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Lymphocyte subpopulations and cytokine expression in uveitis

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Resumo:As subpopulações linfocitárias, e em particular as células T reguladoras (Tregs), têm sido alvo de intensa investigação nos últimos anos. As Tregs são células reconhecidas pelo seu papel imunorregulador e responsáveis pela expressão de citocinas anti-inflamatórias como, por exemplo, a IL-10 e o TGF-β. A redução de níveis circulantes de Tregs tem sido associada a várias doenças auto imunes, particularmente em casos de doença activa. No caso da uveíte não-infecciosa (NIU), os resultados têm sido contraditórios, sendo necessários estudos adicionais para que se possa entender o papel definitivo da frequência e função das subpopulações de células Tregs na sua patogénese. O presente estudo tem como objectivo analisar as subpopulações linfocitárias, em especial a subpopulação Treg, bem como os perfis de citocinas inflamatórias e anti-inflamatórias circulantes de doentes com NIU activa, comparando-os com os de controlos normais. Há ainda a realçar a análise adicional de um subgrupo de doentes com NIU após tratamento e resolução da uveíte. Em doentes com uveíte infecciosa (IU) foram ainda analisadas amostras de humor aquoso (HAq), tendo em vista a caracterização de um perfil de citocinas. Em doentes com NIU activa não foram encontradas diferenças significativas nos níveis periféricos de Tregs (incluindo naïve e de memória) relativamente aos controlos. Em doentes avaliados ao longo do tempo, os nossos resultados mostraram um aumento das percentagens de Tregs totais e de memória, numa primeira avaliação, mas novamente sem diferença relativamente aos controlos após o tratamento. Ainda assim é interessante observar que este aumento inicial nas percentagens de Tregs totais e de memória não foi acompanhado de um aumento significativo na expressão de CD39, o que pode significar a perda da normal função supressora destas células. Relativamente aos níveis séricos de citocinas em doentes com NIU e controlos, os nossos resultados mostraram uma tendência para elevação da IL-17 no grupo com uveíte, bem como correlações positivas entre o ratio de citocinas inflamatórias (TNF-α + IFN-ɣ + IL-17) /anti-inflamatórias (IL-10 + TGF-β) e o ratio IL-17/IL-10 com as contagens absolutas de Tregs de memória. Para além disso, níveis séricos mais elevados de IL-17 mostraram uma associação com concentrações mais elevadas de Tregs naïve e de memória e ainda com níveis séricos mais elevados de TNF-α e de IFN-ɣ.Após tratamento, houve uma diminuição significativa nos níveis circulantes de IL-17 e de TNF-α no grupo de doentes com NIU em remissão, bem como uma redução significativa, entre avaliações, no ratio de citocinas inflamatórias/anti-inflamatórias. Por fim, no grupo de doentes com IU, os nossos resultados mostraram um aumento das concentrações de IL-10, TNF-α e IFN-ɣ no humor aquoso de doentes com infecção intraocular comprovada por vírus varicella zoster (VVZ). Já no sangue periférico, não se encontraram diferenças significativas entre perfis de citocinas de doentes e controlos saudáveis. Os nossos resultados não apoiam a utilização isolada da frequência periférica total de Tregs como um biomarcador de uveíte activa. Pensamos que este estudo é pioneiro na avaliação de subpopulações Treg naïve e de memória, e sua respectiva expressão CD39, no sangue periférico de doentes com NIU. No entanto, são necessários mais estudos para que o papel individual de cada uma destas subpopulações Treg na patogénese e eventual tratamento da NIU possa ser esclarecido. Relativamente aos perfis de citocinas em doentes com uveíte de causa infecciosa e não-infecciosa, este trabalho de investigação permite sublinhar a importância da citocina IL-17 na NIU activa e uma eventual associação entre níveis intraoculares elevados de IL-10 e a uveíte associada a infecção por VVZ. Estes resultados podem vir a contribuir para a identificação de biomarcadores de inflamação intraocular activa e na investigação de novos alvos terapêuticos.
