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Competências emocionais em contextos de educação de infância

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Resumo:A presente investigação teve como principal objetivo a caracterização das crenças e das práticas pedagógicas de Educadoras/es de Infância na promoção das competências emocionais em contexto de educação de infância. Para tal, recorreu-se a uma abordagem metodológica mista, de natureza qualitativa e quantitativa, visando uma compreensão abrangente e complementar da temática. Numa primeira fase, foi conduzido um estudo qualitativo com a participação de dezasseis profissionais, que permitiu identificar as suas crenças e práticas na promoção das competências emocionais das crianças. Com base nestes dados e na revisão da literatura, foram construídos e validados instrumentos estruturados para a avaliação de crenças e práticas, posteriormente aplicados numa amostra alargada no âmbito de uma abordagem quantitativa. Adicionalmente, avaliou-se o nível de competências emocionais das/os profissionais, através da aplicação de duas escalas previamente adaptadas ao contexto nacional. Participaram 852 Educadoras/es de Infância de todo o país, sendo os dados analisados a partir de três enfoques complementares. As análises descritivas evidenciaram que as/os profissionais se percecionavam como globalmente competentes na promoção das competências emocionais das crianças, sobretudo nas dimensões da expressão e do conhecimento emocional, revelando menor confiança na regulação emocional. A formação inicial foi, em geral, considerada insuficiente, sublinhando-se a necessidade de um reforço formativo mais sistemático nesta área. Através da modelação por equações estruturais, verificou-se que as crenças das/os profissionais — nomeadamente a autoeficácia, a perceção de facilidade e a valorização da formação inicial — contribuem significativamente para a explicação das práticas pedagógicas adotadas. A análise comparativa das crenças e práticas consoante os perfis revelou diferenças significativas, sugerindo que estas variam em função do nível de competência emocional das/os profissionais. Os resultados evidenciam a importância de uma abordagem integrada e multidimensional sobre o papel das Educadoras/es de Infância, que contemple as suas competências emocionais, bem como as crenças e práticas pedagógicas associadas à promoção do desenvolvimento emocional das crianças. Realça-se, ainda, a necessidade de investir na formação inicial e contínua, com enfoque no fortalecimento das competências emocionais e das crenças pedagógicas, de modo a sustentar práticas mais eficazes e intencionais neste domínio.
Autores principais:Fernandes, Ana Rita Ligeiro
Assunto:Crenças Educadores de infância Educação Pré-Escolar Emoções Competências emocionais Beliefs Preschool teachers’ Preschool Emotion Emotional Competence
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Ispa-Instituto Universitário
Idioma:português
Origem:Repositório do Ispa - Instituto Universitário
Descrição
Resumo:A presente investigação teve como principal objetivo a caracterização das crenças e das práticas pedagógicas de Educadoras/es de Infância na promoção das competências emocionais em contexto de educação de infância. Para tal, recorreu-se a uma abordagem metodológica mista, de natureza qualitativa e quantitativa, visando uma compreensão abrangente e complementar da temática. Numa primeira fase, foi conduzido um estudo qualitativo com a participação de dezasseis profissionais, que permitiu identificar as suas crenças e práticas na promoção das competências emocionais das crianças. Com base nestes dados e na revisão da literatura, foram construídos e validados instrumentos estruturados para a avaliação de crenças e práticas, posteriormente aplicados numa amostra alargada no âmbito de uma abordagem quantitativa. Adicionalmente, avaliou-se o nível de competências emocionais das/os profissionais, através da aplicação de duas escalas previamente adaptadas ao contexto nacional. Participaram 852 Educadoras/es de Infância de todo o país, sendo os dados analisados a partir de três enfoques complementares. As análises descritivas evidenciaram que as/os profissionais se percecionavam como globalmente competentes na promoção das competências emocionais das crianças, sobretudo nas dimensões da expressão e do conhecimento emocional, revelando menor confiança na regulação emocional. A formação inicial foi, em geral, considerada insuficiente, sublinhando-se a necessidade de um reforço formativo mais sistemático nesta área. Através da modelação por equações estruturais, verificou-se que as crenças das/os profissionais — nomeadamente a autoeficácia, a perceção de facilidade e a valorização da formação inicial — contribuem significativamente para a explicação das práticas pedagógicas adotadas. A análise comparativa das crenças e práticas consoante os perfis revelou diferenças significativas, sugerindo que estas variam em função do nível de competência emocional das/os profissionais. Os resultados evidenciam a importância de uma abordagem integrada e multidimensional sobre o papel das Educadoras/es de Infância, que contemple as suas competências emocionais, bem como as crenças e práticas pedagógicas associadas à promoção do desenvolvimento emocional das crianças. Realça-se, ainda, a necessidade de investir na formação inicial e contínua, com enfoque no fortalecimento das competências emocionais e das crenças pedagógicas, de modo a sustentar práticas mais eficazes e intencionais neste domínio.

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