Publicação
Nevasca: registo, logo existo. Imagem, memória e sonho
| Resumo: | Desde os seus primórdios, a fotografia encontra-se indissociavelmente ligada à memória. De igual forma, o cinema sempre teve uma relação de proximidade com a experiência do sonho. Essas relações têm evoluído de variadas formas ao longo do tempo, influenciadas pelas metamorfoses sofridas nos meios de produção de imagem, que, por sua vez, trouxeram novas formas de vivência da memória e do sonho. Nesse sentido, torna-se importante perceber de uma forma mais profunda como é que a fotografia e a memória se relacionam, bem como o cinema e o sonho, e como é que as novas tecnologias vêm alterar a experiência dos diferentes tipos de produção de imagem. Este trabalho de projeto apresenta uma análise dessas duas relações particulares entre a fotografia e a memória e o cinema e o sonho de forma a tentar perceber de uma perspetiva comparativista uma possível fusão entre naturezas de produção e experiência da imagem. A pesquisa é baseada na análise de teses de alguns autores que abordaram essas questões, desde Roland Barthes a Gilles Deleuze, passando por Henri Bergson e Edgar Morin, por exemplo, procurando formular novas perguntas e possibilidades de resposta, a partir deles. Verificou-se que o que aproxima a fotografia da memória de uma forma que quase chega a ser perigosa é o paradoxo do tempo que ambos representam a vários níveis, tendo em conta os termos caraterísticos do tempo elaborados por Bergson, nomeadamente a contração e a duração. E que cada tipo de produção de fotografia levanta uma relação de proximidade/afastamento específico com a memória. A fotografia analógica, apresentando-se enquanto algo aparentemente palpável, parece permitir uma vivência mais segura e duradoura da memória, pelo contrário, a fotografia digital, apesar de democratizar o acesso à fotografia, por ser acessível a um maior número de pessoas, leva a uma produção constante e inquestionada de imagens cujo único propósito muitas vezes é o serem partilhadas online. Por outro lado, verificou-se um “elo biológico” entre o cinema e o sonho, sendo que muitas vezes são uma e a mesma coisa, ao se fundirem num mesmo tempo e num mesmo plano imagético. O cinema de Apichatpong Weerasethakul provou ser o exemplo exponencial desse elo. A partir dos resultados, foi possível elaborar um livro com fotografias, cartas, sms’s e textos num jogo de constante tensão entre o real (a memória, a fotografia) e o imaginário (o sonho, o cinema) que procura ser ao mesmo tempo um ponto de chegada e um ponto de partida para um questionamento que nunca se esgota e pode ser sempre feito de outros pontos de vista e perspetivas. |
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| Autores principais: | Ourique, Beatriz Corrêa Mendes de Lima |
| Assunto: | Imagem Memória Fotografia analógica Fotografia digital Arquivo Cinema Sono Sonhos Analog photography Digital photography Memory Archive Cinema Sleep Dreams |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | Desde os seus primórdios, a fotografia encontra-se indissociavelmente ligada à memória. De igual forma, o cinema sempre teve uma relação de proximidade com a experiência do sonho. Essas relações têm evoluído de variadas formas ao longo do tempo, influenciadas pelas metamorfoses sofridas nos meios de produção de imagem, que, por sua vez, trouxeram novas formas de vivência da memória e do sonho. Nesse sentido, torna-se importante perceber de uma forma mais profunda como é que a fotografia e a memória se relacionam, bem como o cinema e o sonho, e como é que as novas tecnologias vêm alterar a experiência dos diferentes tipos de produção de imagem. Este trabalho de projeto apresenta uma análise dessas duas relações particulares entre a fotografia e a memória e o cinema e o sonho de forma a tentar perceber de uma perspetiva comparativista uma possível fusão entre naturezas de produção e experiência da imagem. A pesquisa é baseada na análise de teses de alguns autores que abordaram essas questões, desde Roland Barthes a Gilles Deleuze, passando por Henri Bergson e Edgar Morin, por exemplo, procurando formular novas perguntas e possibilidades de resposta, a partir deles. Verificou-se que o que aproxima a fotografia da memória de uma forma que quase chega a ser perigosa é o paradoxo do tempo que ambos representam a vários níveis, tendo em conta os termos caraterísticos do tempo elaborados por Bergson, nomeadamente a contração e a duração. E que cada tipo de produção de fotografia levanta uma relação de proximidade/afastamento específico com a memória. A fotografia analógica, apresentando-se enquanto algo aparentemente palpável, parece permitir uma vivência mais segura e duradoura da memória, pelo contrário, a fotografia digital, apesar de democratizar o acesso à fotografia, por ser acessível a um maior número de pessoas, leva a uma produção constante e inquestionada de imagens cujo único propósito muitas vezes é o serem partilhadas online. Por outro lado, verificou-se um “elo biológico” entre o cinema e o sonho, sendo que muitas vezes são uma e a mesma coisa, ao se fundirem num mesmo tempo e num mesmo plano imagético. O cinema de Apichatpong Weerasethakul provou ser o exemplo exponencial desse elo. A partir dos resultados, foi possível elaborar um livro com fotografias, cartas, sms’s e textos num jogo de constante tensão entre o real (a memória, a fotografia) e o imaginário (o sonho, o cinema) que procura ser ao mesmo tempo um ponto de chegada e um ponto de partida para um questionamento que nunca se esgota e pode ser sempre feito de outros pontos de vista e perspetivas. |
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