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“O céu sobre Florença”. Que sentido ou função para a arte pública contemporânea?
| Summary: | [Excerto] Quem visitasse Florença por alturas de abril, haveria de se deparar com a exposição ao ar livre intitulada “Il Cielo Sopra Firenze”/“The Sky Above Florence” ["O Céu Sobre Florença"], de Emmanuel Giannelli. Artista contemporâneo italiano, nascido em Roma, Giannelli é o autor de duas imponentes obras de arte pública: Korf 17, obra constituída por duas figuras escultóricas de 5 metros, em frente ao Palazzo Strozzi, na Piazza del Duomo e The Watcher, figura também de 5 metros, na Piazza San Lorenzo. Com os braços cruzados, sobre um pedestal, o carácter monumental da dupla Korf 17 parece encerrar em si mesmo, inesperadamente, resquícios da arte pública tradicional, fazendo lembrar um tipo de estatuária contraditório, pelo menos em parte, com o que seria uma linguagem mais contemporânea. Aproximado, do ponto de vista simbólico, a um altar, o pedestal presta-se, por princípio, ao sentido da consagração e da sacralização dos valores. Assim, ao arrepio do que seria o fenómeno do afastamento da arte do seu carácter religioso, protagonizado pela modernidade (amplamente discutido, nomeadamente, por Baudelaire e Benjamin, entre outros), Korf 17 impõe-se num registo dúbio, entre um sistema de valores hoje defraudado e um carácter popular ou uma condição de efemeridade que deixa transparecer, afinal de contas, um certo tom parodiante. Encontrando-se a perda do sentido heroico da arte pública – aqui entendida no seu sentido mais amplo, enquanto arte no espaço público – associada à perda do próprio pedestal, poder-se-á dizer que a resistência deste último, no caso em apreço, indiciará uma opção artística desafiadora dos princípios mais expectáveis do que seria a gramática da arte, distintiva, contemporânea. Pretenderá Giannelli abalar o status quo de uma linguagem acomodada, precisamente, a um código que se foi consolidando no contraponto dos sistemas tradicionais?[...] |
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| Main Authors: | Pires, Helena |
| Subject: | Passeio Cultura urbana Urban culture Arte pública Public art Arte urbana Urban art Florença Florence Italy Ciências Sociais::Ciências da Comunicação |
| Year: | 2025 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | other |
| Access type: | open access |
| Associated institution: | Universidade do Minho |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Summary: | [Excerto] Quem visitasse Florença por alturas de abril, haveria de se deparar com a exposição ao ar livre intitulada “Il Cielo Sopra Firenze”/“The Sky Above Florence” ["O Céu Sobre Florença"], de Emmanuel Giannelli. Artista contemporâneo italiano, nascido em Roma, Giannelli é o autor de duas imponentes obras de arte pública: Korf 17, obra constituída por duas figuras escultóricas de 5 metros, em frente ao Palazzo Strozzi, na Piazza del Duomo e The Watcher, figura também de 5 metros, na Piazza San Lorenzo. Com os braços cruzados, sobre um pedestal, o carácter monumental da dupla Korf 17 parece encerrar em si mesmo, inesperadamente, resquícios da arte pública tradicional, fazendo lembrar um tipo de estatuária contraditório, pelo menos em parte, com o que seria uma linguagem mais contemporânea. Aproximado, do ponto de vista simbólico, a um altar, o pedestal presta-se, por princípio, ao sentido da consagração e da sacralização dos valores. Assim, ao arrepio do que seria o fenómeno do afastamento da arte do seu carácter religioso, protagonizado pela modernidade (amplamente discutido, nomeadamente, por Baudelaire e Benjamin, entre outros), Korf 17 impõe-se num registo dúbio, entre um sistema de valores hoje defraudado e um carácter popular ou uma condição de efemeridade que deixa transparecer, afinal de contas, um certo tom parodiante. Encontrando-se a perda do sentido heroico da arte pública – aqui entendida no seu sentido mais amplo, enquanto arte no espaço público – associada à perda do próprio pedestal, poder-se-á dizer que a resistência deste último, no caso em apreço, indiciará uma opção artística desafiadora dos princípios mais expectáveis do que seria a gramática da arte, distintiva, contemporânea. Pretenderá Giannelli abalar o status quo de uma linguagem acomodada, precisamente, a um código que se foi consolidando no contraponto dos sistemas tradicionais?[...] |
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