Publicação
Estudo diacrônico do processo de expansão gramatical e lexical dos itens ter, haver, ser, estar e ir na Língua portuguesa
| Resumo: | Estudou-se, numa perspectiva diacrônica, o processo de expansão gramatical dos itens TER, HAVER, SER, ESTAR e IR na Língua Portuguesa. A partir da proposição de uma metodologia quantitativa de estudo da gramaticalização numa abordagem formalista, buscou-se estudar o processo pelo qual os verbos plenos vão, ao longo do tempo, assumindo gradativamente funções gramaticais, o que lhes permite tramitar do léxico para a gramática, constituindo perífrases verbais. Analisou-se ainda, paralelamente a esse fenômeno, o processo de expansão/restrição semântica por que vão passando esses verbos ao longo de seu percurso diacrônico, o que se relaciona não apenas ao processo de gramaticalização da forma, mas também ao seu processo de (des)lexicalização. Para a consecução dos objetivos propostos, selecionaram-se corpora compostos de doze textos de gêneros textuais distintos, sendo cada período da Língua Portuguesa arcaico, moderno e contemporâneo representado por quatro textos de tamanhos aproximados. Os critérios de análise foram divididos em dois grupos interdependentes: (a) análise da freqüência do item e (b) estudo de fatores semânticos, sintáticos e morfofonêmicos. Inicialmente, computou-se em cada texto a freqüência total de ocorrência de cada uma das formas verbais selecionadas para o estudo. A seguir, procedeu-se à tabulação de suas freqüências lexicais, comparando-as com suas freqüências gramaticais ao longo dos três períodos, aplicando-se, para mensurar o grau de significância dos valores obtidos, o teste estatístico de aderência do Qui-Quadrado. Empreendeu-se, a seguir, a análise semântica das ocorrências lexicais registradas, buscando identificar os semas de cada uma das formas verbais analisadas ao longo da história da língua. O objetivo da análise de tais semas foi verificar o grau de abstração do verbo à medida que seu processo de gramaticalização se expande. Vencida essa etapa, passou-se à análise dos contextos sintáticos de ocorrências das formas, com vistas a identificar os principais fatores responsáveis por gerir a seleção das formas passíveis de co-ocorrerem com os auxiliares estudados nas perífrases verbais. Por fim, teceram-se algumas considerações acerca da perda de material fônico dos itens em processo de gramaticalização. Os resultados obtidos demonstraram que todos os cinco verbos analisados encontram-se gramaticalizados na Língua Portuguesa desde o período arcaico e que muitos deles ainda estão em processo de franca expansão na língua. Além disso, os dados coletados permitiram o entendimento de que a gramaticalização e a lexicalização são processos lingüísticos paralelos e que, como tais, não se determinam. Assim, o fato de determinada forma verbal já se ter gramaticalizado não impede, tampouco favorece seu processo de expansão e/ou restrição nos domínios do léxico. Outra generalização extraída da análise empreendida refere-se ao fato de que as perífrases verbais resultam não apenas da tramitação de itens do léxico para a gramática, mas também de um processo de acentuação da gramaticalidade de itens que se movem de um estágio menos gramatical para outro mais gramatical. |
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| Autores principais: | Sueli Maria Coelho |
| Assunto: | Forma lexical Forma gramatical Perífrase verbal Gramaticalização Diacronia Língua portuguesa Gramaticalização Funcionalismo (Lingüística) Língua portuguesa Gramática histórica Língua portuguesa Verbos |
| Ano: | 2019 |
| País: | Brasil |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | IBICT |
| Idioma: | português |
| Origem: | Oasisbr |
| Resumo: | Estudou-se, numa perspectiva diacrônica, o processo de expansão gramatical dos itens TER, HAVER, SER, ESTAR e IR na Língua Portuguesa. A partir da proposição de uma metodologia quantitativa de estudo da gramaticalização numa abordagem formalista, buscou-se estudar o processo pelo qual os verbos plenos vão, ao longo do tempo, assumindo gradativamente funções gramaticais, o que lhes permite tramitar do léxico para a gramática, constituindo perífrases verbais. Analisou-se ainda, paralelamente a esse fenômeno, o processo de expansão/restrição semântica por que vão passando esses verbos ao longo de seu percurso diacrônico, o que se relaciona não apenas ao processo de gramaticalização da forma, mas também ao seu processo de (des)lexicalização. Para a consecução dos objetivos propostos, selecionaram-se corpora compostos de doze textos de gêneros textuais distintos, sendo cada período da Língua Portuguesa arcaico, moderno e contemporâneo representado por quatro textos de tamanhos aproximados. Os critérios de análise foram divididos em dois grupos interdependentes: (a) análise da freqüência do item e (b) estudo de fatores semânticos, sintáticos e morfofonêmicos. Inicialmente, computou-se em cada texto a freqüência total de ocorrência de cada uma das formas verbais selecionadas para o estudo. A seguir, procedeu-se à tabulação de suas freqüências lexicais, comparando-as com suas freqüências gramaticais ao longo dos três períodos, aplicando-se, para mensurar o grau de significância dos valores obtidos, o teste estatístico de aderência do Qui-Quadrado. Empreendeu-se, a seguir, a análise semântica das ocorrências lexicais registradas, buscando identificar os semas de cada uma das formas verbais analisadas ao longo da história da língua. O objetivo da análise de tais semas foi verificar o grau de abstração do verbo à medida que seu processo de gramaticalização se expande. Vencida essa etapa, passou-se à análise dos contextos sintáticos de ocorrências das formas, com vistas a identificar os principais fatores responsáveis por gerir a seleção das formas passíveis de co-ocorrerem com os auxiliares estudados nas perífrases verbais. Por fim, teceram-se algumas considerações acerca da perda de material fônico dos itens em processo de gramaticalização. Os resultados obtidos demonstraram que todos os cinco verbos analisados encontram-se gramaticalizados na Língua Portuguesa desde o período arcaico e que muitos deles ainda estão em processo de franca expansão na língua. Além disso, os dados coletados permitiram o entendimento de que a gramaticalização e a lexicalização são processos lingüísticos paralelos e que, como tais, não se determinam. Assim, o fato de determinada forma verbal já se ter gramaticalizado não impede, tampouco favorece seu processo de expansão e/ou restrição nos domínios do léxico. Outra generalização extraída da análise empreendida refere-se ao fato de que as perífrases verbais resultam não apenas da tramitação de itens do léxico para a gramática, mas também de um processo de acentuação da gramaticalidade de itens que se movem de um estágio menos gramatical para outro mais gramatical. |
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