Publicação

Infeções submicroscópicas por Plasmodium: Importantes para a perpetuação da malária na Guiné-Bissau

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:A malária tem moldado o genoma humano há milhares de anos e continua a representar um desafio significativo para a saúde pública, sobretudo na África Subsariana. O desenvolvimento de imunidade parasitária e clínica na população das áreas endémicas propicia o aparecimento de infeções submicroscópicas e assintomáticas por Plasmodium, as quais favorecem a transmissão em regiões endémicas. Esta tese teve como objetivo geral estimar a carga das infeções submicroscópicas por P. falciparum na transmissão da malária na Guiné-Bissau. A partir da análise de um conjunto de 601 amostras de sangue seco em papel filtro, 98 oriundas de indivíduos positivos à microscopia óptica e 503 de indivíduos negativos, a frequência, distribuição étnico-geográfica e morbilidade das infeções submicroscópicas foram estimadas, assim como os fatores independentes associados a elas. Separadamente, foi avaliada a contribuição de fatores do hospedeiro e do parasita, tais como o traço falciforme e a deleções dos genes pfhrp2 e pfhrp3 no desenvolvimento de infeções submicroscópicas. Finalmente, a diversidade genética de parasitas oriundos de infeções submicroscópicas vs microscópicas e de hospedeiros com traço falciforme vs sem traço falciforme foi avaliada através da análise de regiões genómicas microssatélites. Infeções submicroscópicas por P. falciparum foram detetadas em 20.3% da amostra e em 21.4% das grávidas, ambas com microscopia negativa. Estas infeções apresentaram associação significativa com grupos étnicos. O traço falciforme foi identificado em 32.0% da amostra, maioritariamente das regiões insulares e seus grupos étnicos. Os portadores de traço falciforme até os 24 anos de idade apresentaram maior prevalência e risco de infeção microscópica por P. falciparum do que não-portadores. Portadores menores de cinco anos de idade infetados com P. falciparum apresentaram menor parasitemia e maiores níveis de hemoglobina do que não-portadores. Os resultados evidenciam a necessidade de métodos de diagnósticos mais sensíveis e estratégias direcionadas para a vigilância da malária em contextos de pré-eliminação. O papel do traço falciforme destaca-se como relevante para intervenções ao nível do hospedeiro. São necessários mais estudos sobre a frequência e relevância das deleções nos genes pfhrp2/pfhrp3 nos parasitas da Guiné-Bissau, assim como sobre a diversidade genética parasitária e estrutura populacional dos parasitas das infeções submicroscópicas. A integração de infeções submicroscópicas aos dados nacionais é crucial para reavaliar a epidemiologia da malária e orientar estratégias para interromper a transmissão residual.
Autores principais:SILVA, Ronise Eneide Almeida Silva Gomes da
Assunto:Doenças Tropicais Saúde pública Saúde global
Ano:2026
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:A malária tem moldado o genoma humano há milhares de anos e continua a representar um desafio significativo para a saúde pública, sobretudo na África Subsariana. O desenvolvimento de imunidade parasitária e clínica na população das áreas endémicas propicia o aparecimento de infeções submicroscópicas e assintomáticas por Plasmodium, as quais favorecem a transmissão em regiões endémicas. Esta tese teve como objetivo geral estimar a carga das infeções submicroscópicas por P. falciparum na transmissão da malária na Guiné-Bissau. A partir da análise de um conjunto de 601 amostras de sangue seco em papel filtro, 98 oriundas de indivíduos positivos à microscopia óptica e 503 de indivíduos negativos, a frequência, distribuição étnico-geográfica e morbilidade das infeções submicroscópicas foram estimadas, assim como os fatores independentes associados a elas. Separadamente, foi avaliada a contribuição de fatores do hospedeiro e do parasita, tais como o traço falciforme e a deleções dos genes pfhrp2 e pfhrp3 no desenvolvimento de infeções submicroscópicas. Finalmente, a diversidade genética de parasitas oriundos de infeções submicroscópicas vs microscópicas e de hospedeiros com traço falciforme vs sem traço falciforme foi avaliada através da análise de regiões genómicas microssatélites. Infeções submicroscópicas por P. falciparum foram detetadas em 20.3% da amostra e em 21.4% das grávidas, ambas com microscopia negativa. Estas infeções apresentaram associação significativa com grupos étnicos. O traço falciforme foi identificado em 32.0% da amostra, maioritariamente das regiões insulares e seus grupos étnicos. Os portadores de traço falciforme até os 24 anos de idade apresentaram maior prevalência e risco de infeção microscópica por P. falciparum do que não-portadores. Portadores menores de cinco anos de idade infetados com P. falciparum apresentaram menor parasitemia e maiores níveis de hemoglobina do que não-portadores. Os resultados evidenciam a necessidade de métodos de diagnósticos mais sensíveis e estratégias direcionadas para a vigilância da malária em contextos de pré-eliminação. O papel do traço falciforme destaca-se como relevante para intervenções ao nível do hospedeiro. São necessários mais estudos sobre a frequência e relevância das deleções nos genes pfhrp2/pfhrp3 nos parasitas da Guiné-Bissau, assim como sobre a diversidade genética parasitária e estrutura populacional dos parasitas das infeções submicroscópicas. A integração de infeções submicroscópicas aos dados nacionais é crucial para reavaliar a epidemiologia da malária e orientar estratégias para interromper a transmissão residual.

Atividades financiadas

Não foram encontrados projetos financiados.