Publicação

Sedação para eletroencefalografia com dexmedetomidina ou hidrato de cloral: estudo comparativo do padrão do eletroencefalograma e dos efeitos clínicos

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Sedação para eletroencefalografia em pacientes incapazes de cooperar com as instruções é assunto controverso, porque a maioria dos fármacos sedativos, hipnóticos e anestésicos gerais interfere na atividade elétrica cerebral e, portanto pode prejudicar a interpretação do eletroencefalograma (EEG). Hidrato de cloral (HC) é o sedativo tradicionalmente usado durante esse procedimento e, recentemente, a dexmedetomidina (DEX) tem sido utilizada, pois dados preliminares sugerem que esse fármaco não altera o EEG. O objetivo do presente estudo foi avaliar e comparar o uso desses dois fármacos durante sedação para eletroencefalografia, para testar a hipótese de que ambos produzem efeitos similares. Foram incluídos no estudo 17 pacientes que realizaram dois exames em ocasiões distintas, sob sedação com um ou outro fármaco. Comparou-se as variáveis qualitativas (padrão do sono e atividade de base) e quantitativas (densidade, duração e amplitude dos fusos do sono, potência espectral e frequência dominante) do EEG. Comparou-se ainda eficácia, efeitos hemodinâmicos e adversos dos fármacos, além da duração do procedimento e do tempo de despertar dos pacientes. Os resultados demonstraram que a atividade de base do EEG não diferiu entre os sedativos, bem como a duração, densidade e amplitude dos fusos do sono. A potência foi maior nas bandas delta e teta e menor nas bandas alfa e, principalmente, beta, nos exames realizados com DEX. A frequência dominante beta não diferiu. A potência total foi maior com HC. Esse último fármaco apresentou ainda menos eficácia sedativa. A frequência cardíaca (FC) foi menor com DEX e pressão arterial (PA) não diferiu entre eles. Obstrução de via aérea foi mais frequente com HC, mas outros eventos adversos foram similares. A duração do procedimento foi menor com DEX e o tempo de despertar não diferiu. Concluiu-se que as variações na potência não comprometeram a ativadade de base do EEG e as características dos fusos do sono, que foram semelhantes entre DEX e HC. DEX agregou vantagens de maior eficácia e menor duração do procedimento. Embora confirme que ambos os fármacos podem ser usados para sedação durante EEG, o presente estudo destaca que o comportamento deles frente à potência das ondas cerebrais não é semelhante e abre caminhos para novas pesquisas que objetivem comparar os efeitos de fármacos sobre o EEG. Palavras-chave: Sedação. Eletroencefalografia.
Autores principais:Magda Lourenco Fernandes
Assunto:Eletroencefalografia Eletroencefalograma Sedação Dexmedetomidina Hidrato de cloral Eletroencefalografia Estudo comparativo Sedação profunda Analgésicos/farmacologia Monitorização Intraoperatória Anestesia Dexmedetomidina Hidrato de cloral Pacientes
Ano:2019
País:Brasil
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:IBICT
Idioma:português
Origem:Oasisbr
Descrição
Resumo:Sedação para eletroencefalografia em pacientes incapazes de cooperar com as instruções é assunto controverso, porque a maioria dos fármacos sedativos, hipnóticos e anestésicos gerais interfere na atividade elétrica cerebral e, portanto pode prejudicar a interpretação do eletroencefalograma (EEG). Hidrato de cloral (HC) é o sedativo tradicionalmente usado durante esse procedimento e, recentemente, a dexmedetomidina (DEX) tem sido utilizada, pois dados preliminares sugerem que esse fármaco não altera o EEG. O objetivo do presente estudo foi avaliar e comparar o uso desses dois fármacos durante sedação para eletroencefalografia, para testar a hipótese de que ambos produzem efeitos similares. Foram incluídos no estudo 17 pacientes que realizaram dois exames em ocasiões distintas, sob sedação com um ou outro fármaco. Comparou-se as variáveis qualitativas (padrão do sono e atividade de base) e quantitativas (densidade, duração e amplitude dos fusos do sono, potência espectral e frequência dominante) do EEG. Comparou-se ainda eficácia, efeitos hemodinâmicos e adversos dos fármacos, além da duração do procedimento e do tempo de despertar dos pacientes. Os resultados demonstraram que a atividade de base do EEG não diferiu entre os sedativos, bem como a duração, densidade e amplitude dos fusos do sono. A potência foi maior nas bandas delta e teta e menor nas bandas alfa e, principalmente, beta, nos exames realizados com DEX. A frequência dominante beta não diferiu. A potência total foi maior com HC. Esse último fármaco apresentou ainda menos eficácia sedativa. A frequência cardíaca (FC) foi menor com DEX e pressão arterial (PA) não diferiu entre eles. Obstrução de via aérea foi mais frequente com HC, mas outros eventos adversos foram similares. A duração do procedimento foi menor com DEX e o tempo de despertar não diferiu. Concluiu-se que as variações na potência não comprometeram a ativadade de base do EEG e as características dos fusos do sono, que foram semelhantes entre DEX e HC. DEX agregou vantagens de maior eficácia e menor duração do procedimento. Embora confirme que ambos os fármacos podem ser usados para sedação durante EEG, o presente estudo destaca que o comportamento deles frente à potência das ondas cerebrais não é semelhante e abre caminhos para novas pesquisas que objetivem comparar os efeitos de fármacos sobre o EEG. Palavras-chave: Sedação. Eletroencefalografia.

Atividades financiadas

Não foram encontrados projetos financiados.