Autores principais:Guedes, Marta Catarina Esteves
Assunto:Uveíte não-infecciosa Uveíte infecciosa Interleucina-10 Interleucina-17 Células T reguladoras. Non-infectious uveitis Infectious uveitis Interleukin-10 Interleukin-17 Regulatory T cells
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:As subpopulações linfocitárias, e em particular as células T reguladoras (Tregs), têm sido alvo de intensa investigação nos últimos anos. As Tregs são células reconhecidas pelo seu papel imunorregulador e responsáveis pela expressão de citocinas anti-inflamatórias como, por exemplo, a IL-10 e o TGF-β. A redução de níveis circulantes de Tregs tem sido associada a várias doenças auto imunes, particularmente em casos de doença activa. No caso da uveíte não-infecciosa (NIU), os resultados têm sido contraditórios, sendo necessários estudos adicionais para que se possa entender o papel definitivo da frequência e função das subpopulações de células Tregs na sua patogénese. O presente estudo tem como objectivo analisar as subpopulações linfocitárias, em especial a subpopulação Treg, bem como os perfis de citocinas inflamatórias e anti-inflamatórias circulantes de doentes com NIU activa, comparando-os com os de controlos normais. Há ainda a realçar a análise adicional de um subgrupo de doentes com NIU após tratamento e resolução da uveíte. Em doentes com uveíte infecciosa (IU) foram ainda analisadas amostras de humor aquoso (HAq), tendo em vista a caracterização de um perfil de citocinas. Em doentes com NIU activa não foram encontradas diferenças significativas nos níveis periféricos de Tregs (incluindo naïve e de memória) relativamente aos controlos. Em doentes avaliados ao longo do tempo, os nossos resultados mostraram um aumento das percentagens de Tregs totais e de memória, numa primeira avaliação, mas novamente sem diferença relativamente aos controlos após o tratamento. Ainda assim é interessante observar que este aumento inicial nas percentagens de Tregs totais e de memória não foi acompanhado de um aumento significativo na expressão de CD39, o que pode significar a perda da normal função supressora destas células. Relativamente aos níveis séricos de citocinas em doentes com NIU e controlos, os nossos resultados mostraram uma tendência para elevação da IL-17 no grupo com uveíte, bem como correlações positivas entre o ratio de citocinas inflamatórias (TNF-α + IFN-ɣ + IL-17) /anti-inflamatórias (IL-10 + TGF-β) e o ratio IL-17/IL-10 com as contagens absolutas de Tregs de memória. Para além disso, níveis séricos mais elevados de IL-17 mostraram uma associação com concentrações mais elevadas de Tregs naïve e de memória e ainda com níveis séricos mais elevados de TNF-α e de IFN-ɣ.Após tratamento, houve uma diminuição significativa nos níveis circulantes de IL-17 e de TNF-α no grupo de doentes com NIU em remissão, bem como uma redução significativa, entre avaliações, no ratio de citocinas inflamatórias/anti-inflamatórias. Por fim, no grupo de doentes com IU, os nossos resultados mostraram um aumento das concentrações de IL-10, TNF-α e IFN-ɣ no humor aquoso de doentes com infecção intraocular comprovada por vírus varicella zoster (VVZ). Já no sangue periférico, não se encontraram diferenças significativas entre perfis de citocinas de doentes e controlos saudáveis. Os nossos resultados não apoiam a utilização isolada da frequência periférica total de Tregs como um biomarcador de uveíte activa. Pensamos que este estudo é pioneiro na avaliação de subpopulações Treg naïve e de memória, e sua respectiva expressão CD39, no sangue periférico de doentes com NIU. No entanto, são necessários mais estudos para que o papel individual de cada uma destas subpopulações Treg na patogénese e eventual tratamento da NIU possa ser esclarecido. Relativamente aos perfis de citocinas em doentes com uveíte de causa infecciosa e não-infecciosa, este trabalho de investigação permite sublinhar a importância da citocina IL-17 na NIU activa e uma eventual associação entre níveis intraoculares elevados de IL-10 e a uveíte associada a infecção por VVZ. Estes resultados podem vir a contribuir para a identificação de biomarcadores de inflamação intraocular activa e na investigação de novos alvos terapêuticos.

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