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Uma alegria difícil: A Paixão segundo G.H., de Clarice Lispector

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A presente Dissertação pretende verificar a consolidação de um novo estilo de escrita, resultante do processo de formação literária e cultural de Clarice Lispector (1920-1977), sobretudo no que concerne à apropriação e transformação de leituras realizadas por ela, para análise e interpretação de A paixão segundo G.H.(1964). Para tanto, apresentaremos o contexto em que se insere o universo ficcional clariceano, sedimentado por uma fortuna crítica da obra em estudo, a partir das categorias “campo literário” e “contexto”, juntamente com as idéias de “paratopia do escritor” e “tribos” literárias, categorias desenvolvidas, respectivamente, por Pierre Bourdieu, com As regras da arte (1996) e Dominique Maingueneau, com O contexto da obra literária (2001), a fim de compreender e discutir a condição da escritora em face do embate de forças ideológicas, históricas, filosóficas, literárias, em conflito ao longo da elaboração de sua obra. Dessa forma, faremos um levantamento de leituras de Clarice Lispector e destacaremos as influências de leitura exercidas pelas obras O lobo da estepe (1927), de Hermann Hesse e Crime e Castigo (1866), de Fiodor Dostoievski, utilizando os processos metodológicos de análise e interpretação comparativas, para, com isso, investigar o confronto da escritora com a linha dominante do romance brasileiro, marcado, principalmente, pelo viés sociológico, compreendendo a poética clariceana numa continuidade, uma tradição. Refletiremos, com isso, acerca dos desdobramentos do processo de desleitura da escritora, no tocante às relações intrapoéticas, bem como quanto ao confronto de sua poética com a tradição literária brasileira, sob a concepção de influência do crítico Harold Bloom, em A Angústia da influência (1991) e O mapa da desleitura (1995). Pretendemos, assim, fazer uma análise da superação das influências de leituras, a partir da qual podemos perceber a construção de uma nova obra, como expressão de uma autoria “autônoma”, sob as categorias estilo, linguagem e escritura, na concepção barthesiana, com O grau zero da escrita (1953) e O rumor da língua (1977), bem como verificaremos a importância do recurso intertextual paródico, nesse processo de desapropriação poética. Portanto, é mister à tessitura poética de A paixão segundo G.H. a contestação, a descoberta de novas possibilidades de leitura da realidade, como também podemos verificar uma problematização de como se engendra a construção do texto metafórico, por meio de uma via crucis imanentista, do ser e da linguagem, o “esforço humano” de Clarice Lispector, a sua paixão: uma “alegria difícil”. Este trabalho integra a pesquisa “Histórias de Leitura: Bibliotecas Pessoais”, sob a Coordenação da Profª. Drª. Odalice de Castro Silva, do Programa de Pós-Graduação em Letras – Literatura Brasileira, da Universidade Federal do Ceará.
Autores principais:Cunha, Wesclei Ribeiro da
Assunto:Literatura Brasileira Campo Literário Influências de Leitura Escritura Estilo Clarice Lispector Lispector,Clarice,1925-1977.A paixão segundo G.H.:romance - Crítica e Interpretação Lispector,Clarice,1925-1977 – Livros e Leitura Influência(Literária,artística,etc.) Champs Littéraire Influence de Lecture Écriture Style Clarice Lispector
Ano:2012
País:Brasil
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:IBICT
Idioma:português
Origem:Oasisbr
Descrição
Resumo:A presente Dissertação pretende verificar a consolidação de um novo estilo de escrita, resultante do processo de formação literária e cultural de Clarice Lispector (1920-1977), sobretudo no que concerne à apropriação e transformação de leituras realizadas por ela, para análise e interpretação de A paixão segundo G.H.(1964). Para tanto, apresentaremos o contexto em que se insere o universo ficcional clariceano, sedimentado por uma fortuna crítica da obra em estudo, a partir das categorias “campo literário” e “contexto”, juntamente com as idéias de “paratopia do escritor” e “tribos” literárias, categorias desenvolvidas, respectivamente, por Pierre Bourdieu, com As regras da arte (1996) e Dominique Maingueneau, com O contexto da obra literária (2001), a fim de compreender e discutir a condição da escritora em face do embate de forças ideológicas, históricas, filosóficas, literárias, em conflito ao longo da elaboração de sua obra. Dessa forma, faremos um levantamento de leituras de Clarice Lispector e destacaremos as influências de leitura exercidas pelas obras O lobo da estepe (1927), de Hermann Hesse e Crime e Castigo (1866), de Fiodor Dostoievski, utilizando os processos metodológicos de análise e interpretação comparativas, para, com isso, investigar o confronto da escritora com a linha dominante do romance brasileiro, marcado, principalmente, pelo viés sociológico, compreendendo a poética clariceana numa continuidade, uma tradição. Refletiremos, com isso, acerca dos desdobramentos do processo de desleitura da escritora, no tocante às relações intrapoéticas, bem como quanto ao confronto de sua poética com a tradição literária brasileira, sob a concepção de influência do crítico Harold Bloom, em A Angústia da influência (1991) e O mapa da desleitura (1995). Pretendemos, assim, fazer uma análise da superação das influências de leituras, a partir da qual podemos perceber a construção de uma nova obra, como expressão de uma autoria “autônoma”, sob as categorias estilo, linguagem e escritura, na concepção barthesiana, com O grau zero da escrita (1953) e O rumor da língua (1977), bem como verificaremos a importância do recurso intertextual paródico, nesse processo de desapropriação poética. Portanto, é mister à tessitura poética de A paixão segundo G.H. a contestação, a descoberta de novas possibilidades de leitura da realidade, como também podemos verificar uma problematização de como se engendra a construção do texto metafórico, por meio de uma via crucis imanentista, do ser e da linguagem, o “esforço humano” de Clarice Lispector, a sua paixão: uma “alegria difícil”. Este trabalho integra a pesquisa “Histórias de Leitura: Bibliotecas Pessoais”, sob a Coordenação da Profª. Drª. Odalice de Castro Silva, do Programa de Pós-Graduação em Letras – Literatura Brasileira, da Universidade Federal do Ceará.

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