Publicação
Vigilância das meningites na Região Metropolitana de Belo Horizonte, MG, 1999: o uso dos sistemas de informação em saúde e o método da captura-recaptura na estimação da incidência e da subnotificação
| Resumo: | Estudo sobre a vigilância das meningites na Região Metropolitana de Belo Horizonte, MG, em 1999, utilizando-se os dados do SINAN, do SIH-SUS e do SIM, na descrição dos casos, na verificação da validade e da confiabilidade da informação disponível e nos cálculos da incidência e da subnotificação da doença após estimativas do total de casos pela metodologia de captura-recaptura. Foram identificados 1.320 casos de meningite, sendo 716 (54,2%) registrados no SINAN [587 confirmados (82,0%), 76 descartados (10,6%) e 53 sem informação (7,4%)]; 551 (41,8%) no SIH-SUS e 53 no SIM (4,0%). Correspondiam a 918casos distintos, com 17 (1,9%) comuns às três fontes, 346 (37,7%) ao SIH-SUS e SINAN; 14 (1,5%) ao SINAN e SIM; 8 (0,9%) ao SIH-SUS e SIM; 339 casos (36,9%) apenas no SINAN, 180 (19,6%) no SIH-SUS e 14 (1,0%) no SIM. No SINAN, entre os confirmados, 254 casos (43,9%) eram de meningites bacterianas [97 (16,6%) meningocócicas, 37 (6,3%) pneumocócicas, 24 (4,1%) por hemófilo]; 87 (14,7%), bacterianas não especificadas; 209 (35,7%) virais; 59 (10,1%) não especificadas. Em um caso faltava a informação. O SINAN apresentava campos com 100% de preenchimento os de identificação e residência do paciente e com menos de 10% como os sobre contato com casos semelhantes. Através dos modelos probabilísticos de captura-recaptura, estimouse em 1.087 os casos de meningite (IC 95%: 1033;1166) considerando-se duasfontes (SINAN e SIH-SUS) estimador de Lincoln e Petersen 1.085 casos (IC 95%: 1.046;1.137) - modelo M t - e 1.100 (IC 95%: 1.061;1.150) usando-se três fontes - modelo Mt. As sensibilidades do SINAN e do SIH-SUS foram de 66% e 51%, respectivamente, para duas fontes, e de 65% e 50% para três fontes. A incidência de meningite foi de 17,7 por 100.000, sendo de 14,5 a dos casos confirmados. O coeficiente de incidência dos casos estimados pela capturarecaptura foi de 27 por 100.000 habitantes. As subnotificações foram de 34% e 35% no SINAN e 49% e 50% no SIH-SUS, baseando-se, respectiva-mente, nas estimativas com duas e três fontes. Concluiu-se que: apesar da incompletude de dados referentes ao perfil clínico, epidemiológico e diagnóstico, eles foram suficientes para descrever um quadro das meningites consistente com a literatura; o SIH-SUS pode contribuir com a vigilância epidemiológica, mas, sua utilização rotineira depende de ajustes em variados campos de informação; o uso de fontes complementares melhora a sensibilidade do sistema de vigilânciatradicional; a metodologia de captura-recaptura representa uma alternativa de referência do total de casos; um terço dos pacientes e seus contatos não foram registrados pelo sistema o que pode ter limitado as ações de prevenção e tratamento, importantes para a diminuição de seqüelas e da letalidade. |
|---|---|
| Autores principais: | Maria da Conceicao Juste Werneck Cortes |
| Assunto: | Meningite Notificação de doenças Vigilância epidemiológica Sistemas de informação Saúde pública Notificação de doenças/métodos Medicina tropical Meningite Vigilância epidemiológica Sistemas de informação |
| Ano: | 2019 |
| País: | Brasil |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | IBICT |
| Idioma: | português |
| Origem: | Oasisbr |
| Resumo: | Estudo sobre a vigilância das meningites na Região Metropolitana de Belo Horizonte, MG, em 1999, utilizando-se os dados do SINAN, do SIH-SUS e do SIM, na descrição dos casos, na verificação da validade e da confiabilidade da informação disponível e nos cálculos da incidência e da subnotificação da doença após estimativas do total de casos pela metodologia de captura-recaptura. Foram identificados 1.320 casos de meningite, sendo 716 (54,2%) registrados no SINAN [587 confirmados (82,0%), 76 descartados (10,6%) e 53 sem informação (7,4%)]; 551 (41,8%) no SIH-SUS e 53 no SIM (4,0%). Correspondiam a 918casos distintos, com 17 (1,9%) comuns às três fontes, 346 (37,7%) ao SIH-SUS e SINAN; 14 (1,5%) ao SINAN e SIM; 8 (0,9%) ao SIH-SUS e SIM; 339 casos (36,9%) apenas no SINAN, 180 (19,6%) no SIH-SUS e 14 (1,0%) no SIM. No SINAN, entre os confirmados, 254 casos (43,9%) eram de meningites bacterianas [97 (16,6%) meningocócicas, 37 (6,3%) pneumocócicas, 24 (4,1%) por hemófilo]; 87 (14,7%), bacterianas não especificadas; 209 (35,7%) virais; 59 (10,1%) não especificadas. Em um caso faltava a informação. O SINAN apresentava campos com 100% de preenchimento os de identificação e residência do paciente e com menos de 10% como os sobre contato com casos semelhantes. Através dos modelos probabilísticos de captura-recaptura, estimouse em 1.087 os casos de meningite (IC 95%: 1033;1166) considerando-se duasfontes (SINAN e SIH-SUS) estimador de Lincoln e Petersen 1.085 casos (IC 95%: 1.046;1.137) - modelo M t - e 1.100 (IC 95%: 1.061;1.150) usando-se três fontes - modelo Mt. As sensibilidades do SINAN e do SIH-SUS foram de 66% e 51%, respectivamente, para duas fontes, e de 65% e 50% para três fontes. A incidência de meningite foi de 17,7 por 100.000, sendo de 14,5 a dos casos confirmados. O coeficiente de incidência dos casos estimados pela capturarecaptura foi de 27 por 100.000 habitantes. As subnotificações foram de 34% e 35% no SINAN e 49% e 50% no SIH-SUS, baseando-se, respectiva-mente, nas estimativas com duas e três fontes. Concluiu-se que: apesar da incompletude de dados referentes ao perfil clínico, epidemiológico e diagnóstico, eles foram suficientes para descrever um quadro das meningites consistente com a literatura; o SIH-SUS pode contribuir com a vigilância epidemiológica, mas, sua utilização rotineira depende de ajustes em variados campos de informação; o uso de fontes complementares melhora a sensibilidade do sistema de vigilânciatradicional; a metodologia de captura-recaptura representa uma alternativa de referência do total de casos; um terço dos pacientes e seus contatos não foram registrados pelo sistema o que pode ter limitado as ações de prevenção e tratamento, importantes para a diminuição de seqüelas e da letalidade. |
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