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Estudo da variação longitudinal da refracção central e periférica e dos componentes ópticos oculares em míopes adolescentes e jovens adultos
| Summary: | A miopia é um defeito refrativo que nas últimas décadas têm vindo a ser considerada como um problema de saúde pública, tomando proporções de endemia especialmente nos países mais desenvolvidos e muito especialmente nas comunidades asiáticas. Em muitas situações, os valores de refração atingidos e a tensão que a retina sofre pelo crescimento do olho, levam ao aparecimento de situações patológicas graves. Muitos fatores têm sido considerados e milhares de estudos têm sido feitos, associando esses fatores ao aparecimento e progressão da miopia, quer de forma isolada, quer investigando a inter-relação entre eles. Mais recentemente, os fatores considerados de maior relevância na progressão da miopia estão associados ao tempo de execução de tarefas de perto, ao tempo que as crianças e jovens passam ao ar livre, e à discrepância entre os valores de comprimento axial periférico do olho e a refração respetiva levando a uma desfocagem periférica hipermetrópica. Sabe-se hoje também que a progressão da miopia não se faz de modo homogéneo ao longo da vida, e que a prevalência aumenta muito entre a idade infantil, na adolescência e nos jovens. O aparecimento de instrumentação com dispositivos especialmente adaptados permite atualmente obter medidas de biometria sem contacto, em crianças, o que agilizou o acompanhamento do crescimento ocular, central e periférico, relacionandoo com as medidas de refração respetivas. Com este trabalho pretendeu-se avaliar as alterações oculares refrativas e biométricas, centrais e periféricas, ocorridas durante um período de 18 meses, entre junho/agosto de 2011 e outubro/dezembro de 2012, comparando adolescentes e jovens, e relacionar essas alterações com o aparecimento e progressão da miopia. Os sujeitos selecionados foram submetidos a uma bateria de exames que permitiu determinar o estado refrativo central e periférico e o tamanho e posição de alguns componentes oculares, na posição central e periférica. De acordo com os protocolos internacionais acordados para este tipo de investigação, todos os exames cujos valores eram determinantes, foram feitos com cicloplegia. O primeiro objetivo deste trabalho foi determinar de que modo se alteram, ao longo de 18 meses, os parâmetros oculares de refração periférica, biometria periférica e rácio entre comprimento do olho e raio corneal periférico numa população de 2 grupos de análise compostos por 28 adolescentes e 24 jovens adultos estudantes universitários. Objetivos secundários foram estabelecer a fiabilidade das medidas em pacientes pediátricos por comparação com uma população de jovens adultos, a influência da cicloplegia no erro refrativo central e periférico, e ainda os rácios comprimento axial/raio de curvatura corneal, quer em visão central quer em vários graus de excentricidade. Pelos resultados obtidos podemos assim concluir que: - A alteração na refração periférica nos adolescentes é muito “harmónica” mantendo o paralelismo do perfil, enquanto nos jovens, se torna mais miópica. - Há diferenças substanciais entre adolescentes e jovens no astigmatismo oblíquo (J45) na zona temporal; - Existe maior curvatura da retina nos jovens do que nos adolescentes (retina mais “achatada”) porque o comprimento axial aumentou, mantendo-se comprimento temporal inalterado e o nasal com um ligeiro aumento; - Existe tendência para diminuição do atraso acomodativo, aproximação do PPC, diminuição de todas as reservas (particularmente as de BN), variação oposta em adolescentes (diminuição endofórica) e jovens (aumento endofórico) na foria horizontal. No geral tudo leva a uma situação mais “estressante” em VP e talvez uma menor capacidade de relaxamento. - Há um incremento significativo da Aberração Esférica em ambos os grupos apesar do curto espaço de tempo (1,5 anos); no entanto este não é um achado ligado à idade porque o ponto inicial e final é igual para os dois grupos; Com este trabalho foi possível mostrar que existem variações refrativas miópicas quer nos adolescentes quer nos jovens, que são acompanhadas por alterações do globo ocular maiores no grupo dos adolescentes. Estas alterações manifestam-se ao nível estrutural, refrativo e da qualidade ótica do olho. Este estudo é o primeiro a ser realizado envolvendo estes três domínios e aporta informação relevante que pode contribuir para melhor perceber as causas e as consequências da progressão da miopia na população caucasiana. |
|---|---|
| Main Authors: | Dias, Ana Maria Fernandes de Pinho Lopes |
| Subject: | Ciências Naturais::Ciências Físicas Ciências Médicas::Ciências da Saúde |
