Publicação
Desafios Éticos da Medicina de Precisão Aplicados à Oncologia – Revisão Sistemática
| Resumo: | Introdução: A medicina de precisão, também conhecida como medicina personalizada é uma área em constante evolução que tem impactado positivamente a abordagem dos doentes nas mais diversas áreas da medicina, incluindo a oncologia. Ao integrar as caraterísticas individuais de cada doente, incluindo fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida, a medicina de precisão permite melhorar a rapidez e eficácia, não só dos diagnósticos, mas também dos tratamentos. Esta abordagem holística do doente contribui para a humanização da medicina, tendo o potencial de aumentar os outcomes em saúde. De referir, ainda, o crescente papel da medicina de precisão no que diz respeito à área da prevenção. No entanto, com o desenvolvimento da medicina de precisão várias questões éticas se levantam, nomeadamente, ao nível da privacidade e confidencialidade dos dados genéticos dos doentes, do consentimento informado, da autonomia e da equidade no acesso a esta prática. Objetivo: Abordar os desafios éticos da medicina de precisão na área da oncologia. Metodologia: Foi realizada uma revisão sistemática com pesquisa nas bases de dados PubMed e Science Direct de modo a encontrar artigos que respondessem à pergunta investigadora. Esta pesquisa abrangeu todos os artigos publicados entre 2013 e 2023. Todos os títulos e abstracts encontrados foram sistematicamente avaliados. Nesta pesquisa foram incluídos artigos com dados originais escritos em inglês, português e espanhol. Para a seleção dos estudos recorreu-se ao diagrama PRISMA. Os estudos considerados pertinentes foram lidos na íntegra e, posteriormente, confrontados com os critérios de inclusão e exclusão. Para cada estudo foi realizada uma tabela para extração de dados. Foram utilizados os critérios de Hawker et al para avaliar a qualidade dos estudos incluídos. Procedeu-se, ainda, à submissão na base de registo de protocolos e revisões sistemáticas PROSPERO (CRD42023477191). Resultados: O total de 18 estudos foram incluídos nesta revisão sistemática, tendo em conta o cumprimento dos critérios de inclusão definidos. Existe heterogeneidade quanto às datas de publicação dos estudos, bem como à origem qualitativa dos mesmos. A maioria dos artigos provém da América (n=11), mais propriamente da América do Norte (n=10) perfazendo mais de 50% dos estudos incluídos nesta revisão sistemática. O princípio da autonomia é o mais abordado (94,4%), seguido do consentimento informado (88,9%) e da privacidade (88,9%), justiça (77,8%), beneficência (61,1%), confidencialidade (38,9%), segurança (11,1%) e, por último, da equidade (5,6%) e não maleficência (5,6%). Os outcomes foram consensuais entre a maioria dos estudos analisados. Conclusão: Os resultados presentes nesta revisão sistemática foram obtidos através de uma adequada estratégia de pesquisa, seleção de artigos e extração de dados. Foi verificada existência de heterogeneidade ao nível dos desafios éticos encontrados, sendo a autonomia o princípio bioético mais abordado, seguindo-se a temática do consentimento informado e privacidade, justiça, beneficência, confidencialidade, segurança, equidade e não maleficência, respetivamente. A crescente preocupação com a autonomia reflete a importância de respeitar a capacidade de escolha dos pacientes no que concerne à medicina de precisão, destacando a imprescindibilidade de uma comunicação transparente e eficaz. A relevância atribuída ao consentimento informado e à privacidade traduz a crucialidade de garantir a proteção dos dados genéticos. Foi, igualmente, possível verificar que com vista a alcançar um julgamento ou ação moral coerente, é necessário recorrer a uma sólida fundamentação teórica juntamente com um profundo conhecimento sobre os princípios éticos, nomeadamente, a autonomia, beneficência, não maleficência e justiça. Apesar dos avanços notáveis na medicina de precisão, especialmente na oncologia, o futuro é incerto. O desafio crucial reside na capacitação de profissionais de saúde especializados, aptos a esclarecer os pacientes e gerir o progresso científico. Recomenda-se o aumento do conhecimento nesta área por meio de estudos que abordem os numerosos desafios éticos identificados. |
|---|---|
| Autores principais: | Gonçalves, Catarina Gomes |
