Publicação
As ciências sociais e o inglês
| Resumo: | O presente artigo é uma reflexão sobre o predomínio da língua inglesa no contexto da globalização, analisando particularmente as implicações desse fenômeno para as ciências sociais. Na primeira parte faz-se uma análise crítica da literatura elaborada pelos lingüistas em relação à expansão da língua inglesa no mundo contemporâneo, focalizando-se particularmente a passagem do inglês como língua internacional para o inglês como língua mundial. Na segunda, discute-se a supremacia do inglês nas ciências da natureza e nas ciências sociais. O argumento central é que essas duas práticas científicas são distintas, isto é, se o inglês pode funcionar como língua franca nas ciências da natureza, isso é impossível no âmbito das ciências humanas. Nesse sentido, como a construção do objeto social se faz por meio da língua, como ele encontra-se ainda referido a um contexto histórico-geográfico específico, a produção em ciências sociais deve manter uma pluralidade de idiomas na sua confecção. Porém, se o predomínio de uma língua se impõe, isso se dá em função de uma hierarquização de poder no mercado de bens lingüísticos, no interior do qual elabora-se uma falsa aproximação entre a idéia de universal e de global. |
|---|---|
| Autores principais: | Ortiz,Renato |
| Assunto: | Mundialização Modernidade Cultura Identidade Nacional |
| Ano: | 2004 |
| País: | Brasil |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | IBICT |
| Idioma: | português |
| Origem: | Oasisbr |
| Resumo: | O presente artigo é uma reflexão sobre o predomínio da língua inglesa no contexto da globalização, analisando particularmente as implicações desse fenômeno para as ciências sociais. Na primeira parte faz-se uma análise crítica da literatura elaborada pelos lingüistas em relação à expansão da língua inglesa no mundo contemporâneo, focalizando-se particularmente a passagem do inglês como língua internacional para o inglês como língua mundial. Na segunda, discute-se a supremacia do inglês nas ciências da natureza e nas ciências sociais. O argumento central é que essas duas práticas científicas são distintas, isto é, se o inglês pode funcionar como língua franca nas ciências da natureza, isso é impossível no âmbito das ciências humanas. Nesse sentido, como a construção do objeto social se faz por meio da língua, como ele encontra-se ainda referido a um contexto histórico-geográfico específico, a produção em ciências sociais deve manter uma pluralidade de idiomas na sua confecção. Porém, se o predomínio de uma língua se impõe, isso se dá em função de uma hierarquização de poder no mercado de bens lingüísticos, no interior do qual elabora-se uma falsa aproximação entre a idéia de universal e de global. |
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