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Efeito do destreinamento na aptidão cardiorrespiratória de indivíduos pós-acidente vascular encefálico

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é uma doença cerebrovascular de alta prevalência, que a cada ano acomete 795000 de pessoas em todo mundo, dos quais 610000 foram caracterizados como primeiro episódio. Estes dados denotam que a recorrência da doença é comum e essa, por sua vez, gera aumento de sua gravidade. Altos níveis de atividade física estão associados à redução da incidência de AVE e ao risco de doenças cardiovasculares. A aptidão cardiorrespiratória, expressa pelo VO2pico, está reduzida em indivíduos pós-AVE, e pode indicar uma limitação na realização de atividades de vida diária. Um dos treinamentos frequentemente realizados por indivíduos pós-AVE e que pode melhorar a aptidão cardiorrespiratória é o exercício aeróbio. Contudo, a interrupção pode levar ao destreinamento, definido como a perda parcial ou completa das adaptações anatômicas, fisiológicas e de desempenho induzidas pelo treinamento. Entretanto, não foram encontrados estudos sobre o efeito do destreinamento a curto prazo (um mês) na aptidão cardiorrespiratória de indivíduos pós-AVE. Além disso, os resultados do efeito a longo prazo (mais de um mês), quando estudados nesses indivíduos, são conflitantes. Portanto, o objetivo deste estudo foi determinar o efeito do destreinamento a curto prazo (um mês) e a longo prazo (6 meses) na aptidão cardiorrespiratória (VO2pico) de indivíduos pós-AVE que participaram de um treinamento aeróbio. Os participantes do presente estudo foram divididos em grupo-ganho, aqueles que apresentaram um aumento mínimo de 1,3 ml.kg-1.min-1 no valor absoluto do VO2pico entre as avaliações inicial e imediatamente após o treinamento de 12 semanas, e grupo não-ganho, com mudança inferior a tal valor. O desfecho deste estudo foi a aptidão cardiorrespiratória, caracterizada pelo VO2pico obtido pelo Teste de Esforço Cardiopulmonar (TECP) realizado após um mês e seis meses do término do treinamento. As análises estatísticas foram realizadas por um pesquisador independente. Análise de variância (ANOVA) com dois fatores (tempo x grupo) com medidas repetidas no fator tempo e contrastes pré-planejados foi utilizada para comparar o VO2pico dos indivíduos dos dois grupos nos quatro momentos de avaliação: pré-intervenção, pós-intervenção, destreinamento a curto prazo (um mês pós-intervenção) e destreinamento a longo prazo (seis meses) pós-intervenção. Participaram do estudo 20 indivíduos, 12 no grupo ganho e 8 no grupo não-ganho, com média de idade de 57±11 anos e tempo de evolução pós-AVE de 56±52 meses. Segundo a ANOVA, houve interação significativa entre os fatores grupo e tempo (F=6,11; p=0,001). Contrastes pré-planejados mostraram que o grupo-ganho apresentou VO2pico significativamente superior ao grupo não-ganho imediatamente após a intervenção (F=25,86; p<0,001). Com o destreinamento a curto prazo, houve redução significativa deste VO2pico no grupo-ganho, atingindo valores similares ao grupo não-ganho e aos valores basais (F=14,81; p=0,001). Ambos os grupos apresentaram valores similares de VO2pico com o destreinamento a longo prazo (F=2,70; p=0,12), sem diferenças significativas aos valores observados na avaliação inicial e na avaliação do destreinamento a curto prazo (0,11≤p≤1,00). Os resultados deste estudo demonstraram que o ganho de aptidão cardiorrespiratória de indivíduos pós-AVE, obtido com três meses de treinamento e expresso pelo aumento significativo de VO2pico, foi completamente perdido a curto prazo (com um mês de destreinamento). Esses achados demonstram que o destreinamento dessa população se assemelha ao da população saudável, pois ocorre a curto prazo, e apontam para a importância de se manter o treinamento, sem interrupções, para que os ganhos obtidos na aptidão cardiorrespiratória de indivíduos na fase crônica do AVE não sejam perdidos.
