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Preposições órfãs em estruturas relativas no português e no inglês: uma análise comparativa com bilíngues universitários

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Detalhes bibliográficos
Resumo:São considerados bilíngues falantes que possuem o conhecimento de duas línguas e se comunicam em cada uma delas de forma autônoma. Entretanto, Paradis (2003) aponta a relevância de se distinguirem dois tipos de bilíngues, os precoces e os tardios. Os precoces são aqueles que adquirem primeira e segunda língua de forma simultânea, espontânea e natural, dentro do período crítico, e os tardios são aqueles que adquirem a segunda língua após o período crítico, por instrução formal. Embora Paradis assinale que não há diferenças na qualidade, mas sim no percurso da aquisição, os primeiros parecem lidar com as duas gramáticas de forma mais independente, enquanto os bilíngues tardios seriam mais suscetíveis a realizarem transferências linguísticas. Já Slabakova (2016) considera que o que definirá o grau de proficiência do aprendiz de L2 é a qualidade do input que lhe é oferecido, isto é, o input recebido na aprendizagem de uma língua deve ser rico e contínuo. A exposição a um input duplo pode levar a interferências em ambas as direções, da L1 para L2, mas também da L2 para a L1. A presente investigação se detém sobre bilíngues universitários aprendizes de inglês, ou seja, bilíngues tardios, e investiga um fenômeno sintático que distingue o português do Brasil do inglês, que é o uso de preposição-órfã em estruturas relativas. Tal fenômeno, embora não seja oriundo do português, mas imensamente frequente em inglês, tem sido visto como uma inovação no PB. Tem-se observado ocorrências de estruturas relativas com preposição-órfã, embora seja mais comum, no PB, o uso de relativa do tipo cortadora, em que a preposição é omitida. No entanto, não são todas as preposições que tendem a ser aceitas na posição órfã. Trata-se de um fenômeno isolado, aparentemente circunscrito a preposições que não se contraem a artigos (SALLES, 2003; MARCELINO, 2007). Diante dessas distinções e convergências entre o PB e o inglês, buscamos responder duas questões que partem em direção contrária, (i) se a aceitabilidade da preposição-orfã em português pode ser influenciada pelo contato com a língua inglesa; (ii) se a aceitabilidade de relativa do tipo cortadora em inglês pode ser influenciada pelo contato com a língua portuguesa. Para isto, realizamos dois experimentos, o primeiro consiste em uma tarefa de julgamento de gramaticalidade com escala Likert e o segundo consiste em uma tarefa de eliciação. Além do grupo de bilíngues universitários, que constitui o público alvo desta pesquisa, contamos com um grupo de controle formado por monolíngues de português do Brasil e monolíngues de inglês. Os experimentos foram realizados em ambas as línguas, inglês e português, para que pudéssemos fazer uma análise comparativa dos dados. Foram avaliados 12 bilíngues, todos com proficiência de nível intermediário superior. Nossos resultados indicam que, no teste de aceitabilidade em português, os bilíngues tiveram uma boa aceitação das sentenças com preposição-órfã, comuns no PB, mas também se mostraram bem tolerantes com as sentenças relativas cujas preposições não funcionam bem na posição órfã. Em relação à aceitação de relativas do tipo cortadoras em inglês, eles se mostraram mais tolerantes com a omissão das preposições de caráter funcional do que com a omissão de preposições com carga semântica, ao ponto de avaliarem melhor as sentenças cujas preposições não funcionam bem na posição órfã. O que nos leva a entender que por possuírem um input duplo eles se tornam mais flexíveis na avaliação das sentenças. Na produção das sentenças em português, os bilíngues priorizaram o uso de relativas com preposição-órfã para as sentenças que funcionam bem em tal posição, isto é, as que possuem carga semântica. Para as sentenças de caráter mais funcional houve um grande número de produções de relativas padrão, que ultrapassa o número de relativas cortadoras, algo que não era esperado dentre os resultados. No inglês, priorizou-se o uso de preposição órfã para as sentenças de ambas as condições.
