Publicação
Efeito da fertilização azotada na produção e na qualidade do grão de cevada para malte em condições mediterrâneas de regadio
| Resumo: | A cultura da cevada para malte em condições Mediterrâneas de regadio permite a obtenção de rendimentos mais elevados e estáveis. Além disso, proporciona também baixos conteúdos de proteína no grão, uma vez que a cultura não está sujeita aos défices hídricos, particularmente durante o enchimento do grão, típicos das situações de sequeiro. O critério mais importante para que o grão de cevada possa ter qualidade malteira e, com isso, benefícios complementares, é o teor de proteína do grão situar-se entre 9 e 12% da matéria seca. Esta característica depende, principalmente, dos níveis e épocas da fertilização azotada (N). A alteração da cultura da cevada para malte, tradicionalmente realizada em sequeiro, para sistemas de regadio, envolve o ajustamento dos itinerários técnicos, nomeadamente a dose e o fraccionamento da fertilização azotada. Na região de Beja, Sul de Portugal, foram instalados no ano agrícola de 2003-04 ensaios de campo com a cultura da cevada (Hordeum vulgare L. spp. distichum, cultivar Scarlett) numa situação de regadio, com dois factores. Cinco doses de N (0, 75, 100, 125 e 150 kg/ha) e cinco fraccionamentos/épocas de aplicação (sementeira, sementeira + afilhamento, sementeira + encanamento, afilhamento + encanamento e sementeira + afilhamento + encanamento). Os resultados obtidos mostram que a maior produção de grão foi obtida com as mais altas doses de N (125 e 150 kg/ha) e com os fraccionamentos sementeira + afilhamento e sementeira + afilhamento + encanamento. O teor de proteína do grão aumentou com as doses de N mais altas e com as aplicações mais tardias (afilhamento + encanamento), mas dentro dos limites requeridos pela indústria. Observou-se um ligeiro decréscimo no tamanho do grão (calibre > 2,5 mm) com o aumento da dose e com as aplicações ao encanamento, principalmente, sementeira + encanamento e afilhamento + encanamento. De acordo com os nossos resultados, as maiores doses de N ensaiadas, bem como as aplicações mais tardias, poderão ser usadas na cultura da cevada em condições Mediterrâneas de regadio, conduzindo ao aumento da produção de grão e à melhoria da qualidade do grão para malte, com evidentes benefícios para os produtores de cevada e para os industriais malteiros. |
|---|---|
| Autores principais: | Patanita, M. |
| Outros Autores: | López-Bellido, L. |
| Assunto: | Geral |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Sociedade de Ciências Agrárias de Portugal |
| Idioma: | português |
| Origem: | Revista de Ciências Agrárias |
| Resumo: | A cultura da cevada para malte em condições Mediterrâneas de regadio permite a obtenção de rendimentos mais elevados e estáveis. Além disso, proporciona também baixos conteúdos de proteína no grão, uma vez que a cultura não está sujeita aos défices hídricos, particularmente durante o enchimento do grão, típicos das situações de sequeiro. O critério mais importante para que o grão de cevada possa ter qualidade malteira e, com isso, benefícios complementares, é o teor de proteína do grão situar-se entre 9 e 12% da matéria seca. Esta característica depende, principalmente, dos níveis e épocas da fertilização azotada (N). A alteração da cultura da cevada para malte, tradicionalmente realizada em sequeiro, para sistemas de regadio, envolve o ajustamento dos itinerários técnicos, nomeadamente a dose e o fraccionamento da fertilização azotada. Na região de Beja, Sul de Portugal, foram instalados no ano agrícola de 2003-04 ensaios de campo com a cultura da cevada (Hordeum vulgare L. spp. distichum, cultivar Scarlett) numa situação de regadio, com dois factores. Cinco doses de N (0, 75, 100, 125 e 150 kg/ha) e cinco fraccionamentos/épocas de aplicação (sementeira, sementeira + afilhamento, sementeira + encanamento, afilhamento + encanamento e sementeira + afilhamento + encanamento). Os resultados obtidos mostram que a maior produção de grão foi obtida com as mais altas doses de N (125 e 150 kg/ha) e com os fraccionamentos sementeira + afilhamento e sementeira + afilhamento + encanamento. O teor de proteína do grão aumentou com as doses de N mais altas e com as aplicações mais tardias (afilhamento + encanamento), mas dentro dos limites requeridos pela indústria. Observou-se um ligeiro decréscimo no tamanho do grão (calibre > 2,5 mm) com o aumento da dose e com as aplicações ao encanamento, principalmente, sementeira + encanamento e afilhamento + encanamento. De acordo com os nossos resultados, as maiores doses de N ensaiadas, bem como as aplicações mais tardias, poderão ser usadas na cultura da cevada em condições Mediterrâneas de regadio, conduzindo ao aumento da produção de grão e à melhoria da qualidade do grão para malte, com evidentes benefícios para os produtores de cevada e para os industriais malteiros. |
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