Autores principais:Amanda Santos Pereira
Assunto:Acidentes vasculares cerebrais Aptidão cardiorrespiratória
Ano:2020
País:Brasil
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:IBICT
Idioma:português
Origem:Oasisbr
Descrição
Resumo:O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é uma doença cerebrovascular de alta prevalência, que a cada ano acomete 795000 de pessoas em todo mundo, dos quais 610000 foram caracterizados como primeiro episódio. Estes dados denotam que a recorrência da doença é comum e essa, por sua vez, gera aumento de sua gravidade. Altos níveis de atividade física estão associados à redução da incidência de AVE e ao risco de doenças cardiovasculares. A aptidão cardiorrespiratória, expressa pelo VO2pico, está reduzida em indivíduos pós-AVE, e pode indicar uma limitação na realização de atividades de vida diária. Um dos treinamentos frequentemente realizados por indivíduos pós-AVE e que pode melhorar a aptidão cardiorrespiratória é o exercício aeróbio. Contudo, a interrupção pode levar ao destreinamento, definido como a perda parcial ou completa das adaptações anatômicas, fisiológicas e de desempenho induzidas pelo treinamento. Entretanto, não foram encontrados estudos sobre o efeito do destreinamento a curto prazo (um mês) na aptidão cardiorrespiratória de indivíduos pós-AVE. Além disso, os resultados do efeito a longo prazo (mais de um mês), quando estudados nesses indivíduos, são conflitantes. Portanto, o objetivo deste estudo foi determinar o efeito do destreinamento a curto prazo (um mês) e a longo prazo (6 meses) na aptidão cardiorrespiratória (VO2pico) de indivíduos pós-AVE que participaram de um treinamento aeróbio. Os participantes do presente estudo foram divididos em grupo-ganho, aqueles que apresentaram um aumento mínimo de 1,3 ml.kg-1.min-1 no valor absoluto do VO2pico entre as avaliações inicial e imediatamente após o treinamento de 12 semanas, e grupo não-ganho, com mudança inferior a tal valor. O desfecho deste estudo foi a aptidão cardiorrespiratória, caracterizada pelo VO2pico obtido pelo Teste de Esforço Cardiopulmonar (TECP) realizado após um mês e seis meses do término do treinamento. As análises estatísticas foram realizadas por um pesquisador independente. Análise de variância (ANOVA) com dois fatores (tempo x grupo) com medidas repetidas no fator tempo e contrastes pré-planejados foi utilizada para comparar o VO2pico dos indivíduos dos dois grupos nos quatro momentos de avaliação: pré-intervenção, pós-intervenção, destreinamento a curto prazo (um mês pós-intervenção) e destreinamento a longo prazo (seis meses) pós-intervenção. Participaram do estudo 20 indivíduos, 12 no grupo ganho e 8 no grupo não-ganho, com média de idade de 57±11 anos e tempo de evolução pós-AVE de 56±52 meses. Segundo a ANOVA, houve interação significativa entre os fatores grupo e tempo (F=6,11; p=0,001). Contrastes pré-planejados mostraram que o grupo-ganho apresentou VO2pico significativamente superior ao grupo não-ganho imediatamente após a intervenção (F=25,86; p<0,001). Com o destreinamento a curto prazo, houve redução significativa deste VO2pico no grupo-ganho, atingindo valores similares ao grupo não-ganho e aos valores basais (F=14,81; p=0,001). Ambos os grupos apresentaram valores similares de VO2pico com o destreinamento a longo prazo (F=2,70; p=0,12), sem diferenças significativas aos valores observados na avaliação inicial e na avaliação do destreinamento a curto prazo (0,11≤p≤1,00). Os resultados deste estudo demonstraram que o ganho de aptidão cardiorrespiratória de indivíduos pós-AVE, obtido com três meses de treinamento e expresso pelo aumento significativo de VO2pico, foi completamente perdido a curto prazo (com um mês de destreinamento). Esses achados demonstram que o destreinamento dessa população se assemelha ao da população saudável, pois ocorre a curto prazo, e apontam para a importância de se manter o treinamento, sem interrupções, para que os ganhos obtidos na aptidão cardiorrespiratória de indivíduos na fase crônica do AVE não sejam perdidos.

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