Publicação
As mudanças no jornalismo em meio à ascensão das fake news: uma visão sobre o fact-checking e a democracia
| Resumo: | A escalada da desinformação tem produzido impactos na democracia e despertado a atenção de jornalistas em todo mundo. Desacreditado e recentemente até hostilizado por atores sociais, o jornalismo tem perdido seu papel mediador de informação conforme avançam as mídias digitais e os usuários passam a colaborar com descrições alternativas da realidade. No entanto, a área tem se reinventado por meio de uma prática jovem, que vem crescendo em todo o mundo: o fact-checking (checagem de fatos). O objetivo deste trabalho é verificar se este método jornalístico preenche os requisitos para assumir o papel de protagonista no futuro da profissão, de acordo com as 7 funções principais do jornalismo em democracias, elaboradas por Schudson (2008). O fact-checking parece “reposicionar o jornalismo no ecossistema de informação dominado pelas plataformas, podendo pressionar a transformação da prática jornalística em si”, defende Seibt (2019, p. 22). Com base no resgate de valores como transparência e precisão, diversas iniciativas de checagem surgiram no Brasil na última década. Em especial, a Lupa, a primogênita dentre as agências de notícias especializada em fact-checking, que é objeto de análise desta pesquisa. Para entender a atividade jornalística, buscamos estabelecer um ideal de fact-checking por meio da tese de doutorado de Taís Seibt (2019) e de uma entrevista com a diretora de conteúdo da Lupa, Natália Leal (Apêndice A). Dessa forma, teoria e prática de checagem são então verificadas na análise de 6 publicações da Lupa durante as eleições de 2018, que apresentaram uma falta de padrão entre checagens, em alguns casos o uso precário de elementos paratextuais e o problemático uso da imprensa como fonte de verificação. A análise também mostrou que a inserção e a efetividade das checagens no público ainda são baixas, o que resulta em poucas experiências em que o fact-checking, de fato, tenha causado uma mudança nos discursos enganosos. Por fim, compreendemos que, embora o fact-checking contribua para uma reestruturação do jornalismo e um resgate de valores essenciais à profissão, ele não corresponde atualmente a todos os atributos assumidos pelo jornalismo em democracias. |
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| Autores principais: | Weiler, Diego Felipe |
| Assunto: | Jornalismo de verificação Fake news Journalism Fact-checking Democracy Fake News Disinformation |
| Ano: | 2020 |
| País: | Brasil |
| Tipo de documento: | trabalho de fim de curso |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | IBICT |
| Idioma: | português |
| Origem: | Oasisbr |
| Resumo: | A escalada da desinformação tem produzido impactos na democracia e despertado a atenção de jornalistas em todo mundo. Desacreditado e recentemente até hostilizado por atores sociais, o jornalismo tem perdido seu papel mediador de informação conforme avançam as mídias digitais e os usuários passam a colaborar com descrições alternativas da realidade. No entanto, a área tem se reinventado por meio de uma prática jovem, que vem crescendo em todo o mundo: o fact-checking (checagem de fatos). O objetivo deste trabalho é verificar se este método jornalístico preenche os requisitos para assumir o papel de protagonista no futuro da profissão, de acordo com as 7 funções principais do jornalismo em democracias, elaboradas por Schudson (2008). O fact-checking parece “reposicionar o jornalismo no ecossistema de informação dominado pelas plataformas, podendo pressionar a transformação da prática jornalística em si”, defende Seibt (2019, p. 22). Com base no resgate de valores como transparência e precisão, diversas iniciativas de checagem surgiram no Brasil na última década. Em especial, a Lupa, a primogênita dentre as agências de notícias especializada em fact-checking, que é objeto de análise desta pesquisa. Para entender a atividade jornalística, buscamos estabelecer um ideal de fact-checking por meio da tese de doutorado de Taís Seibt (2019) e de uma entrevista com a diretora de conteúdo da Lupa, Natália Leal (Apêndice A). Dessa forma, teoria e prática de checagem são então verificadas na análise de 6 publicações da Lupa durante as eleições de 2018, que apresentaram uma falta de padrão entre checagens, em alguns casos o uso precário de elementos paratextuais e o problemático uso da imprensa como fonte de verificação. A análise também mostrou que a inserção e a efetividade das checagens no público ainda são baixas, o que resulta em poucas experiências em que o fact-checking, de fato, tenha causado uma mudança nos discursos enganosos. Por fim, compreendemos que, embora o fact-checking contribua para uma reestruturação do jornalismo e um resgate de valores essenciais à profissão, ele não corresponde atualmente a todos os atributos assumidos pelo jornalismo em democracias. |
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