Publicação
Acento tonal pré-nuclear ascendente no português brasileiro: comparação com a fala disártica parkinsoniana
| Resumo: | Esta dissertação investiga a realização do acento pré-nuclear ascendente em português brasileiro. Seguindo os princípios da Teoria Métrica Autossegmental e da Fonologia Prosódica, a literatura apresenta duas representações para esse acento, L*+H e L+H*, sinalizando variação no alinhamento dos tons. Assim, objetivou-se esclarecer sua implementação fonética para, então, discutir sua representação fonológica. Além disso, procurou-se dialogar com as hipóteses de ancoragem, que propõem uma fixação dos alvos tonais à cadeia segmental. Para tanto, partindo do conceito de experimento natural, além da análise da fala de indivíduos saudáveis (CNT), analisou-se a fala de pacientes acometidos pela Doença de Parkinson (DP). Um experimento natural consiste em analisar um fenômeno num grupo que, por determinada patologia, naturalmente mostra alterações no fenômeno. Visa-se conhecer mais a respeito desse fenômeno em indivíduos saudáveis. Por suas restrições fonoarticulatórias devido à disartria, a DP pode lançar luz sobre a implementação fonética do acento pré-nuclear. Investigaram-se a distância entre os alvos tonais, as posições deles em relação às fronteiras da sílaba, suas alturas, a excursão e a taxa de variação de f0. Ademais, investigou-se a influência do ambiente entoacional precedente e da presença de fronteiras de unidades acima do nível da palavra - phrases. Observou-se que o vale se encontra nas regiões da fronteira inicial da sílaba tônica, adentrando-a quando o onset é vozeado. O pico, por sua vez, encontra-se na região final da vogal tônica, deslocando-se à direita nessa mesma condição. O alvo L é mais sensível às pressões do ambiente entoacional precedente, ficando o vale mais à direita quanto mais alto for o pico precedente. H sofre menos essas influências. A análise em DP mostrou vogais mais longas do que em CNT, e, com isso, o pico alinhava-se mais cedo. Assim, analisar DP contribuiu ao mostrar que H se realiza preferencialmente na vogal tônica quando há mais tempo (ou espaço silábico) disponível. Isso foi confirmado em CNT em contextos em que o acento pré-nuclear era sucedido por fronteiras de phrases. Nessas ocasiões, a vogal também foi mais longa e o pico foi realizado mais no interior da sílaba. De forma geral, esse estudo constatou uma maior instabilidade do alvo L e uma maior estabilidade de H. Por esses fatos, crê- se que a representação mais adequada para o acento pré-nuclear ascendente em português brasileiro é L+H*. Quanto à implementação fonética, observou-se que os alvos tonais se realizaram em regiões específicas (limites da sílaba tônica), porém sem a estabilidade rígida prevista nas versões conservadoras da hipótese de ancoragem. Além disso, viu-se que a taxa de variação de f0 é o parâmetro mais estável entre os analisados e que a altura dos alvos tonais muda com seus deslocamentos. A partir disso, interpretou-se que os falantes de português brasileiro precisam realizar um movimento de f0 que é codificado com uma dada taxa de variação, mas ajusta-o conforme as restrições temporais presentes na implementação fonética. São essas pressões temporais que farão com que o acento se desloque como um todo para a direita, podendo H ser realizado na sílaba postônica. |
|---|---|
| Autores principais: | Marcelo Augusto da Silva Vieira |
| Assunto: | Doença de Parkinson fonologia entoacional disartria entoação acento pré-nuclear alinhamento tonal Língua portuguesa Acentos e acentuação Parkinson, Doença de Língua portuguesa Fonologia Língua portuguesa Fonética Língua portuguesa Entonação Língua portuguesa Análise prosódica (Linguística) |
| Ano: | 2019 |
| País: | Brasil |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | IBICT |
| Idioma: | português |
| Origem: | Oasisbr |
| Resumo: | Esta dissertação investiga a realização do acento pré-nuclear ascendente em português brasileiro. Seguindo os princípios da Teoria Métrica Autossegmental e da Fonologia Prosódica, a literatura apresenta duas representações para esse acento, L*+H e L+H*, sinalizando variação no alinhamento dos tons. Assim, objetivou-se esclarecer sua implementação fonética para, então, discutir sua representação fonológica. Além disso, procurou-se dialogar com as hipóteses de ancoragem, que propõem uma fixação dos alvos tonais à cadeia segmental. Para tanto, partindo do conceito de experimento natural, além da análise da fala de indivíduos saudáveis (CNT), analisou-se a fala de pacientes acometidos pela Doença de Parkinson (DP). Um experimento natural consiste em analisar um fenômeno num grupo que, por determinada patologia, naturalmente mostra alterações no fenômeno. Visa-se conhecer mais a respeito desse fenômeno em indivíduos saudáveis. Por suas restrições fonoarticulatórias devido à disartria, a DP pode lançar luz sobre a implementação fonética do acento pré-nuclear. Investigaram-se a distância entre os alvos tonais, as posições deles em relação às fronteiras da sílaba, suas alturas, a excursão e a taxa de variação de f0. Ademais, investigou-se a influência do ambiente entoacional precedente e da presença de fronteiras de unidades acima do nível da palavra - phrases. Observou-se que o vale se encontra nas regiões da fronteira inicial da sílaba tônica, adentrando-a quando o onset é vozeado. O pico, por sua vez, encontra-se na região final da vogal tônica, deslocando-se à direita nessa mesma condição. O alvo L é mais sensível às pressões do ambiente entoacional precedente, ficando o vale mais à direita quanto mais alto for o pico precedente. H sofre menos essas influências. A análise em DP mostrou vogais mais longas do que em CNT, e, com isso, o pico alinhava-se mais cedo. Assim, analisar DP contribuiu ao mostrar que H se realiza preferencialmente na vogal tônica quando há mais tempo (ou espaço silábico) disponível. Isso foi confirmado em CNT em contextos em que o acento pré-nuclear era sucedido por fronteiras de phrases. Nessas ocasiões, a vogal também foi mais longa e o pico foi realizado mais no interior da sílaba. De forma geral, esse estudo constatou uma maior instabilidade do alvo L e uma maior estabilidade de H. Por esses fatos, crê- se que a representação mais adequada para o acento pré-nuclear ascendente em português brasileiro é L+H*. Quanto à implementação fonética, observou-se que os alvos tonais se realizaram em regiões específicas (limites da sílaba tônica), porém sem a estabilidade rígida prevista nas versões conservadoras da hipótese de ancoragem. Além disso, viu-se que a taxa de variação de f0 é o parâmetro mais estável entre os analisados e que a altura dos alvos tonais muda com seus deslocamentos. A partir disso, interpretou-se que os falantes de português brasileiro precisam realizar um movimento de f0 que é codificado com uma dada taxa de variação, mas ajusta-o conforme as restrições temporais presentes na implementação fonética. São essas pressões temporais que farão com que o acento se desloque como um todo para a direita, podendo H ser realizado na sílaba postônica. |
|---|
Atividades financiadas
Não foram encontrados projetos financiados.