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Wolbachia infection in european populations of Aedes a albopictus

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Resumo:Microrganismos surgiram no planeta Terra há cerca de 3.5 mil milhões de anos e espalharam-se pela Terra, estando presentes no solo, na água e em organismos vivos. Aos microrganismos presentes em organismos vivos dá-se o nome de microbiota. A microbiota dos artrópodes é diversa e uma das bactérias mais abundantes em artrópodes chama-se Wolbachia. Esta bactéria é um endosimbionte e infeta naturalmente vários insetos, nomeadamente, o mosquito Aedes albopictus. Este mosquito é um vetor de agentes patogénicos e tem-se expandido rapidamente pelo planeta, o que o torna uma ameaça à saúde pública. Assim, é necessário existirem programas de controlo deste vetor. Atualmente, a forma mais comum de combate à disseminação de vetores é o uso de inseticidas químicos, porém, a resistência a estes compostos está a surgir e a disseminar-se nas populações de mosquitos. Deste modo, os cientistas têm-se concentrado na procura de novas formas de controlo como o controlo biológico. Neste contexto, vários investigadores estão a testar Wolbachia como ferramenta de controlo, uma vez que Wolbachia possui a vantagem de ser um agente causador de incompatibilidade citoplasmática (CI). Assim, é importante compreender o padrão de infeção por Wolbachia em populações naturais de Aedes albopictus, que grupos e estirpes infetam estes insetos e como é que estas bactérias interagem com o seu hospedeiro. Atendendo a estes factos e à aparente inexistência de um amplo estudo sobre a distribuição da infeção por Wolbachia em populações de Aedes albopictus na Europa, os objetivos principais deste estudo são avaliar o tipo e o nível de infeção por Wolbachia em populações europeias de Aedes albopictus e descrever a sua estrutura populacional e distribuição na Europa. Para atingir os objetivos, foi extraído DNA para se proceder ao PCR Multiplex com o objetivo de detetar se os mosquitos estavam infetados e com que grupo de Wolbachia. Em seguida, uma árvore filogenética foi construída e análises bioinformáticas foram realizadas com o objetivo de confirmar a circulação das estirpes circulantes de Wolbachia nas populações de Aedes albopictus. Este estudo detetou que 99.5% dos mosquitos estavam infetados com Wolbachia. A maioria dos mosquitos estava duplamente infetada com wAlbA e wAlbB. Apenas 8.8% dos mosquitos estavam infetados somente com wAlbA ou com wAlbB. Outro aspeto detetado nesta investigação foi que, comparando com machos e larvas, as fêmeas apresentam uma taxa significativamente maior de infeções duplas (K= 28.5; p <0,0001). Por outro lado, não houve diferenças significativas entre países ou regiões europeias, mostrando que existe uma distribuição uniforme deste tipo de infeção por Wolbachia na Europa. Este estudo pode ser importante para o desenvolvimento e implementação de novas estratégias de controlo de vetores pelas autoridades de saúde nacionais e europeias. No entanto, novos estudos são necessários para aprofundar o conhecimento sobre a interação da Wolbachia com o hospedeiro e compreender melhor como ela evolui e interfere na dinâmica populacional dos mosquitos.
Autores principais:BELO, Francisco Jorge Cardoso Vasconcelos Torres
Assunto:Ciências biomédicas Biologia molecular Aedes albopictus Incompatibilidade citoplasmática Infeção dupla Wolbachia
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Microrganismos surgiram no planeta Terra há cerca de 3.5 mil milhões de anos e espalharam-se pela Terra, estando presentes no solo, na água e em organismos vivos. Aos microrganismos presentes em organismos vivos dá-se o nome de microbiota. A microbiota dos artrópodes é diversa e uma das bactérias mais abundantes em artrópodes chama-se Wolbachia. Esta bactéria é um endosimbionte e infeta naturalmente vários insetos, nomeadamente, o mosquito Aedes albopictus. Este mosquito é um vetor de agentes patogénicos e tem-se expandido rapidamente pelo planeta, o que o torna uma ameaça à saúde pública. Assim, é necessário existirem programas de controlo deste vetor. Atualmente, a forma mais comum de combate à disseminação de vetores é o uso de inseticidas químicos, porém, a resistência a estes compostos está a surgir e a disseminar-se nas populações de mosquitos. Deste modo, os cientistas têm-se concentrado na procura de novas formas de controlo como o controlo biológico. Neste contexto, vários investigadores estão a testar Wolbachia como ferramenta de controlo, uma vez que Wolbachia possui a vantagem de ser um agente causador de incompatibilidade citoplasmática (CI). Assim, é importante compreender o padrão de infeção por Wolbachia em populações naturais de Aedes albopictus, que grupos e estirpes infetam estes insetos e como é que estas bactérias interagem com o seu hospedeiro. Atendendo a estes factos e à aparente inexistência de um amplo estudo sobre a distribuição da infeção por Wolbachia em populações de Aedes albopictus na Europa, os objetivos principais deste estudo são avaliar o tipo e o nível de infeção por Wolbachia em populações europeias de Aedes albopictus e descrever a sua estrutura populacional e distribuição na Europa. Para atingir os objetivos, foi extraído DNA para se proceder ao PCR Multiplex com o objetivo de detetar se os mosquitos estavam infetados e com que grupo de Wolbachia. Em seguida, uma árvore filogenética foi construída e análises bioinformáticas foram realizadas com o objetivo de confirmar a circulação das estirpes circulantes de Wolbachia nas populações de Aedes albopictus. Este estudo detetou que 99.5% dos mosquitos estavam infetados com Wolbachia. A maioria dos mosquitos estava duplamente infetada com wAlbA e wAlbB. Apenas 8.8% dos mosquitos estavam infetados somente com wAlbA ou com wAlbB. Outro aspeto detetado nesta investigação foi que, comparando com machos e larvas, as fêmeas apresentam uma taxa significativamente maior de infeções duplas (K= 28.5; p <0,0001). Por outro lado, não houve diferenças significativas entre países ou regiões europeias, mostrando que existe uma distribuição uniforme deste tipo de infeção por Wolbachia na Europa. Este estudo pode ser importante para o desenvolvimento e implementação de novas estratégias de controlo de vetores pelas autoridades de saúde nacionais e europeias. No entanto, novos estudos são necessários para aprofundar o conhecimento sobre a interação da Wolbachia com o hospedeiro e compreender melhor como ela evolui e interfere na dinâmica populacional dos mosquitos.

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