Publicação

Kierkegaard no Porto, 2013

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:O dinamarquês Søren Aabye Kierkegaard é um dos mais originais e influentes filósofos do século XIX. Schopenhauer, Kierkegaard, Marx, Nietzsche, representam talvez as mais importantes vias de reação ou desenvolvimento do pensamento de Hegel. Søren Aabye Kierkegaard, nasceu a 5 de maio de 1813 e morreu a 11 de novembro de 1855. Polímata, autor de uma obra profundamente religiosa e especulativa, situa-se entre a filosofia e a teologia, em posição crítica da sociedade e do lugar que nela ocupa a religião instituída e o diálogo com a tradição. Os textos que publicou em vida são sobretudo de intervenção e polémica pública, recusando qualquer aspiração sistemática para uma obra que assinou sob vários nomes e deixou em grande parte inédita. O descentramento do sistema expressase também pela pseudonímia que usou abundantemente, assinando a partir de 1843 os seus textos com nomes inesperados para os quais criou identidades distintivas que mantinha, aperfeiçoava e multiplicava. Apesar dos poucos leitores e do pouco sucesso literário que teve em vida, o que seguramente aprofundava a sua amarga relação com a indiferença, publicou muito sob pseudónimo,a que outros seus pseudónimos poderiam responder também publicamente,encenando assim por interpostas personae um pensamento que explorava a contraposição de pontos de vista. A pseudonímia de Kierkegaard é um processo distinto mas tão eficaz quanto a heteronímia que Pessoa viria a inventar, para expressar a dilaceração e a multidão que habita as contradições próprias do pensamento radical, aquele que aprofunda a intimidade com as coisas mesmas de que o pensamento se ocupa. Toda a produção escrita de Kierkegaard pode ser lida como a obra sobre a obra sobre a obra, a vertigem que se alimenta da proliferação e da arrumação em permanência. Começa assim a introdução de Ponto de visto explicativo da minha obra como escritor: Na minha obra cheguei a um ponto onde é possível, onde experimento a necessidade e por conseguinte, considero agora meu dever declarar de uma vez por todas tão francamente, tão abertamente, tão categoricamente quanto possível, em que consiste a produção, o que pretendo ser como autor. (S. Kierkegaard, Ponto de visto explicativo da minha obra como escritor, trad. J. Gama, Ed. 70, Lisboa 1986, p.19).
Autores principais:Meirinhos, José
Outros Autores:Tunhas, Paulo
Assunto:Filosofia, ética e religião Philosophy, Ethics and Religion
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Porto
Idioma:português
Origem:Repositório Aberto da Universidade do Porto
Descrição
Resumo:O dinamarquês Søren Aabye Kierkegaard é um dos mais originais e influentes filósofos do século XIX. Schopenhauer, Kierkegaard, Marx, Nietzsche, representam talvez as mais importantes vias de reação ou desenvolvimento do pensamento de Hegel. Søren Aabye Kierkegaard, nasceu a 5 de maio de 1813 e morreu a 11 de novembro de 1855. Polímata, autor de uma obra profundamente religiosa e especulativa, situa-se entre a filosofia e a teologia, em posição crítica da sociedade e do lugar que nela ocupa a religião instituída e o diálogo com a tradição. Os textos que publicou em vida são sobretudo de intervenção e polémica pública, recusando qualquer aspiração sistemática para uma obra que assinou sob vários nomes e deixou em grande parte inédita. O descentramento do sistema expressase também pela pseudonímia que usou abundantemente, assinando a partir de 1843 os seus textos com nomes inesperados para os quais criou identidades distintivas que mantinha, aperfeiçoava e multiplicava. Apesar dos poucos leitores e do pouco sucesso literário que teve em vida, o que seguramente aprofundava a sua amarga relação com a indiferença, publicou muito sob pseudónimo,a que outros seus pseudónimos poderiam responder também publicamente,encenando assim por interpostas personae um pensamento que explorava a contraposição de pontos de vista. A pseudonímia de Kierkegaard é um processo distinto mas tão eficaz quanto a heteronímia que Pessoa viria a inventar, para expressar a dilaceração e a multidão que habita as contradições próprias do pensamento radical, aquele que aprofunda a intimidade com as coisas mesmas de que o pensamento se ocupa. Toda a produção escrita de Kierkegaard pode ser lida como a obra sobre a obra sobre a obra, a vertigem que se alimenta da proliferação e da arrumação em permanência. Começa assim a introdução de Ponto de visto explicativo da minha obra como escritor: Na minha obra cheguei a um ponto onde é possível, onde experimento a necessidade e por conseguinte, considero agora meu dever declarar de uma vez por todas tão francamente, tão abertamente, tão categoricamente quanto possível, em que consiste a produção, o que pretendo ser como autor. (S. Kierkegaard, Ponto de visto explicativo da minha obra como escritor, trad. J. Gama, Ed. 70, Lisboa 1986, p.19).

Atividades financiadas

Não foram encontrados projetos financiados.