Publicação
Teatro amador e intervenção cultural no Torrão (1944–1982): a obra de Vicente Rodrigues entre ditadura e democracia
| Resumo: | Este artigo analisa a obra de Vicente Rodrigues e a prática do teatro amador no Torrão (1944–1982), no contexto da transição entre ditadura e democracia em Portugal. A partir do espólio do autor — programas, textos originais e correspondência —, reconstitui-se a dinâmica cultural da freguesia, caracterizada pela apresentação anual de espetáculos bipartidos, que combinavam repertório erudito com “divertimentos musicais” de autoria local. A análise evidencia três momentos distintos: uma primeira fase de aprendizagem (1941–1944), uma fase de consolidação (1944–1973), marcada por dramas sociais e familiares, e uma fase final (1973–1982), em que emergem textos politicamente mais explícitos, aproveitando o enfraquecimento e, posteriormente, a extinção da censura. O estudo demonstra como Vicente Rodrigues, através do riso, da paronomásia e da crítica camuflada, conseguiu introduzir discursos de resistência, enquanto mobilizou repertório consagrado, como Garcia Lorca ou Bernardo Santareno. À luz dos conceitos de Bourdieu sobre capital cultural e de Bakhtin sobre o riso, conclui-se que o teatro de Rodrigues contribuiu para ampliar os capitais culturais e sociais da comunidade torranense, reforçando a sua consciência coletiva e o papel do teatro amador enquanto prática de intervenção cultural. |
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| Autores principais: | Rodrigues Diogo, Sara |
| Assunto: | Dossiê temático |
| Ano: | 2026 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em colaboração com a Associação Portuguesa de Críticos de Teatro (APCT). |
| Idioma: | português |
| Origem: | Revista Sinais de Cena |
| Resumo: | Este artigo analisa a obra de Vicente Rodrigues e a prática do teatro amador no Torrão (1944–1982), no contexto da transição entre ditadura e democracia em Portugal. A partir do espólio do autor — programas, textos originais e correspondência —, reconstitui-se a dinâmica cultural da freguesia, caracterizada pela apresentação anual de espetáculos bipartidos, que combinavam repertório erudito com “divertimentos musicais” de autoria local. A análise evidencia três momentos distintos: uma primeira fase de aprendizagem (1941–1944), uma fase de consolidação (1944–1973), marcada por dramas sociais e familiares, e uma fase final (1973–1982), em que emergem textos politicamente mais explícitos, aproveitando o enfraquecimento e, posteriormente, a extinção da censura. O estudo demonstra como Vicente Rodrigues, através do riso, da paronomásia e da crítica camuflada, conseguiu introduzir discursos de resistência, enquanto mobilizou repertório consagrado, como Garcia Lorca ou Bernardo Santareno. À luz dos conceitos de Bourdieu sobre capital cultural e de Bakhtin sobre o riso, conclui-se que o teatro de Rodrigues contribuiu para ampliar os capitais culturais e sociais da comunidade torranense, reforçando a sua consciência coletiva e o papel do teatro amador enquanto prática de intervenção cultural. |
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