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Envelhecer em casa em ambientes predominantemente rurais e moderadamente urbanos : um estudo de base comunitária de Monção

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Resumo:O envelhecimento populacional é um fenómeno à escala mundial. Desde a Segunda Guerra Mundial que o número de pessoas com 65+ anos tem vindo a aumentar, sendo que o aumento da longevidade se deve à melhoria nas condições de vida e de saúde das populações. Com o objectivo de despertar a atenção mundial para a questão do envelhecimento, a ONU organizou em 2002 uma Assembleia Mundial sobre envelhecimento, onde estabeleceu um Plano de Acção com o objectivo de garantir que a população envelheça com segurança e dignidade e que os mais velhos possam continuar a participar da vida em sociedade como cidadãos de pleno direito. Apesar da esperança média de vida ter vindo a aumentar, a maior parte das pessoas prefere ir envelhecendo em casa, sendo que em Portugal menos de 5% da população está institucionalizada. À escala mundial, a maior parte das pessoas vive em zonas urbanas. Muito do que se sabe hoje sobre envelhecimento deve-se a estudos efectuados em ambientes urbanos, sendo escassos os estudos em meio rural. Assim, o presente trabalho tem como objectivo avaliar as capacidades e necessidades de pessoas idosas a viver em zonas predominantemente rurais e moderadamente urbanas, com vista a traçar orientações para as políticas e programas gerontológicos. Em termos metodológicos, partiu-se de informação proveniente do Censo da população relativa ao Concelho de Monção, para seleccionar 8% da população com 65+ anos, estratificada em termos de género e grupo etário, em duas freguesias predominantemente rurais e duas moderadamente urbanas. Neste estudo foram incluídos 87 participantes, com uma média de idade de 74,1 anos (DP=6,76), variando entre 65 e 98 anos, sendo 54 participantes (62,1%) do género feminino e 33 (37,9%) do género masculino. Em termos de instrumentos de recolha de dados, foram utilizadas algumas das medidas do protocolo ANCEP_GeroSOC (Bastos, Moreira, Faria & Melo de Carvalho, 2010), designadamente: Ficha Socio-demográfica; Índice de Barthel (ABVD; Mahoney & Barthel, 1965; Sequeira, 2007); Escala de Lawton (AIVD; Lawton & Brody, 1969; Sequeira, 2007); Avaliação do Estado Mental (MMSE; Folstein, Folstein & McHugh, 1975; Morgado, Rocha, Maruta, Guerreiro & Martins, 2009); Escala de Recursos Sociais e de utilização de Serviços do Questionário de Avaliação Funcional Multidimensional de Idosos (OARS-PT; Fillenbaum & Smyer, 1981; Rodrigues, 2007). Os resultados mais relevantes deste estudo apontam para a existência de diferenças significativas relativamente ao funcionamento cognitivo entre participantes das freguesias moderadamente urbanas e predominantemente rurais (U=654,0, p=0,031), sendo que os participantes das freguesias predominantemente rurais obtiveram valores inferiores no MMSE e uma proporção significativamente maior de participantes apresentavam défice cognitivo (43,4% vs. 17,6; X2= 6,2, gl=1, p=0,013). Relativamente à funcionalidade para as actividades da vida diária (AVD e AIVD) não se observaram diferenças significativas (p = 0,979) entre participantes. Quanto às necessidades do ir envelhecendo no lugar, é de mencionar que a maioria dos participantes (69%) refere não sentir “falta de nada”. Estes resultados devem ser tidos em conta na intervenção gerontológica orientada para indivíduos, grupos e/ou organizações, bem como na elaboração dos Planos Gerontológicos associados à execução das medidas de Política Social a nível local.
Autores principais:Alves, Alexandra Palhares
Assunto:Envelhecimento Avaliação gerontológica multidimensional “Aging in Place” Gerontologia Social Aging Multidimensional gerontological assessment Social Gerontology
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Instituto Politécnico de Viana do Castelo
Idioma:português
Origem:Repositório Científico IPVC
Descrição
Resumo:O envelhecimento populacional é um fenómeno à escala mundial. Desde a Segunda Guerra Mundial que o número de pessoas com 65+ anos tem vindo a aumentar, sendo que o aumento da longevidade se deve à melhoria nas condições de vida e de saúde das populações. Com o objectivo de despertar a atenção mundial para a questão do envelhecimento, a ONU organizou em 2002 uma Assembleia Mundial sobre envelhecimento, onde estabeleceu um Plano de Acção com o objectivo de garantir que a população envelheça com segurança e dignidade e que os mais velhos possam continuar a participar da vida em sociedade como cidadãos de pleno direito. Apesar da esperança média de vida ter vindo a aumentar, a maior parte das pessoas prefere ir envelhecendo em casa, sendo que em Portugal menos de 5% da população está institucionalizada. À escala mundial, a maior parte das pessoas vive em zonas urbanas. Muito do que se sabe hoje sobre envelhecimento deve-se a estudos efectuados em ambientes urbanos, sendo escassos os estudos em meio rural. Assim, o presente trabalho tem como objectivo avaliar as capacidades e necessidades de pessoas idosas a viver em zonas predominantemente rurais e moderadamente urbanas, com vista a traçar orientações para as políticas e programas gerontológicos. Em termos metodológicos, partiu-se de informação proveniente do Censo da população relativa ao Concelho de Monção, para seleccionar 8% da população com 65+ anos, estratificada em termos de género e grupo etário, em duas freguesias predominantemente rurais e duas moderadamente urbanas. Neste estudo foram incluídos 87 participantes, com uma média de idade de 74,1 anos (DP=6,76), variando entre 65 e 98 anos, sendo 54 participantes (62,1%) do género feminino e 33 (37,9%) do género masculino. Em termos de instrumentos de recolha de dados, foram utilizadas algumas das medidas do protocolo ANCEP_GeroSOC (Bastos, Moreira, Faria & Melo de Carvalho, 2010), designadamente: Ficha Socio-demográfica; Índice de Barthel (ABVD; Mahoney & Barthel, 1965; Sequeira, 2007); Escala de Lawton (AIVD; Lawton & Brody, 1969; Sequeira, 2007); Avaliação do Estado Mental (MMSE; Folstein, Folstein & McHugh, 1975; Morgado, Rocha, Maruta, Guerreiro & Martins, 2009); Escala de Recursos Sociais e de utilização de Serviços do Questionário de Avaliação Funcional Multidimensional de Idosos (OARS-PT; Fillenbaum & Smyer, 1981; Rodrigues, 2007). Os resultados mais relevantes deste estudo apontam para a existência de diferenças significativas relativamente ao funcionamento cognitivo entre participantes das freguesias moderadamente urbanas e predominantemente rurais (U=654,0, p=0,031), sendo que os participantes das freguesias predominantemente rurais obtiveram valores inferiores no MMSE e uma proporção significativamente maior de participantes apresentavam défice cognitivo (43,4% vs. 17,6; X2= 6,2, gl=1, p=0,013). Relativamente à funcionalidade para as actividades da vida diária (AVD e AIVD) não se observaram diferenças significativas (p = 0,979) entre participantes. Quanto às necessidades do ir envelhecendo no lugar, é de mencionar que a maioria dos participantes (69%) refere não sentir “falta de nada”. Estes resultados devem ser tidos em conta na intervenção gerontológica orientada para indivíduos, grupos e/ou organizações, bem como na elaboração dos Planos Gerontológicos associados à execução das medidas de Política Social a nível local.

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