a COVID-19 como uma pandemia, os governos por todo o mundo impuseram limitações à mobilidade das suas populações, limitando a mobilidade das pessoas durante pelo menos 3 meses, começando no final do mês de Fevereiro até início do mês de Maio de 2020, causando consequências não apenas do ponto de vista da saúde física, mas também psicossocial da população. Contudo, as medidas de controle do COVID-19 podem não ter sido muito eficientes, devido a diversos fatores, tais como a transmissão de indivíduos assintomáticos. A aquisição de medidas de proteção individuais e coletivas são preponderantes para minimizar o impacto da doença na saúde pública global, contendo a propagação da doença COVID-19. Os inquéritos serológicos são abordagens importantes para identificar casos de infeção por SARS-CoV-2 não detetados anteriormente e para entender a duração dos anticorpos para SARS-CoV-2. Além disso, quando combinado com dados sociodemográficos e clínicos, permite compreender padrões de infeção por SARS-CoV-2 em diferentes grupos. Dada a grande quantidade de dados recolhidos em Cascais, este inquérito é um importante exemplo de uma iniciativa de um município que gerou uma grande quantidade de dados científicos que podem ser utilizados para orientar futuras medidas de prevenção
Main Authors:Merca, Francisco José dos Santos
Subject:Serological survey SARS-CoV-2 COVID-19 Antibodies Migrants Teses de mestrado - 2022
Year:2022
Country:Portugal
Document type:master thesis
Access type:open access
Associated institution:Universidade de Lisboa
Language:English
Origin:Repositório da Universidade de Lisboa
Description
Summary:A pandemia causada pelo SARS-CoV-2, começou no final de 2019. Em pouco tempo, espalhou-se rapidamente por todo o mundo. Para avaliar o impacto da pandemia de SARS-CoV-2, foi realizado um inquérito serológico no concelho de Cascais e disponível para todos os residentes de Cascais. Neste inquérito serológico foi realizado um teste serológico por laboratórios privados de Cascais juntamente com um questionário sobre dados sociodemográficos, dados clínicos, sintomas e comportamentos relacionados com a COVID-19. O objetivo do estudo foi avaliar a seroprevalência de anticorpos para SARS-CoV-2 e identificar fatores sociodemográficos, clínicos e comportamentais associados à seropositividade para SARS-CoV-2 na população de residentes em Cascais. Neste estudo analisámos 4410 questionários obtidos entre 21 de Maio e 1 de Outubro de 2020, para os quais estava disponível informação sobre o país de origem. Desta forma foi conseguido avaliar a seroprevalência do SARS-CoV-2 nos migrantes e na população portuguesa residente em Cascais e estudar a associação entre a seroprevalência e história de doença crónica, sintomas reportados e teste PCR positivo, na população migrante e portuguesa. A seroprevalência entre a população de migrantes foi de 2,02% (IC 95%: 1,33 – 3,07%) e a abordagem Bayesiana corrigiu a seroprevalência, tendo em conta a sensibilidade e especificidade do teste serológico, corrigiu para 1,93% (IC 95%: 1,25 – 2,71%), a seroprevalência quando comparada com a população portuguesa. Encontrou-se uma associação estatisticamente significativa entre a seroprevalência e o agregado familiar. Em relação aos fatores sociodemográficos, como sexo, faixa etária, situação profissional, escolaridade, freguesias e histórico de viagens, não foram encontradas associações estatisticamente significativas. No que diz respeito ao histórico de doenças crónicas da população migrante, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os doentes crónicos e os não doentes, embora a população que se referiu não ser doente crónico tenha apresentado uma seroprevalência maior em relação aos doentes crónicos. Em relação ao histórico de COVID-19, para os migrantes, houve uma associação estatisticamente significativa entre teste serológico positivo e ter realizado um teste PCR anterior ((odds ratio 3,43 (IC 95%: 1,39 – 8,71), valor de p <0,005 ) e ter relatado um teste PCR anterior positivo ((odds ratio 24,46 (IC 95%: 0,60 – 988,64), valor p <0,002). Em relação aos sintomas da COVID-19, a seroprevalência foi maior entre os participantes que reportaram ter tido febre, calafrios, dor no peito, cefaleia, dor abdominal, anosmia (perda do olfato) e ageusia (perda do paladar). Para os sintomas anosmia (perda do olfato) e ageusia (perda do paladar) houve associação estatisticamente significativa com testes serológicos positivos (odds ratio 4,40 (IC 95%: 0,62 – 16,69), p-valor <0,05) e (odds ratio 9,65 (IC 95%: 2,01 – 32,81), valor p <0,001), respetivamente. Cerca de 57,14% (IC 95%: 36,55 – 75,53%) da população migrante reportou não ter apresentado nenhum sintoma sugestivo de infeção por COVID-19. Com base na relação entre os sintomas reportados e a reatividade dos testes serológicos, os sintomas cefaleia, febre, ageusia (perda do paladar), tosse e congestão nasal foram os de maior sensibilidade. Em relação às implicações relacionadas com a COVID-19, na população migrante, a seroprevalência foi maior entre os participantes que não procuraram atendimento médico 5,17% (IC 95%: 2,39 – 10,83%) em comparação com os que procuraram. Em relação aos internamentos ou cuidados intensivos por implicações da COVID-19, não foi possível avaliar a seroprevalência devido ao pequeno tamanho da amostra. Na população migrante, a seroprevalência entre aqueles que faltaram ao trabalho ou à escola foi estatisticamente significativa sendo que aqueles que não faltaram ao trabalho ou à escola, apresentado uma maior seroprevalência na população que faltou ao trabalho ou à escola, (associação estatisticamente significativa, odds ratio 3,91 (IC 95%: 0,83 – 12,81), valor p <0,05). Desde que a OMS declarou a COVID-19 como uma pandemia, os governos por todo o mundo impuseram limitações à mobilidade das suas populações, limitando a mobilidade das pessoas durante pelo menos 3 meses, começando no final do mês de Fevereiro até início do mês de Maio de 2020, causando consequências não apenas do ponto de vista da saúde física, mas também psicossocial da população. Contudo, as medidas de controle do COVID-19 podem não ter sido muito eficientes, devido a diversos fatores, tais como a transmissão de indivíduos assintomáticos. A aquisição de medidas de proteção individuais e coletivas são preponderantes para minimizar o impacto da doença na saúde pública global, contendo a propagação da doença COVID-19. Os inquéritos serológicos são abordagens importantes para identificar casos de infeção por SARS-CoV-2 não detetados anteriormente e para entender a duração dos anticorpos para SARS-CoV-2. Além disso, quando combinado com dados sociodemográficos e clínicos, permite compreender padrões de infeção por SARS-CoV-2 em diferentes grupos. Dada a grande quantidade de dados recolhidos em Cascais, este inquérito é um importante exemplo de uma iniciativa de um município que gerou uma grande quantidade de dados científicos que podem ser utilizados para orientar futuras medidas de prevenção

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