Publicação
Efeitos da temperatura ambiente na mortalidade por infarto agudo do miocárdio
| Resumo: | O infarto agudo do miocárdio (IAM) é a principal causa de morte no Brasil. Estudos dos efeitos da temperatura na mortalidade por IAM vêm sendo desenvolvidos em diversos países, mas no Brasil existem poucas investigações. Este trabalho objetiva analisar a influência da temperatura do ar na mortalidade por IAM e o efeito modificador da cobertura de estratégia de saúde da família (ESF) nesta associação no Brasil. Foram utilizados dados de mortalidade por IAM, cobertura de ESF e populacionais do DATASUS. Dados de temperatura diária foram obtidos por reanálise (ERA-Interim). Para estudo da tendência anual de mortalidade por IAM foram feitas correções nas taxas de mortalidade por causas mal definidas, códigos-lixo e subregistro. As séries temporais foram analisadas utilizando a técnica de regressão linear segmentada por Jointpoint. Para investigar o efeito da temperatura ambiental na mortalidade por IAM foram considerados os registros diários de óbitos por IAM e de temperatura ambiente utilizando o modelo não linear de atraso distribuído (DLNM). Para analisar o efeito modificador da Cobertura da ESF na associação entre temperatura ambiente e mortalidade por IAM foi realizada análise em duas etapas com estimação do risco relativo em cada microrregião e depois meta análise e meta regressão por região com os dados de Cobertura da ESF. Os resultados mostraram que a mortalidade diminuiu mais no sexo feminino (-2,2%;IC95%:-2,5;-1,9) do que no masculino (-1,7%;IC95%:-1,9;-1,4) e mais nas capitais (-3,8%;IC95%:-4,3;-3,3) do que no interior (-1,5%;IC95%:-1,8;-1,3). Houve aumento para homens residentes no interior do Norte (3,3;IC95%:1,3;5,4) e Nordeste (1,3%;IC95%:1,0;1,6). As regiões Norte e Nordeste não apresentaram associação entre temperatura e mortalidade por IAM. A temperatura de menor risco variou entre 22°C e 28°C, respectivamente em Porto Alegre e em Brasília. As baixas temperaturas associadas ao maior risco de mortalidade foram observadas nas mesmas áreas, variando entre 5°C e 15°C. Quanto às altas temperaturas o risco máximo foi observado na temperatura média diária 31.3°C no Rio de Janeiro. O número de óbitos atribuíveis ao frio foi 597/ano, e os atribuíveis ao calor em média de 117/ano em seis microrregiões estudadas. A região Sudeste teve associação entre temperatura e óbitos por IAM no frio extremo (RR:1,28;IC95%:1,23-1,32); frio moderado (RR:1,12; IC95%: 1,08 – 1,15); calor moderado (RR:1,07;IC95%:1,04–1,11) e calor extremo (RR:1,23;IC95%:1,13–1,35). As regiões Sul e Centro-Oeste só tiveram associação com o frio, com valores de RR maiores para o Sul (frio extremo:1,41;IC95%:1,29–1,54; frio moderado: 1,18;IC95%1.09-1.27) do que para o Centro-Oeste (frio extremo:1,27;IC95%:1,14-1,40; frio moderado: 1,13; IC95%:1,05–1,23). Não houve modificação de efeito do nível de cobertura da ESF na associação entre temperatura e mortalidade por IAM em nenhuma grande região. O Brasil é um país marcado por desigualdades importantes entre as regiões que aparecem nestes resultados. Com as mudanças climáticas e o aquecimento global os eventos extremos de temperatura estão sendo frequentes impactando na morbimortalidade da população e demandando medidas para reduzir este impacto. Este estudo mostra os efeitos da temperatura na mortalidade por IAM e alerta para necessidade de capacitar os serviços de atenção primária para lidar com este fator de risco. |
|---|---|
| Autores principais: | Ferreira, Letícia de Castro Martins |
| Assunto: | CNPQ::CIENCIAS DA SAUDE::SAUDE COLETIVA Estudo de séries temporais Mortalidade Infarto agudo do miocárdio Temperatura ambiente Estratégia saúde da família Time series Mortality Acute myocardial infarction Temperature Family health strategy |
