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Qualidade do Ar no Nordeste Transmontano: Monitorização, Validação e Integração na Gestão do Território

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A poluição atmosférica constitui um dos principais desafios ambientais e de saúde pública à escala global, sendo responsável por impactes significativos na morbilidade, mortalidade prematura e degradação dos ecossistemas. Apesar dos avanços registados na monitorização e controlo das emissões, persistem importantes lacunas de conhecimento em regiões interiores de baixa densidade populacional, onde a cobertura observacional permanece limitada. Neste contexto, a presente dissertação teve como objetivo avaliar a variabilidade espacial e temporal da qualidade do ar no Nordeste Transmontano, analisando as concentrações de material particulado (PM₁₀ e PM₂,₅) e de poluentes gasosos (NOx, CO e O₃), bem como a influência das condições meteorológicas na sua dinâmica atmosférica. O estudo foi desenvolvido no município de Bragança, recorrendo a uma estação móvel de monitorização da qualidade do ar instalada em três locais representativos de diferentes contextos territoriais. Foram recolhidos dados de poluentes atmosféricos e variáveis meteorológicas durante campanhas realizadas no período de inverno, posteriormente submetidos a procedimentos de validação e análise estatística descritiva e inferencial. Os resultados evidenciaram uma variabilidade espacial significativa das concentrações de poluentes, com os valores mais elevados de PM₁₀ e PM₂,₅ observados nos locais sujeitos a maior influência antropogénica. Os episódios de concentração mais elevados estiveram associados à combustão residencial de biomassa e às emissões do tráfego rodoviário. Embora apenas algumas excedências do valor-limite diário para PM₁₀ tenham sido registadas, verificaram-se múltiplas ultrapassagens das recomendações da Organização Mundial da Saúde para PM₂,₅. A análise meteorológica demonstrou que a velocidade do vento favoreceu a dispersão dos poluentes, enquanto situações de estabilidade atmosférica promoveram a sua acumulação junto à superfície. O comportamento do ozono revelou dependência dos processos fotoquímicos associados à radiação solar e da interação química com os óxidos de azoto em ambientes urbanos. Conclui-se que a qualidade do ar em Bragança resulta da interação entre fontes emissoras locais, condições meteorológicas e características topográficas regionais. Os resultados obtidos contribuem para reduzir a escassez de informação sobre a qualidade do ar no Nordeste Transmontano e reforçam a necessidade de expandir as redes de monitorização atmosférica em regiões interiores, bem como de implementar estratégias de mitigação direcionadas para as principais fontes de emissão identificadas.
Autores principais:Mendes, Ane Louise Dionizio
Assunto:Monitorização da qualidade do ar Nordeste Transmontano Poluentes atmosféricos Qualidade do ar Variabilidade espacial
Ano:2026
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Politécnica de Bragança
Idioma:português
Origem:Biblioteca Digital da UPB
Descrição
Resumo:A poluição atmosférica constitui um dos principais desafios ambientais e de saúde pública à escala global, sendo responsável por impactes significativos na morbilidade, mortalidade prematura e degradação dos ecossistemas. Apesar dos avanços registados na monitorização e controlo das emissões, persistem importantes lacunas de conhecimento em regiões interiores de baixa densidade populacional, onde a cobertura observacional permanece limitada. Neste contexto, a presente dissertação teve como objetivo avaliar a variabilidade espacial e temporal da qualidade do ar no Nordeste Transmontano, analisando as concentrações de material particulado (PM₁₀ e PM₂,₅) e de poluentes gasosos (NOx, CO e O₃), bem como a influência das condições meteorológicas na sua dinâmica atmosférica. O estudo foi desenvolvido no município de Bragança, recorrendo a uma estação móvel de monitorização da qualidade do ar instalada em três locais representativos de diferentes contextos territoriais. Foram recolhidos dados de poluentes atmosféricos e variáveis meteorológicas durante campanhas realizadas no período de inverno, posteriormente submetidos a procedimentos de validação e análise estatística descritiva e inferencial. Os resultados evidenciaram uma variabilidade espacial significativa das concentrações de poluentes, com os valores mais elevados de PM₁₀ e PM₂,₅ observados nos locais sujeitos a maior influência antropogénica. Os episódios de concentração mais elevados estiveram associados à combustão residencial de biomassa e às emissões do tráfego rodoviário. Embora apenas algumas excedências do valor-limite diário para PM₁₀ tenham sido registadas, verificaram-se múltiplas ultrapassagens das recomendações da Organização Mundial da Saúde para PM₂,₅. A análise meteorológica demonstrou que a velocidade do vento favoreceu a dispersão dos poluentes, enquanto situações de estabilidade atmosférica promoveram a sua acumulação junto à superfície. O comportamento do ozono revelou dependência dos processos fotoquímicos associados à radiação solar e da interação química com os óxidos de azoto em ambientes urbanos. Conclui-se que a qualidade do ar em Bragança resulta da interação entre fontes emissoras locais, condições meteorológicas e características topográficas regionais. Os resultados obtidos contribuem para reduzir a escassez de informação sobre a qualidade do ar no Nordeste Transmontano e reforçam a necessidade de expandir as redes de monitorização atmosférica em regiões interiores, bem como de implementar estratégias de mitigação direcionadas para as principais fontes de emissão identificadas.

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