| Assunto: | Ética Medicina de Precisão Oncologia |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade da Beira Interior |
| Idioma: | português |
| Origem: | uBibliorum |
| Resumo: | Introdução: A medicina de precisão, também conhecida como medicina personalizada é uma área em constante evolução que tem impactado positivamente a abordagem dos doentes nas mais diversas áreas da medicina, incluindo a oncologia. Ao integrar as caraterísticas individuais de cada doente, incluindo fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida, a medicina de precisão permite melhorar a rapidez e eficácia, não só dos diagnósticos, mas também dos tratamentos. Esta abordagem holística do doente contribui para a humanização da medicina, tendo o potencial de aumentar os outcomes em saúde. De referir, ainda, o crescente papel da medicina de precisão no que diz respeito à área da prevenção. No entanto, com o desenvolvimento da medicina de precisão várias questões éticas se levantam, nomeadamente, ao nível da privacidade e confidencialidade dos dados genéticos dos doentes, do consentimento informado, da autonomia e da equidade no acesso a esta prática. Objetivo: Abordar os desafios éticos da medicina de precisão na área da oncologia. Metodologia: Foi realizada uma revisão sistemática com pesquisa nas bases de dados PubMed e Science Direct de modo a encontrar artigos que respondessem à pergunta investigadora. Esta pesquisa abrangeu todos os artigos publicados entre 2013 e 2023. Todos os títulos e abstracts encontrados foram sistematicamente avaliados. Nesta pesquisa foram incluídos artigos com dados originais escritos em inglês, português e espanhol. Para a seleção dos estudos recorreu-se ao diagrama PRISMA. Os estudos considerados pertinentes foram lidos na íntegra e, posteriormente, confrontados com os critérios de inclusão e exclusão. Para cada estudo foi realizada uma tabela para extração de dados. Foram utilizados os critérios de Hawker et al para avaliar a qualidade dos estudos incluídos. Procedeu-se, ainda, à submissão na base de registo de protocolos e revisões sistemáticas PROSPERO (CRD42023477191). Resultados: O total de 18 estudos foram incluídos nesta revisão sistemática, tendo em conta o cumprimento dos critérios de inclusão definidos. Existe heterogeneidade quanto às datas de publicação dos estudos, bem como à origem qualitativa dos mesmos. A maioria dos artigos provém da América (n=11), mais propriamente da América do Norte (n=10) perfazendo mais de 50% dos estudos incluídos nesta revisão sistemática. O princípio da autonomia é o mais abordado (94,4%), seguido do consentimento informado (88,9%) e da privacidade (88,9%), justiça (77,8%), beneficência (61,1%), confidencialidade (38,9%), segurança (11,1%) e, por último, da equidade (5,6%) e não maleficência (5,6%). Os outcomes foram consensuais entre a maioria dos estudos analisados. Conclusão: Os resultados presentes nesta revisão sistemática foram obtidos através de uma adequada estratégia de pesquisa, seleção de artigos e extração de dados. Foi verificada existência de heterogeneidade ao nível dos desafios éticos encontrados, sendo a autonomia o princípio bioético mais abordado, seguindo-se a temática do consentimento informado e privacidade, justiça, beneficência, confidencialidade, segurança, equidade e não maleficência, respetivamente. A crescente preocupação com a autonomia reflete a importância de respeitar a capacidade de escolha dos pacientes no que concerne à medicina de precisão, destacando a imprescindibilidade de uma comunicação transparente e eficaz. A relevância atribuída ao consentimento informado e à privacidade traduz a crucialidade de garantir a proteção dos dados genéticos. Foi, igualmente, possível verificar que com vista a alcançar um julgamento ou ação moral coerente, é necessário recorrer a uma sólida fundamentação teórica juntamente com um profundo conhecimento sobre os princípios éticos, nomeadamente, a autonomia, beneficência, não maleficência e justiça. Apesar dos avanços notáveis na medicina de precisão, especialmente na oncologia, o futuro é incerto. O desafio crucial reside na capacitação de profissionais de saúde especializados, aptos a esclarecer os pacientes e gerir o progresso científico. Recomenda-se o aumento do conhecimento nesta área por meio de estudos que abordem os numerosos desafios éticos identificados. |
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