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O sujeito encarnado: um ensaio sobre a teoria enativa da percepção.

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Resumo:Esta dissertação visa propor uma descrição ativa e experencial da percepção, em contraposição ao modelo passivo e representacionista ainda hegemônico no campo das ciências cognitivas. Como fio condutor utiliza-se a teoria enativa desenvolvida pelo biólogo Francisco Varela, que defende um caráter necessariamente encarnado, ativo e contextual da percepção. O conceito de enação (cognição como ação perceptivamente guiada) é proposto à luz de experimentos psicofísicos e neurofisiológicos que questionam o caráter internalista e localizacionista da cognição, oferecendo como contraponto uma descrição externalista, experencial e emergente desta. O conceito de emergência permite entender a cognição como um fenômeno complexo de dinâmica não-linear, distribuído em extensas redes neurais e necessariamente contextualizado. Utilizando recentes pesquisas em neurofisiologia e neurobiologia do desenvolvimento procura-se expandir as idéias originais de Francisco Varela acerca da enação e discutir de que maneira estes conhecimentos podem ser úteis para o campo da saúde mental. É sugerido um olhar menos estratificado das divisões entre mente-corpo-mundo, assinalando a necessidade de descrições sempre contextualizadas e contingentes do ser humano. Enfatiza-se a seguir o caráter constitutivo da experiência no desenvolvimento de uma subjetividade encarnada e única. O acento na experiência e na plasticidade permite desconstruir leituras reducionistas e eliminativistas do determinismo genético, salientando a importância do ambiente, da história de vida e da prática territorial cotidiana nos dispositivos extra-hospitalares da Reforma Psiquiátrica.
Autores principais:Pimenta, Juliana Silva
Assunto:Embodiment percepção emergência Francisco Varela saúde mental CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::SAUDE COLETIVA
Ano:2020
País:Brasil
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:IBICT
Idioma:português
Origem:Oasisbr
Descrição
Resumo:Esta dissertação visa propor uma descrição ativa e experencial da percepção, em contraposição ao modelo passivo e representacionista ainda hegemônico no campo das ciências cognitivas. Como fio condutor utiliza-se a teoria enativa desenvolvida pelo biólogo Francisco Varela, que defende um caráter necessariamente encarnado, ativo e contextual da percepção. O conceito de enação (cognição como ação perceptivamente guiada) é proposto à luz de experimentos psicofísicos e neurofisiológicos que questionam o caráter internalista e localizacionista da cognição, oferecendo como contraponto uma descrição externalista, experencial e emergente desta. O conceito de emergência permite entender a cognição como um fenômeno complexo de dinâmica não-linear, distribuído em extensas redes neurais e necessariamente contextualizado. Utilizando recentes pesquisas em neurofisiologia e neurobiologia do desenvolvimento procura-se expandir as idéias originais de Francisco Varela acerca da enação e discutir de que maneira estes conhecimentos podem ser úteis para o campo da saúde mental. É sugerido um olhar menos estratificado das divisões entre mente-corpo-mundo, assinalando a necessidade de descrições sempre contextualizadas e contingentes do ser humano. Enfatiza-se a seguir o caráter constitutivo da experiência no desenvolvimento de uma subjetividade encarnada e única. O acento na experiência e na plasticidade permite desconstruir leituras reducionistas e eliminativistas do determinismo genético, salientando a importância do ambiente, da história de vida e da prática territorial cotidiana nos dispositivos extra-hospitalares da Reforma Psiquiátrica.

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