Publicação
Efeitos dos incêndios florestais na decomposição da folhada em rios: estudo em microcosmos
| Resumo: | Os incêndios florestais são um distúrbio cada vez mais frequente na região do Mediterrâneo com diversas repercussões ao nível económico, social e ambiental. Entre os problemas ambientais associados a este distúrbio, os efeitos da contaminação dos cursos de água por substâncias pirolíticas provenientes dos incêndios, nomeadamente hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs) e metais, têm sido relativamente negligenciados. Neste estudo, para compreender os efeitos nos rios das escorrências provenientes de áreas ardidas, foram avaliados os efeitos de extratos aquosos de cinzas na decomposição da folhada conduzida por microrganismos e invertebrados detritívoros. Para isso, foram colhidas cinzas após um incêndio florestal decorrido na localidade da Várzea (Viseu, Portugal) e preparados extratos aquosos de cinzas nas proporções 0, 5, 10, 20, 40, 60, 80 e 100%. Os efeitos dos extratos aquosos de cinzas foram testados na perda de massa de folha promovida pelos microrganismos, nas taxas de esporulação e na biomassa de fungos, bem como no comportamento alimentar de invertebrados detritívoros da espécie Alogamus ligonifer. A análise química dos extratos aquosos de cinzas indicou a presença do fenantreno e de cinco metais (manganês, cobre, zinco, níquel e crómio). A exposição aos extratos de cinzas estimulou a decomposição microbiana, assim como a taxa de consumo de folhada pelo invertebrado detritívoro. Contudo, não foram observados efeitos significativos na taxa de esporulação nem na biomassa dos fungos. O aumento da decomposição da folhada com o aumento da concentração dos extratos aquosos de cinzas, pode ser explicado pelas baixas concentrações de PAHs e de metais nos extratos, assim como pela presença de concentrações elevadas de nutrientes que poderão ter tido um efeito estimulador da atividade microbiana mascarando os potenciais efeitos tóxicos dos PAHs ou dos metais. |
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| Autores principais: | Nogueira, Maria João Alves |
| Assunto: | Incêndios florestais Extratos aquosos de cinzas Hidrocarbonetos aromáticos policíclicos Metais Decomposição dos detritos vegetais Microrganismos Invertebrados detritívoros Ecossistemas aquáticos Wildfires Aqueous extracts of ashes Polycyclic aromatic hydrocarbons Metals Plant litter decomposition Microbes Invertebrate detritivores Freshwater ecosystems |
| Ano: | 2013 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Os incêndios florestais são um distúrbio cada vez mais frequente na região do Mediterrâneo com diversas repercussões ao nível económico, social e ambiental. Entre os problemas ambientais associados a este distúrbio, os efeitos da contaminação dos cursos de água por substâncias pirolíticas provenientes dos incêndios, nomeadamente hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs) e metais, têm sido relativamente negligenciados. Neste estudo, para compreender os efeitos nos rios das escorrências provenientes de áreas ardidas, foram avaliados os efeitos de extratos aquosos de cinzas na decomposição da folhada conduzida por microrganismos e invertebrados detritívoros. Para isso, foram colhidas cinzas após um incêndio florestal decorrido na localidade da Várzea (Viseu, Portugal) e preparados extratos aquosos de cinzas nas proporções 0, 5, 10, 20, 40, 60, 80 e 100%. Os efeitos dos extratos aquosos de cinzas foram testados na perda de massa de folha promovida pelos microrganismos, nas taxas de esporulação e na biomassa de fungos, bem como no comportamento alimentar de invertebrados detritívoros da espécie Alogamus ligonifer. A análise química dos extratos aquosos de cinzas indicou a presença do fenantreno e de cinco metais (manganês, cobre, zinco, níquel e crómio). A exposição aos extratos de cinzas estimulou a decomposição microbiana, assim como a taxa de consumo de folhada pelo invertebrado detritívoro. Contudo, não foram observados efeitos significativos na taxa de esporulação nem na biomassa dos fungos. O aumento da decomposição da folhada com o aumento da concentração dos extratos aquosos de cinzas, pode ser explicado pelas baixas concentrações de PAHs e de metais nos extratos, assim como pela presença de concentrações elevadas de nutrientes que poderão ter tido um efeito estimulador da atividade microbiana mascarando os potenciais efeitos tóxicos dos PAHs ou dos metais. |
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