Publicação
Avaliação das populações de linfócitos produtores de IFN-g e IL-17 em pacientes sépticos e relação com o desfecho clínico
| Resumo: | A resposta inflamatória é modulada durante a sepse e a regulação positiva ou negativa da atividade celular depende das células e funções avaliadas. IFN-γ e IL-17 são citocinas características das subpopulações de linfócitos Th1 e Th17, respectivamente, e desempenham papel importante na resposta imune, ligando a imunidade inata e adaptativa. Objetivo: Avaliar a presença das células Th1 e Th17 em pacientes sépticos na admissão do estudo (D0) comparado-a com sadios e após 7 dias (D7) de seguimento. Casuística e Métodos: Foram incluídos 59 pacientes sépticos no D0, dos quais 31 tiveram amostras colhidas no D7, e 30 indivíduos sadios. As células mononucleares do sangue periférico foram separadas e congeladas em nitrogênio líquido. Após descongelamento e ajuste da concentração para 1x106 células/mL, as células foram estimuladas ou não com PMA/ionomicina e mantidas por 30 minutos em estufa a 37ºC a 5% CO2. Foi acrescentado brefeldina A e incubadas por mais 15 horas. Em seguida, foi feita marcação de superfície para a identificação dos linfócitos TCD4 (CD3+CD8-). As células foram permeabilizadas e marcadas para detecção de IL-17A e IFN-γ intracelular. As amostras foram lidas em citômetro FACSCanto e analisadas no programa FlowJo. Resultados: A produção basal de IFN-γ e IL-17A foi maior nos pacientes comparado aos sadios (P=0,002 e P<0,001, respectivamente). Após estímulo, a produção de IL-17A foi maior nos pacientes (P=0,027) enquanto a de IFN-γ foi superior nos sadios (P=0,001). Ao comparar os diferentes estadios da sepse, foi observado aumento na produção de IFN-γ após estímulo com PMA/ionomicina nos pacientes em choque séptico em relação aos pacientes em sepse grave (P=0,039). A produção de IFN-γ basal e após estímulo mostrou-se aumentada no D7 em relação ao D0 (P=0,007 e P=0,018, respectivamente). Em contraste, a produção de IL-17 após estímulo foi maior no D0 comparado ao D7 (P=0,003), mas não foi encontrada diferença significativa na condição basal. Nos pacientes que evoluíram a óbito, as amostras do D0 apresentaram menor produção constitutiva de IFN-γ em relação ao D7 (P=0,023), mas após estímulo não foi encontrada diferença. Nos pacientes que sobreviveram, não houve diferença na condição basal e após estímulo com PMA/ionomicina. A produção de IL-17, após estímulo foi maior na amostra D0 em relação ao D7 (P=0,006) nos pacientes que sobreviveram, já na condição basal não houve diferença. Os pacientes que evoluíram a óbito não apresentaram diferença na condição basal e após estímulo com PMA/ionomicina. Conclusão: Os resultados basais com maior produção de citocinas nos sépticos refletem o grau de inflamação característico da sepse. Observamos uma dicotomia entre as respostas Th1 e Th17 após PMA/ionomicina nos pacientes sépticos, com aumento da população Th17 e diminuição da Th1 em relação aos sadios. Aumento da população Th1 no D7 foi relacionado com mortalidade, enquanto diminuição da população Th17 foi relacionada com sobrevida, indicando que a persistência ou exacerbação das respostas Th1 e Th17 podem ser deletérias. Estes achados sugerem regulação da resposta inflamatória na sepse das populações Th1 e Th17. |
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| Autores principais: | Santos, Michelle Carolina dos [UNIFESP] |
| Assunto: | Interferon gama Interleucina-17 |
| Ano: | 2015 |
| País: | Brasil |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | IBICT |
| Idioma: | português |
| Origem: | Oasisbr |
| Resumo: | A resposta inflamatória é modulada durante a sepse e a regulação positiva ou negativa da atividade celular depende das células e funções avaliadas. IFN-γ e IL-17 são citocinas características das subpopulações de linfócitos Th1 e Th17, respectivamente, e desempenham papel importante na resposta imune, ligando a imunidade inata e adaptativa. Objetivo: Avaliar a presença das células Th1 e Th17 em pacientes sépticos na admissão do estudo (D0) comparado-a com sadios e após 7 dias (D7) de seguimento. Casuística e Métodos: Foram incluídos 59 pacientes sépticos no D0, dos quais 31 tiveram amostras colhidas no D7, e 30 indivíduos sadios. As células mononucleares do sangue periférico foram separadas e congeladas em nitrogênio líquido. Após descongelamento e ajuste da concentração para 1x106 células/mL, as células foram estimuladas ou não com PMA/ionomicina e mantidas por 30 minutos em estufa a 37ºC a 5% CO2. Foi acrescentado brefeldina A e incubadas por mais 15 horas. Em seguida, foi feita marcação de superfície para a identificação dos linfócitos TCD4 (CD3+CD8-). As células foram permeabilizadas e marcadas para detecção de IL-17A e IFN-γ intracelular. As amostras foram lidas em citômetro FACSCanto e analisadas no programa FlowJo. Resultados: A produção basal de IFN-γ e IL-17A foi maior nos pacientes comparado aos sadios (P=0,002 e P<0,001, respectivamente). Após estímulo, a produção de IL-17A foi maior nos pacientes (P=0,027) enquanto a de IFN-γ foi superior nos sadios (P=0,001). Ao comparar os diferentes estadios da sepse, foi observado aumento na produção de IFN-γ após estímulo com PMA/ionomicina nos pacientes em choque séptico em relação aos pacientes em sepse grave (P=0,039). A produção de IFN-γ basal e após estímulo mostrou-se aumentada no D7 em relação ao D0 (P=0,007 e P=0,018, respectivamente). Em contraste, a produção de IL-17 após estímulo foi maior no D0 comparado ao D7 (P=0,003), mas não foi encontrada diferença significativa na condição basal. Nos pacientes que evoluíram a óbito, as amostras do D0 apresentaram menor produção constitutiva de IFN-γ em relação ao D7 (P=0,023), mas após estímulo não foi encontrada diferença. Nos pacientes que sobreviveram, não houve diferença na condição basal e após estímulo com PMA/ionomicina. A produção de IL-17, após estímulo foi maior na amostra D0 em relação ao D7 (P=0,006) nos pacientes que sobreviveram, já na condição basal não houve diferença. Os pacientes que evoluíram a óbito não apresentaram diferença na condição basal e após estímulo com PMA/ionomicina. Conclusão: Os resultados basais com maior produção de citocinas nos sépticos refletem o grau de inflamação característico da sepse. Observamos uma dicotomia entre as respostas Th1 e Th17 após PMA/ionomicina nos pacientes sépticos, com aumento da população Th17 e diminuição da Th1 em relação aos sadios. Aumento da população Th1 no D7 foi relacionado com mortalidade, enquanto diminuição da população Th17 foi relacionada com sobrevida, indicando que a persistência ou exacerbação das respostas Th1 e Th17 podem ser deletérias. Estes achados sugerem regulação da resposta inflamatória na sepse das populações Th1 e Th17. |
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