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Focar aqui dentro, (não) esquecer lá fora: afetos e formas de habitar o cotidiano em uma unidade socioeducativa de internação no Rio de Janeiro

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Resumo:Esta etnografia é sobre como jovens em cumprimento de medida socioeducativa de internação criam formas de habitar o cotidiano da privação da liberdade. Nesse sentido, explora as diferentes modalidades de agência desses atores tecidas em meio ao medo e a desconfiança, tomando os afetos como fio condutor da narrativa. Este trabalho foi realizado por meio de 10 oficinas com dois grupos de jovens no Centro de Socioeducação Dom Bosco, unidade de internação masculina no município do Rio de Janeiro.  Partindo dos debates contemporâneos sobre os espaços de confinamento que não os tomam como instituições totais, mas como tecnologia de regulação de fluxos, gerindo a circulação de pessoas, objetos e artefatos através de seus muros, o objetivo do trabalho é explorar como nessas conexões e circulações os jovens criam formas de habitar a internação. Assim, o trabalho apresenta inicialmente a atmosfera do medo e os afetos hostis que fazem o cotidiano da privação de liberdade, acompanhando a seguir os modos pelos quais os jovens tecem possibilidades de existência ao se apropriarem de determinadas categorias e normativas institucionais, bem como pelos modos como constroem um nóis é coletivo e produzem a sua própria circulação pelo espaço institucional. Nesses circuitos também fazem entrar, agenciando alguns atores institucionais como vasos comunicantes entre o dentro e o fora, alguns objetos e mediadores que os transportam para suas vidas fora da internação. Desse modo, recriam fragmentos dessa vida no interior do cárcere, produzindo uma rede de infraestrutura em um cenário de precariedade; ao mesmo tempo em que se transportam para fora sem sair da instituição. Acompanhamos, portanto, os modos como os jovens agem com o medo, a partir dele e contra ele de modo a fazer a vida vivível na internação, servindo de inspiração também para que esse texto seja uma forma de escrita contra o medo.
Autores principais:Camatta, Clara da Silva
Assunto:Agência Afeto Socioeducação Adolescentes em conflito com a lei Agency Affect Juvenile Justice System Young people in conflict with the law CIENCIAS DA SAUDE::SAUDE COLETIVA
Ano:2023
País:Brasil
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:IBICT
Idioma:português
Origem:Oasisbr
Descrição
Resumo:Esta etnografia é sobre como jovens em cumprimento de medida socioeducativa de internação criam formas de habitar o cotidiano da privação da liberdade. Nesse sentido, explora as diferentes modalidades de agência desses atores tecidas em meio ao medo e a desconfiança, tomando os afetos como fio condutor da narrativa. Este trabalho foi realizado por meio de 10 oficinas com dois grupos de jovens no Centro de Socioeducação Dom Bosco, unidade de internação masculina no município do Rio de Janeiro.  Partindo dos debates contemporâneos sobre os espaços de confinamento que não os tomam como instituições totais, mas como tecnologia de regulação de fluxos, gerindo a circulação de pessoas, objetos e artefatos através de seus muros, o objetivo do trabalho é explorar como nessas conexões e circulações os jovens criam formas de habitar a internação. Assim, o trabalho apresenta inicialmente a atmosfera do medo e os afetos hostis que fazem o cotidiano da privação de liberdade, acompanhando a seguir os modos pelos quais os jovens tecem possibilidades de existência ao se apropriarem de determinadas categorias e normativas institucionais, bem como pelos modos como constroem um nóis é coletivo e produzem a sua própria circulação pelo espaço institucional. Nesses circuitos também fazem entrar, agenciando alguns atores institucionais como vasos comunicantes entre o dentro e o fora, alguns objetos e mediadores que os transportam para suas vidas fora da internação. Desse modo, recriam fragmentos dessa vida no interior do cárcere, produzindo uma rede de infraestrutura em um cenário de precariedade; ao mesmo tempo em que se transportam para fora sem sair da instituição. Acompanhamos, portanto, os modos como os jovens agem com o medo, a partir dele e contra ele de modo a fazer a vida vivível na internação, servindo de inspiração também para que esse texto seja uma forma de escrita contra o medo.

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