Autores principais:Orlando, Ana Angélica da Silva
Assunto:Aquisição da linguagem Bilinguismo Preposição-órfã Linguagem e línguas Língua portuguesa - Preposições Língua inglesa - Preposições Estudantes universitários Bilinguism Preposition- stranding Relative clauses LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LINGUISTICA
Ano:2021
País:Brasil
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:IBICT
Idioma:português
Origem:Oasisbr
Descrição
Resumo:São considerados bilíngues falantes que possuem o conhecimento de duas línguas e se comunicam em cada uma delas de forma autônoma. Entretanto, Paradis (2003) aponta a relevância de se distinguirem dois tipos de bilíngues, os precoces e os tardios. Os precoces são aqueles que adquirem primeira e segunda língua de forma simultânea, espontânea e natural, dentro do período crítico, e os tardios são aqueles que adquirem a segunda língua após o período crítico, por instrução formal. Embora Paradis assinale que não há diferenças na qualidade, mas sim no percurso da aquisição, os primeiros parecem lidar com as duas gramáticas de forma mais independente, enquanto os bilíngues tardios seriam mais suscetíveis a realizarem transferências linguísticas. Já Slabakova (2016) considera que o que definirá o grau de proficiência do aprendiz de L2 é a qualidade do input que lhe é oferecido, isto é, o input recebido na aprendizagem de uma língua deve ser rico e contínuo. A exposição a um input duplo pode levar a interferências em ambas as direções, da L1 para L2, mas também da L2 para a L1. A presente investigação se detém sobre bilíngues universitários aprendizes de inglês, ou seja, bilíngues tardios, e investiga um fenômeno sintático que distingue o português do Brasil do inglês, que é o uso de preposição-órfã em estruturas relativas. Tal fenômeno, embora não seja oriundo do português, mas imensamente frequente em inglês, tem sido visto como uma inovação no PB. Tem-se observado ocorrências de estruturas relativas com preposição-órfã, embora seja mais comum, no PB, o uso de relativa do tipo cortadora, em que a preposição é omitida. No entanto, não são todas as preposições que tendem a ser aceitas na posição órfã. Trata-se de um fenômeno isolado, aparentemente circunscrito a preposições que não se contraem a artigos (SALLES, 2003; MARCELINO, 2007). Diante dessas distinções e convergências entre o PB e o inglês, buscamos responder duas questões que partem em direção contrária, (i) se a aceitabilidade da preposição-orfã em português pode ser influenciada pelo contato com a língua inglesa; (ii) se a aceitabilidade de relativa do tipo cortadora em inglês pode ser influenciada pelo contato com a língua portuguesa. Para isto, realizamos dois experimentos, o primeiro consiste em uma tarefa de julgamento de gramaticalidade com escala Likert e o segundo consiste em uma tarefa de eliciação. Além do grupo de bilíngues universitários, que constitui o público alvo desta pesquisa, contamos com um grupo de controle formado por monolíngues de português do Brasil e monolíngues de inglês. Os experimentos foram realizados em ambas as línguas, inglês e português, para que pudéssemos fazer uma análise comparativa dos dados. Foram avaliados 12 bilíngues, todos com proficiência de nível intermediário superior. Nossos resultados indicam que, no teste de aceitabilidade em português, os bilíngues tiveram uma boa aceitação das sentenças com preposição-órfã, comuns no PB, mas também se mostraram bem tolerantes com as sentenças relativas cujas preposições não funcionam bem na posição órfã. Em relação à aceitação de relativas do tipo cortadoras em inglês, eles se mostraram mais tolerantes com a omissão das preposições de caráter funcional do que com a omissão de preposições com carga semântica, ao ponto de avaliarem melhor as sentenças cujas preposições não funcionam bem na posição órfã. O que nos leva a entender que por possuírem um input duplo eles se tornam mais flexíveis na avaliação das sentenças. Na produção das sentenças em português, os bilíngues priorizaram o uso de relativas com preposição-órfã para as sentenças que funcionam bem em tal posição, isto é, as que possuem carga semântica. Para as sentenças de caráter mais funcional houve um grande número de produções de relativas padrão, que ultrapassa o número de relativas cortadoras, algo que não era esperado dentre os resultados. No inglês, priorizou-se o uso de preposição órfã para as sentenças de ambas as condições.

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