| Year: | 2014 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | doctoral thesis |
| Access type: | open access |
| Associated institution: | Universidade do Minho |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Summary: | A miopia é um defeito refrativo que nas últimas décadas têm vindo a ser considerada como um problema de saúde pública, tomando proporções de endemia especialmente nos países mais desenvolvidos e muito especialmente nas comunidades asiáticas. Em muitas situações, os valores de refração atingidos e a tensão que a retina sofre pelo crescimento do olho, levam ao aparecimento de situações patológicas graves. Muitos fatores têm sido considerados e milhares de estudos têm sido feitos, associando esses fatores ao aparecimento e progressão da miopia, quer de forma isolada, quer investigando a inter-relação entre eles. Mais recentemente, os fatores considerados de maior relevância na progressão da miopia estão associados ao tempo de execução de tarefas de perto, ao tempo que as crianças e jovens passam ao ar livre, e à discrepância entre os valores de comprimento axial periférico do olho e a refração respetiva levando a uma desfocagem periférica hipermetrópica. Sabe-se hoje também que a progressão da miopia não se faz de modo homogéneo ao longo da vida, e que a prevalência aumenta muito entre a idade infantil, na adolescência e nos jovens. O aparecimento de instrumentação com dispositivos especialmente adaptados permite atualmente obter medidas de biometria sem contacto, em crianças, o que agilizou o acompanhamento do crescimento ocular, central e periférico, relacionandoo com as medidas de refração respetivas. Com este trabalho pretendeu-se avaliar as alterações oculares refrativas e biométricas, centrais e periféricas, ocorridas durante um período de 18 meses, entre junho/agosto de 2011 e outubro/dezembro de 2012, comparando adolescentes e jovens, e relacionar essas alterações com o aparecimento e progressão da miopia. Os sujeitos selecionados foram submetidos a uma bateria de exames que permitiu determinar o estado refrativo central e periférico e o tamanho e posição de alguns componentes oculares, na posição central e periférica. De acordo com os protocolos internacionais acordados para este tipo de investigação, todos os exames cujos valores eram determinantes, foram feitos com cicloplegia. O primeiro objetivo deste trabalho foi determinar de que modo se alteram, ao longo de 18 meses, os parâmetros oculares de refração periférica, biometria periférica e rácio entre comprimento do olho e raio corneal periférico numa população de 2 grupos de análise compostos por 28 adolescentes e 24 jovens adultos estudantes universitários. Objetivos secundários foram estabelecer a fiabilidade das medidas em pacientes pediátricos por comparação com uma população de jovens adultos, a influência da cicloplegia no erro refrativo central e periférico, e ainda os rácios comprimento axial/raio de curvatura corneal, quer em visão central quer em vários graus de excentricidade. Pelos resultados obtidos podemos assim concluir que: - A alteração na refração periférica nos adolescentes é muito “harmónica” mantendo o paralelismo do perfil, enquanto nos jovens, se torna mais miópica. - Há diferenças substanciais entre adolescentes e jovens no astigmatismo oblíquo (J45) na zona temporal; - Existe maior curvatura da retina nos jovens do que nos adolescentes (retina mais “achatada”) porque o comprimento axial aumentou, mantendo-se comprimento temporal inalterado e o nasal com um ligeiro aumento; - Existe tendência para diminuição do atraso acomodativo, aproximação do PPC, diminuição de todas as reservas (particularmente as de BN), variação oposta em adolescentes (diminuição endofórica) e jovens (aumento endofórico) na foria horizontal. No geral tudo leva a uma situação mais “estressante” em VP e talvez uma menor capacidade de relaxamento. - Há um incremento significativo da Aberração Esférica em ambos os grupos apesar do curto espaço de tempo (1,5 anos); no entanto este não é um achado ligado à idade porque o ponto inicial e final é igual para os dois grupos; Com este trabalho foi possível mostrar que existem variações refrativas miópicas quer nos adolescentes quer nos jovens, que são acompanhadas por alterações do globo ocular maiores no grupo dos adolescentes. Estas alterações manifestam-se ao nível estrutural, refrativo e da qualidade ótica do olho. Este estudo é o primeiro a ser realizado envolvendo estes três domínios e aporta informação relevante que pode contribuir para melhor perceber as causas e as consequências da progressão da miopia na população caucasiana. |
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