| Ano: | 2020 |
| País: | Brasil |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | unknown |
| Instituição associada: | IBICT |
| Idioma: | português |
| Origem: | Oasisbr |
| Resumo: | O infarto agudo do miocárdio (IAM) é a principal causa de morte no Brasil. Estudos dos efeitos da temperatura na mortalidade por IAM vêm sendo desenvolvidos em diversos países, mas no Brasil existem poucas investigações. Este trabalho objetiva analisar a influência da temperatura do ar na mortalidade por IAM e o efeito modificador da cobertura de estratégia de saúde da família (ESF) nesta associação no Brasil. Foram utilizados dados de mortalidade por IAM, cobertura de ESF e populacionais do DATASUS. Dados de temperatura diária foram obtidos por reanálise (ERA-Interim). Para estudo da tendência anual de mortalidade por IAM foram feitas correções nas taxas de mortalidade por causas mal definidas, códigos-lixo e subregistro. As séries temporais foram analisadas utilizando a técnica de regressão linear segmentada por Jointpoint. Para investigar o efeito da temperatura ambiental na mortalidade por IAM foram considerados os registros diários de óbitos por IAM e de temperatura ambiente utilizando o modelo não linear de atraso distribuído (DLNM). Para analisar o efeito modificador da Cobertura da ESF na associação entre temperatura ambiente e mortalidade por IAM foi realizada análise em duas etapas com estimação do risco relativo em cada microrregião e depois meta análise e meta regressão por região com os dados de Cobertura da ESF. Os resultados mostraram que a mortalidade diminuiu mais no sexo feminino (-2,2%;IC95%:-2,5;-1,9) do que no masculino (-1,7%;IC95%:-1,9;-1,4) e mais nas capitais (-3,8%;IC95%:-4,3;-3,3) do que no interior (-1,5%;IC95%:-1,8;-1,3). Houve aumento para homens residentes no interior do Norte (3,3;IC95%:1,3;5,4) e Nordeste (1,3%;IC95%:1,0;1,6). As regiões Norte e Nordeste não apresentaram associação entre temperatura e mortalidade por IAM. A temperatura de menor risco variou entre 22°C e 28°C, respectivamente em Porto Alegre e em Brasília. As baixas temperaturas associadas ao maior risco de mortalidade foram observadas nas mesmas áreas, variando entre 5°C e 15°C. Quanto às altas temperaturas o risco máximo foi observado na temperatura média diária 31.3°C no Rio de Janeiro. O número de óbitos atribuíveis ao frio foi 597/ano, e os atribuíveis ao calor em média de 117/ano em seis microrregiões estudadas. A região Sudeste teve associação entre temperatura e óbitos por IAM no frio extremo (RR:1,28;IC95%:1,23-1,32); frio moderado (RR:1,12; IC95%: 1,08 – 1,15); calor moderado (RR:1,07;IC95%:1,04–1,11) e calor extremo (RR:1,23;IC95%:1,13–1,35). As regiões Sul e Centro-Oeste só tiveram associação com o frio, com valores de RR maiores para o Sul (frio extremo:1,41;IC95%:1,29–1,54; frio moderado: 1,18;IC95%1.09-1.27) do que para o Centro-Oeste (frio extremo:1,27;IC95%:1,14-1,40; frio moderado: 1,13; IC95%:1,05–1,23). Não houve modificação de efeito do nível de cobertura da ESF na associação entre temperatura e mortalidade por IAM em nenhuma grande região. O Brasil é um país marcado por desigualdades importantes entre as regiões que aparecem nestes resultados. Com as mudanças climáticas e o aquecimento global os eventos extremos de temperatura estão sendo frequentes impactando na morbimortalidade da população e demandando medidas para reduzir este impacto. Este estudo mostra os efeitos da temperatura na mortalidade por IAM e alerta para necessidade de capacitar os serviços de atenção primária para lidar com este fator de risco. |
|---|
Atividades financiadas
Não foram encontrados projetos financiados.