Publicação
Desenvolvimento de misturas de biopolímeros para revestimentos na indústria alimentar
| Resumo: | A utilização intensiva de embalagens plásticas de origem fóssil tem provocado impactos ambientais e riscos de contaminação para produtos alimentares. Como alternativa sustentável, os revestimentos comestíveis de base natural surgem como uma solução inovadora para prolongar a sua vida útil. Este trabalho teve como objetivo desenvolver misturas de biopolímeros à base de quitosano, alginato de sódio e carragenina para a produção de revestimentos funcionais e biodegradáveis, analisando ainda o impacto do glicerol como plastificante. O procedimento experimental consistiu na preparação de soluções individuais a uma concentração de 1% (p/v), a partir das quais foram produzidas misturas (proporções de 50:50) homogeneizadas, para garantir a uniformidade das cadeias poliméricas. Metade das amostras recebeu a adição de glicerol e todas as soluções foram submetidas a um processo de secagem até à formação de películas sólidas, posteriormente caracterizadas através de ensaios laboratoriais. Os resultados demonstraram que as combinações poliméricas originaram soluções fluídas e estáveis adequadas para a formação de filmes. As interações eletrostáticas entre os polímeros promoveram a formação de uma rede polimérica mais resistente, alterando a microestrutura e a textura dos filmes produzidos. No entanto, a combinação de quitosano-alginato demonstrou uma tendência para absorver humidade em excesso, característica menos favorável para determinadas embalagens. Em contrapartida, as misturas com carragenina apresentaram uma estrutura mais estável e compacta, demonstrando ser promissoras para revestir alimentos com maior teor de humidade. O glicerol conferiu a flexibilidade necessária aos filmes, e todos mantiveram a sua cor e aspeto visual estáveis ao longo do tempo. Nos ensaios biológicos, a interação entre os polímeros diminuiu a bioatividade do quitosano, resultado também observado na aplicação em morangos, onde apenas o revestimento puro conseguiu impedir o crescimento microbiano durante 3 dias. De forma geral, o estudo confirmou o potencial estrutural destas misturas, deixando em aberto a possibilidade de, no futuro, otimizar as suas proporções, testar diferentes graus de desacetilação do quitosano ou incorporar extratos naturais, com o objetivo de desenvolver o poder antimicrobiano e produzir soluções eficientes para a proteção de alimentos como queijos e enchidos artesanais fumados. |
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| Autores principais: | Nogueira, Beatriz Maria Herculano |
| Assunto: | Edible coatings Biopolymers Chitosan Polymer blends Electrostatic interactions |
| Ano: | 2026 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Politécnica de Bragança |
| Idioma: | português |
| Origem: | Biblioteca Digital da UPB |
| Resumo: | A utilização intensiva de embalagens plásticas de origem fóssil tem provocado impactos ambientais e riscos de contaminação para produtos alimentares. Como alternativa sustentável, os revestimentos comestíveis de base natural surgem como uma solução inovadora para prolongar a sua vida útil. Este trabalho teve como objetivo desenvolver misturas de biopolímeros à base de quitosano, alginato de sódio e carragenina para a produção de revestimentos funcionais e biodegradáveis, analisando ainda o impacto do glicerol como plastificante. O procedimento experimental consistiu na preparação de soluções individuais a uma concentração de 1% (p/v), a partir das quais foram produzidas misturas (proporções de 50:50) homogeneizadas, para garantir a uniformidade das cadeias poliméricas. Metade das amostras recebeu a adição de glicerol e todas as soluções foram submetidas a um processo de secagem até à formação de películas sólidas, posteriormente caracterizadas através de ensaios laboratoriais. Os resultados demonstraram que as combinações poliméricas originaram soluções fluídas e estáveis adequadas para a formação de filmes. As interações eletrostáticas entre os polímeros promoveram a formação de uma rede polimérica mais resistente, alterando a microestrutura e a textura dos filmes produzidos. No entanto, a combinação de quitosano-alginato demonstrou uma tendência para absorver humidade em excesso, característica menos favorável para determinadas embalagens. Em contrapartida, as misturas com carragenina apresentaram uma estrutura mais estável e compacta, demonstrando ser promissoras para revestir alimentos com maior teor de humidade. O glicerol conferiu a flexibilidade necessária aos filmes, e todos mantiveram a sua cor e aspeto visual estáveis ao longo do tempo. Nos ensaios biológicos, a interação entre os polímeros diminuiu a bioatividade do quitosano, resultado também observado na aplicação em morangos, onde apenas o revestimento puro conseguiu impedir o crescimento microbiano durante 3 dias. De forma geral, o estudo confirmou o potencial estrutural destas misturas, deixando em aberto a possibilidade de, no futuro, otimizar as suas proporções, testar diferentes graus de desacetilação do quitosano ou incorporar extratos naturais, com o objetivo de desenvolver o poder antimicrobiano e produzir soluções eficientes para a proteção de alimentos como queijos e enchidos artesanais fumados. |
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