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Trabalho doméstico, relações de gênero e educação: um estudo com educandas/os da EJA

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Esta pesquisa desenvolveu-se com estudantes da EJA que atuavam como trabalhadores domésticos. Buscamos analisar as relações de gênero construídas e vivenciadas por estes trabalhadores e compreender como se dava a interpretação de atribuições muitasvezes destinadas a mulheres e aparentemente aceitas como algo natural, nos discursos dos participantes deste estudo, que em alguns casos são mãe, pai, filha, filho, esposa, dona de casa, trabalhador/trabalhadora doméstico(a). Para isso utilizamos, para a coleta de dados, entrevistas semiestruturadas. A pesquisa surge quando constatamos que a infrequência às aulas da EJA, por parte das mulheres é superior à dos homens e, descobrimos que a causa deste fenômeno consiste no fato de trabalharem como empregadas domésticas e muitas residirem no local de trabalho. Partimos da hipótese de que nos grupos sociais que correspondem a estudantes da EJA, ocorre a naturalização de funções e a atribuição de exclusiva responsabilidade às mulheres no que diz respeito às tarefas de cuidado, ou tarefas domésticas. Verificamos que, praticamente todos ossujeitos pesquisados encaram o direcionamento de meninas e mulheres para as atribuições domésticas e de cuidado como algo natural. Vimos que a situação de miserabilidade em que nasceram e cresceram e a ausência de acesso a políticas públicas que as atendessem adequadamente é o que fez com que essas pessoas integrassem no mundo do trabalho ainda na infância.Percebemos, nas entrevistas, que o cansaço decorrente da extensão da jornada de trabalho situa-se em seus discursos como a maior dificuldade apontada para permanecerem na escola. Concluímos, dentre outras coisas, que o processo de inferiorização de mulheres negras se mantém ao longo da história como resultado de herança cultural e faz com que situações de exploração de mão de obra doméstica sejam tratadas com certa naturalidade por empregados e empregadores.
Autores principais:Ludimila Correa Bastos
Assunto:Gênero Trabalho doméstico Eja Gêneros Aspectos sociais Trabalhadores Educação Trabalhadores Condições sociais Trabalho feminino Educação de adultos
Ano:2019
País:Brasil
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:IBICT
Idioma:português
Origem:Oasisbr
Descrição
Resumo:Esta pesquisa desenvolveu-se com estudantes da EJA que atuavam como trabalhadores domésticos. Buscamos analisar as relações de gênero construídas e vivenciadas por estes trabalhadores e compreender como se dava a interpretação de atribuições muitasvezes destinadas a mulheres e aparentemente aceitas como algo natural, nos discursos dos participantes deste estudo, que em alguns casos são mãe, pai, filha, filho, esposa, dona de casa, trabalhador/trabalhadora doméstico(a). Para isso utilizamos, para a coleta de dados, entrevistas semiestruturadas. A pesquisa surge quando constatamos que a infrequência às aulas da EJA, por parte das mulheres é superior à dos homens e, descobrimos que a causa deste fenômeno consiste no fato de trabalharem como empregadas domésticas e muitas residirem no local de trabalho. Partimos da hipótese de que nos grupos sociais que correspondem a estudantes da EJA, ocorre a naturalização de funções e a atribuição de exclusiva responsabilidade às mulheres no que diz respeito às tarefas de cuidado, ou tarefas domésticas. Verificamos que, praticamente todos ossujeitos pesquisados encaram o direcionamento de meninas e mulheres para as atribuições domésticas e de cuidado como algo natural. Vimos que a situação de miserabilidade em que nasceram e cresceram e a ausência de acesso a políticas públicas que as atendessem adequadamente é o que fez com que essas pessoas integrassem no mundo do trabalho ainda na infância.Percebemos, nas entrevistas, que o cansaço decorrente da extensão da jornada de trabalho situa-se em seus discursos como a maior dificuldade apontada para permanecerem na escola. Concluímos, dentre outras coisas, que o processo de inferiorização de mulheres negras se mantém ao longo da história como resultado de herança cultural e faz com que situações de exploração de mão de obra doméstica sejam tratadas com certa naturalidade por empregados e empregadores.

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