Publicação
Microbioma intestinal x transtornos comportamentais: uma revisão bibliográfica / Gut microbiome x behavioral disorders: a literature review
| Resumo: | Introdução O microbioma intestinal, além de influenciar o trato gastrointestinal (TGI), pode desencadear transtornos psiquiátricos. Bactérias intestinais produzem metabólitos capazes de cruzar a barreira hematoencefálica e resultar em alterações características de transtornos mentais.Objetivos Revisar a literatura existente sobre a relação entre o microbioma intestinal e transtornos psiquiátricos, a fim de compilar os avanços na área.MétodoRealizada pesquisa na base de dados Pubmed com os descritores “microbiota”, “disbiose”, “transtornos comportamentais”, “microbiota gut brain axis”, “gut brain axis” e selecionados 11 artigos de 2015 a 2020.ResultadosA comunicação bidirecional entre o sistema nervoso central (SNC) e o TGI ocorre por alterações da permeabilidade intestinal. Esta possibilita passagem de metabólitos (ácidos graxos, ácidos biliares e metabólitos derivados do triptofano - aminoácido essencial, precursor da serotonina, neurotransmissor majoritariamente produzido no TGI) para a corrente sanguínea e para além da barreira hematoencefálica. É possível que haja influência desses metabólitos nas amígdalas cerebrais - comportamento social, ansiedade e medo - e na mielinização do córtex pré-frontal - depressão, esquizofrenia e transtornos do espectro autista. A modulação do SNC ocorre também via nervo vago (ramo parassimpático do sistema nervoso autônomo) e eixo hipotálamo-hipófise-adrenal - quadros depressivos e de estresse. Ademais, o SNC controla funções do TGI: motilidade, secreção de muco e peptídeos, permeabilidade e resposta imunológica. Desse modo, pacientes depressivos apresentam alterações na composição do microbioma entérico (aumento de Bacteroidetes, Proteobacteria e Actinobacteria, e diminuição de Firmicutes). Os psicofármacos, então, podem restabelecer a homeostase intestinal: inibidores seletivos da recaptação de serotonina atuam contra gram positivos (Staphylococcus spp. e Enterococcus spp.) e enterobactérias (Citrobacter spp., P. aeruginosa, K. pneumoniae e M. morganii) e tricíclicos atuam contra E. coli, Yersinia e Giardia sp.ConclusãoHá, portanto, um eixo bidirecional entre TGI e SNC. Assim, alterações na permeabilidade intestinal fazem microorganismos e metabólitos entrarem na corrente sanguínea, podendo atingir e alterar diversas áreas do cérebro. Ademais, os psicofármacos também podem alterar a microbiota intestinal. |
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| Autores principais: | Poloni, Tatiana Carolina Pavan |
| Outros Autores: | Furtado, Joarez; Weber, Giovana Maria Fontana; Bastos, Beatriz Dornelles; Swarowsky, Inácio; Krumel, Candice Franke |
| Assunto: | Microbiota Sistema nervoso Disbiose. |
| Ano: | 2021 |
| País: | Brasil |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | unknown |
| Instituição associada: | IBICT |
| Idioma: | português |
| Origem: | Oasisbr |
| Resumo: | Introdução O microbioma intestinal, além de influenciar o trato gastrointestinal (TGI), pode desencadear transtornos psiquiátricos. Bactérias intestinais produzem metabólitos capazes de cruzar a barreira hematoencefálica e resultar em alterações características de transtornos mentais.Objetivos Revisar a literatura existente sobre a relação entre o microbioma intestinal e transtornos psiquiátricos, a fim de compilar os avanços na área.MétodoRealizada pesquisa na base de dados Pubmed com os descritores “microbiota”, “disbiose”, “transtornos comportamentais”, “microbiota gut brain axis”, “gut brain axis” e selecionados 11 artigos de 2015 a 2020.ResultadosA comunicação bidirecional entre o sistema nervoso central (SNC) e o TGI ocorre por alterações da permeabilidade intestinal. Esta possibilita passagem de metabólitos (ácidos graxos, ácidos biliares e metabólitos derivados do triptofano - aminoácido essencial, precursor da serotonina, neurotransmissor majoritariamente produzido no TGI) para a corrente sanguínea e para além da barreira hematoencefálica. É possível que haja influência desses metabólitos nas amígdalas cerebrais - comportamento social, ansiedade e medo - e na mielinização do córtex pré-frontal - depressão, esquizofrenia e transtornos do espectro autista. A modulação do SNC ocorre também via nervo vago (ramo parassimpático do sistema nervoso autônomo) e eixo hipotálamo-hipófise-adrenal - quadros depressivos e de estresse. Ademais, o SNC controla funções do TGI: motilidade, secreção de muco e peptídeos, permeabilidade e resposta imunológica. Desse modo, pacientes depressivos apresentam alterações na composição do microbioma entérico (aumento de Bacteroidetes, Proteobacteria e Actinobacteria, e diminuição de Firmicutes). Os psicofármacos, então, podem restabelecer a homeostase intestinal: inibidores seletivos da recaptação de serotonina atuam contra gram positivos (Staphylococcus spp. e Enterococcus spp.) e enterobactérias (Citrobacter spp., P. aeruginosa, K. pneumoniae e M. morganii) e tricíclicos atuam contra E. coli, Yersinia e Giardia sp.ConclusãoHá, portanto, um eixo bidirecional entre TGI e SNC. Assim, alterações na permeabilidade intestinal fazem microorganismos e metabólitos entrarem na corrente sanguínea, podendo atingir e alterar diversas áreas do cérebro. Ademais, os psicofármacos também podem alterar a microbiota intestinal. |
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