Publicação
Metalinguagem na obra \"De lingua Latina\" de Marcos Terêncio Varrão
| Resumo: | Da vasta obra do erudito Marcos Terêncio Varrão Reatino (setenta e quatro títulos e seiscentos e vinte livros) restam apenas o De re rustica (três livros), o De lingua Latina (seis livros dos vinte e cinco) e muitos fragmentos. O De lingua Latina, o primeiro tratado lingüístico conhecido no mundo romano, constitui o objeto desta tese, que se divide em três partes. A primeira parte apresenta uma breve biografia de Varrão (capítulo I); a segunda, em seis capítulos, examina a superestrutura da obra, ou seus aspectos externos: a metalinguagem que a caracteriza (II); sua composição (III); o padrão técnico e científico (IV); o estilo literário (V); o tom dialogal (VI) e finalmente a coesão e coerência textual (VII); e a terceira parte, também em seis capítulos, analisa a macroestrutura, isto é, os aspectos temáticos: as fontes varronianas (VIII); o enciclopedismo, a evolução da ars grammatica em Roma, o conceito de latinitas (IX); as bases étnicas do latim e suas origens ( X); a doutrina de Varrão nas áreas da etimologia (XI), morfologia (XII) e fonética (XIII). Esta tese mostra que o De língua Latina, na literatura latina, é uma longa metalinguagem do latim como código lingüístico dos romanos, tendo por objetivo a latinitas, isto é, o falar latim correto, norma e instrumento lingüístico apto para fomentar a unificação do Estado Romano. Esta tese procura também mostrar que, contrastando com o extremismo metodológico moderno pleno de mútua prevenção entre Filologia e Lingüística - Varrão conciliou, no estudo da língua, dois planos opostos mas simultaneamente conectados para a explicação do fenômeno: o plano histórico-diacrônico (da etimologia), que estabelece o léxico básico (impositio uerborum) e o sistêmico-sincrônico (gramática) que garante a estrutura da língua e sua expansão econômica (declinatio uerborum). Assim, Varrão abriu o caminho para aproximar temas importantes e sempre atuais: o uso lingüístico e a norma, a irregularidade e a regularidade, a liberdade criativa e a coercividade gramatical, a mutabilidade e a estabilidade, enfim, a anomalia e a analogia, pólos necessários ao equilíbrio e dinamismo da língua. |
|---|---|
| Autores principais: | Heitor Coradini |
| Ano: | 1999 |
| País: | Brasil |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | IBICT |
| Idioma: | português |
| Origem: | Oasisbr |
| Resumo: | Da vasta obra do erudito Marcos Terêncio Varrão Reatino (setenta e quatro títulos e seiscentos e vinte livros) restam apenas o De re rustica (três livros), o De lingua Latina (seis livros dos vinte e cinco) e muitos fragmentos. O De lingua Latina, o primeiro tratado lingüístico conhecido no mundo romano, constitui o objeto desta tese, que se divide em três partes. A primeira parte apresenta uma breve biografia de Varrão (capítulo I); a segunda, em seis capítulos, examina a superestrutura da obra, ou seus aspectos externos: a metalinguagem que a caracteriza (II); sua composição (III); o padrão técnico e científico (IV); o estilo literário (V); o tom dialogal (VI) e finalmente a coesão e coerência textual (VII); e a terceira parte, também em seis capítulos, analisa a macroestrutura, isto é, os aspectos temáticos: as fontes varronianas (VIII); o enciclopedismo, a evolução da ars grammatica em Roma, o conceito de latinitas (IX); as bases étnicas do latim e suas origens ( X); a doutrina de Varrão nas áreas da etimologia (XI), morfologia (XII) e fonética (XIII). Esta tese mostra que o De língua Latina, na literatura latina, é uma longa metalinguagem do latim como código lingüístico dos romanos, tendo por objetivo a latinitas, isto é, o falar latim correto, norma e instrumento lingüístico apto para fomentar a unificação do Estado Romano. Esta tese procura também mostrar que, contrastando com o extremismo metodológico moderno pleno de mútua prevenção entre Filologia e Lingüística - Varrão conciliou, no estudo da língua, dois planos opostos mas simultaneamente conectados para a explicação do fenômeno: o plano histórico-diacrônico (da etimologia), que estabelece o léxico básico (impositio uerborum) e o sistêmico-sincrônico (gramática) que garante a estrutura da língua e sua expansão econômica (declinatio uerborum). Assim, Varrão abriu o caminho para aproximar temas importantes e sempre atuais: o uso lingüístico e a norma, a irregularidade e a regularidade, a liberdade criativa e a coercividade gramatical, a mutabilidade e a estabilidade, enfim, a anomalia e a analogia, pólos necessários ao equilíbrio e dinamismo da língua. |
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