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Comparison of discrete and continuum community models : insights from numerical ecology and Bayesian methods applied to Azorean plant communities

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Resumo:A nossa visão da ecologia de comunidades tem evoluído ao longo do tempo, partindo de duas visões extremas das comunidades vegetais, uma em que foram consideradas como associações de espécies, conduzidas por coincidências aleatórias, e outra em que foram consideradas como organismos complexos com claras interdependências. A abordagem fitossociológica está principalmente ligada à última abordagem, incluindo o desenvolvimento da sintaxonomia. Mais recentemente, as comunidades biológicas tendem a ser vistas como um conjunto de comunidades locais ligadas através da dispersão de múltiplas espécies que, potencialmente, interagem entre si (i.e., uma metacomunidade). Este conceito de metacomunidade, tem sido usado para explicar dinâmicas espácio-temporais. Têm sido propostos diversos modelos para explicar os padrões de distribuição das espécies e comunidades ao longo de gradientes ambientais, que incluem desde tipos de comunidade individuais e discretas, até um continuum de comunidades vegetais. A vegetação natural dos Açores é um bom modelo de estudo para testar essas hipóteses, pois tem sido descrita em detalhe por diversos autores, possibilitando a abordagem de questões teóricas, no âmbito dos conceitos ligados às metacomunidades. O presente estudo avaliou se os dados relativos às comunidades vegetais naturais do arquipélago dos Açores apoiam a existência de "tipos de comunidades discretas" ou um "continuum de comunidades", através da aplicação de métodos na área da ecologia numérica e de análises bayesianas. Foram usados métodos de aglomeração hierárquica (distância de Hellinger e UPGMA) e não-hierárquica (kmeans cluster), bem como um modelo multinomial num contexto bayesiano para determinar o número de grupos de comunidades vegetais. Foram amostradas um total de 139 comunidades vegetais e 85 espécies em cinco ilhas. O número ótimo de grupos de comunidades vegetais variou entre 4 e 6 para os métodos de aglomeração hierárquicos, aproximou-se de 43 para os métodos de aglomeração não hierárquicos, e foi de cerca de 70 para a análise multinomial. As curvas de distribuição em função da altitude, estimadas para as espécies de plantas vasculares, sugerem que a respetiva distribuição é determinada pelos limites fisiológicos nos extremos e pela competição em condições intermédias, mas com uma possível partição de nichos entre as espécies dominantes. Os nossos resultados estão mais de acordo com uma visão ecológica das comunidades ao longo de um continuum, do que com a existência de tipos de comunidades discretas. A compreensão destes padrões é essencial na gestão sustentável da vegetação, especialmente neste laboratório natural único, os Açores.
Autores principais:Pavão, Diogo Cláudio
Assunto:Análise Multivariada Ecologia Numérica Metacomunidade Método Bayesiano Vegetação Natural Açores Bayesian Methods Community Models Metacommunities Natural Vegetation Numerical Ecology Azores
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade dos Açores
Idioma:inglês
Origem:Repositório da Universidade dos Açores
Descrição
Resumo:A nossa visão da ecologia de comunidades tem evoluído ao longo do tempo, partindo de duas visões extremas das comunidades vegetais, uma em que foram consideradas como associações de espécies, conduzidas por coincidências aleatórias, e outra em que foram consideradas como organismos complexos com claras interdependências. A abordagem fitossociológica está principalmente ligada à última abordagem, incluindo o desenvolvimento da sintaxonomia. Mais recentemente, as comunidades biológicas tendem a ser vistas como um conjunto de comunidades locais ligadas através da dispersão de múltiplas espécies que, potencialmente, interagem entre si (i.e., uma metacomunidade). Este conceito de metacomunidade, tem sido usado para explicar dinâmicas espácio-temporais. Têm sido propostos diversos modelos para explicar os padrões de distribuição das espécies e comunidades ao longo de gradientes ambientais, que incluem desde tipos de comunidade individuais e discretas, até um continuum de comunidades vegetais. A vegetação natural dos Açores é um bom modelo de estudo para testar essas hipóteses, pois tem sido descrita em detalhe por diversos autores, possibilitando a abordagem de questões teóricas, no âmbito dos conceitos ligados às metacomunidades. O presente estudo avaliou se os dados relativos às comunidades vegetais naturais do arquipélago dos Açores apoiam a existência de "tipos de comunidades discretas" ou um "continuum de comunidades", através da aplicação de métodos na área da ecologia numérica e de análises bayesianas. Foram usados métodos de aglomeração hierárquica (distância de Hellinger e UPGMA) e não-hierárquica (kmeans cluster), bem como um modelo multinomial num contexto bayesiano para determinar o número de grupos de comunidades vegetais. Foram amostradas um total de 139 comunidades vegetais e 85 espécies em cinco ilhas. O número ótimo de grupos de comunidades vegetais variou entre 4 e 6 para os métodos de aglomeração hierárquicos, aproximou-se de 43 para os métodos de aglomeração não hierárquicos, e foi de cerca de 70 para a análise multinomial. As curvas de distribuição em função da altitude, estimadas para as espécies de plantas vasculares, sugerem que a respetiva distribuição é determinada pelos limites fisiológicos nos extremos e pela competição em condições intermédias, mas com uma possível partição de nichos entre as espécies dominantes. Os nossos resultados estão mais de acordo com uma visão ecológica das comunidades ao longo de um continuum, do que com a existência de tipos de comunidades discretas. A compreensão destes padrões é essencial na gestão sustentável da vegetação, especialmente neste laboratório natural único, os Açores.

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