Publicação
Ciência e crenças populares nos De Medicina de Celso
| Resumo: | Os De Medicina libri VIII de Aulus Cornelius Celsus constituem, juntamente com o Corpus Hipocrático e a vasta obra de Galeno, um dos testemunhos mais preciosos para a nossa compreensão da história médica do mundo antigo. A perda substancial da inestimável literatura médica Alexandrina faz de Celso o testemunho cronologicamente mais próximo, ou mesmo único, de um período de intensa produção científica em geral e médica em particular, quer do ponto de vista da elaboração de doutrinas, quer de consciencialização deontológica, quer, ainda, de avanços técnicos, sempre acompanhados de um arreigado olhar crítico sobre tudo o que lhe subjaz, a tudo imprimindo o seu cunho pessoal. Basta-nos que à notória herança hipocrática e Alexandrina, Celso tenha adicionado uma boa dose de originalidade Romana, que não se resume ao óbvio da utilização da língua latina, mas passa também e principalmente, pelas marcas sociológicas e culturais Romanas que o autor harmoniosamente conseguiu imiscuir com a medicina Grega, não se acanhando de referir — apesar do forte espírito científico que se faz sentir desde o primeiro livro — práticas empíricas (mágicas, por vezes), testemunhos de uma medicina popular itálica, a medicina ao cargo do paterfamilias, a medicina povoada de ‘experts’ lado a lado com ‘carniceiros’ que se diziam médicos... Numa época em que o renovado interesse pelas ‘medicinas paralelas’ abonam a favor das terapêuticas antigas, é com curiosidade que embarcamos na análise do que Celso, médico ou enciclopedista que seja, nos pode revelar, no que diz respeito à importância das relações entre médico e paciente, à necessidade de sempre considerar o bem-estar do doente, regimes alimentares, o papel do exercício físico (gestatio), variados medicamentos (de origem vegetal, animal ou mineral, com virtudes reconhecidas experiencial e dedutivamente), assim como sobre técnicas cirúrgicas para a maioria de nós, modernos, tidas como recentes. |
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| Autores principais: | Sousa, Maria Adriana São Marcos |
| Assunto: | Medicina - Roma Antiga Medicina - Antiguidade clássica Cultura clássica |
| Ano: | 2003 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Aveiro |
| Idioma: | português |
| Origem: | RIA - Repositório Institucional da Universidade de Aveiro |
| Resumo: | Os De Medicina libri VIII de Aulus Cornelius Celsus constituem, juntamente com o Corpus Hipocrático e a vasta obra de Galeno, um dos testemunhos mais preciosos para a nossa compreensão da história médica do mundo antigo. A perda substancial da inestimável literatura médica Alexandrina faz de Celso o testemunho cronologicamente mais próximo, ou mesmo único, de um período de intensa produção científica em geral e médica em particular, quer do ponto de vista da elaboração de doutrinas, quer de consciencialização deontológica, quer, ainda, de avanços técnicos, sempre acompanhados de um arreigado olhar crítico sobre tudo o que lhe subjaz, a tudo imprimindo o seu cunho pessoal. Basta-nos que à notória herança hipocrática e Alexandrina, Celso tenha adicionado uma boa dose de originalidade Romana, que não se resume ao óbvio da utilização da língua latina, mas passa também e principalmente, pelas marcas sociológicas e culturais Romanas que o autor harmoniosamente conseguiu imiscuir com a medicina Grega, não se acanhando de referir — apesar do forte espírito científico que se faz sentir desde o primeiro livro — práticas empíricas (mágicas, por vezes), testemunhos de uma medicina popular itálica, a medicina ao cargo do paterfamilias, a medicina povoada de ‘experts’ lado a lado com ‘carniceiros’ que se diziam médicos... Numa época em que o renovado interesse pelas ‘medicinas paralelas’ abonam a favor das terapêuticas antigas, é com curiosidade que embarcamos na análise do que Celso, médico ou enciclopedista que seja, nos pode revelar, no que diz respeito à importância das relações entre médico e paciente, à necessidade de sempre considerar o bem-estar do doente, regimes alimentares, o papel do exercício físico (gestatio), variados medicamentos (de origem vegetal, animal ou mineral, com virtudes reconhecidas experiencial e dedutivamente), assim como sobre técnicas cirúrgicas para a maioria de nós, modernos, tidas como recentes. |
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