Publicação
A memória e a preservação do tempo: trauma e a luz na perspetiva do cinema
| Resumo: | Uma investigação projetual que se foca na exploração da memória como uma experiência marcada pelo trauma, utilizando a passagem do tempo como um catalisador para confrontos que geram, alternadamente, ou estagnação ou transformação. O estudo identifica modos distintos de preservação da memória: o presente que se transforma em passado, o passado como entidade própria, e o presente que permanece constante, sem se converter em passado. Este último, ao resistir à passagem do tempo, configura-se como um estado traumático, impedindo a criação de novas memórias e bloqueando a transformação, a evolução. É um assunto delicado, mais complexo do que aparenta. Trata-se de recordações extremamente marcantes, dolorosas, que a pessoa não tem a capacidade de processar emocionalmente. Assim sendo, encaminhado através do meio artístico, na forma de filme, coloca-se a hipótese de compreender o que acontece no cérebro de um indivíduo que passe por uma situação destas? “Como é que experiências tão horríveis conseguem levar as pessoas a permanecerem irremediavelmente presas ao passado?” (Kolk, 2020, p.24) Assim se questiona Kolk, tendo em conta que para além do cérebro, essas experiências afetam o próprio corpo, não estando este limitado ao seu estado físico, mas igualmente à comunicação entre cérebro com o corpo, promovendo ações e reações distintas, ligadas com o sentir e com a memória das experiências. Durante a criação, do evento que origina o trauma, o cérebro humano, automaticamente ativa o seu survival mode gerando altos níveis de adrenalina1. A experiência afeta a memória de forma bruta, a pessoa sente o evento, mas não consegue desconstruir realmente aquilo que sente. É como se existisse um apagão, um esquecimento parcial, no entanto o corpo e as emoções lembram-se, sentem e reagem. Depois do trauma, o sistema nervoso atua de modo diferente. Existe sempre uma constante "hiper-vigilância", uma constante ansiedade pelo futuro. Uma "hiper-vigilância" em que a pessoa não entende bem aquilo que sente. Isso deve-se mesmo ao facto de existir uma suspensão do facto concreto e, permanecer apenas a memória corporal. Sabendo que o cérebro pode comportar-se como um músculo (devido à sua plasticidade), existem práticas que levam ao tratamento do trauma. Com a ajuda necessária, pode-se voltar a viver no mundo, de forma adaptada, ultrapassando, acomodando, processando e seguindo em frente. Através de diversos tipos de terapia, procurando e reorganizando memórias profundas, auto-regulando o sistema nervoso, isso torna-se possível. Para além disso, regulando igualmente, as crenças negativas geradas pelo trauma, de modo que o indivíduo aprenda também a lidar e a falar abertamente sobre a situação causadora do trauma, processando os acontecimentos, levando à sua superação. O projeto não se foca na vertente científica, ou psicológica do trauma, mas sim, na parte criativa e artística que daí surge e que é utilizada como forma de superação. Uma proposta de filme, que tem por base a ciência (com explicação fisio/psicológica) para prosseguir com o processo prático e criativo, tantas vezes usado para sublimar este tipo de processos traumáticos. |
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| Autores principais: | Costa, Daniel José Morgado |
| Assunto: | Memória Trauma Transformação Tempo |
| Ano: | 2026 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Leiria e Oeste |
| Idioma: | português |
| Origem: | IC-online |
| Resumo: | Uma investigação projetual que se foca na exploração da memória como uma experiência marcada pelo trauma, utilizando a passagem do tempo como um catalisador para confrontos que geram, alternadamente, ou estagnação ou transformação. O estudo identifica modos distintos de preservação da memória: o presente que se transforma em passado, o passado como entidade própria, e o presente que permanece constante, sem se converter em passado. Este último, ao resistir à passagem do tempo, configura-se como um estado traumático, impedindo a criação de novas memórias e bloqueando a transformação, a evolução. É um assunto delicado, mais complexo do que aparenta. Trata-se de recordações extremamente marcantes, dolorosas, que a pessoa não tem a capacidade de processar emocionalmente. Assim sendo, encaminhado através do meio artístico, na forma de filme, coloca-se a hipótese de compreender o que acontece no cérebro de um indivíduo que passe por uma situação destas? “Como é que experiências tão horríveis conseguem levar as pessoas a permanecerem irremediavelmente presas ao passado?” (Kolk, 2020, p.24) Assim se questiona Kolk, tendo em conta que para além do cérebro, essas experiências afetam o próprio corpo, não estando este limitado ao seu estado físico, mas igualmente à comunicação entre cérebro com o corpo, promovendo ações e reações distintas, ligadas com o sentir e com a memória das experiências. Durante a criação, do evento que origina o trauma, o cérebro humano, automaticamente ativa o seu survival mode gerando altos níveis de adrenalina1. A experiência afeta a memória de forma bruta, a pessoa sente o evento, mas não consegue desconstruir realmente aquilo que sente. É como se existisse um apagão, um esquecimento parcial, no entanto o corpo e as emoções lembram-se, sentem e reagem. Depois do trauma, o sistema nervoso atua de modo diferente. Existe sempre uma constante "hiper-vigilância", uma constante ansiedade pelo futuro. Uma "hiper-vigilância" em que a pessoa não entende bem aquilo que sente. Isso deve-se mesmo ao facto de existir uma suspensão do facto concreto e, permanecer apenas a memória corporal. Sabendo que o cérebro pode comportar-se como um músculo (devido à sua plasticidade), existem práticas que levam ao tratamento do trauma. Com a ajuda necessária, pode-se voltar a viver no mundo, de forma adaptada, ultrapassando, acomodando, processando e seguindo em frente. Através de diversos tipos de terapia, procurando e reorganizando memórias profundas, auto-regulando o sistema nervoso, isso torna-se possível. Para além disso, regulando igualmente, as crenças negativas geradas pelo trauma, de modo que o indivíduo aprenda também a lidar e a falar abertamente sobre a situação causadora do trauma, processando os acontecimentos, levando à sua superação. O projeto não se foca na vertente científica, ou psicológica do trauma, mas sim, na parte criativa e artística que daí surge e que é utilizada como forma de superação. Uma proposta de filme, que tem por base a ciência (com explicação fisio/psicológica) para prosseguir com o processo prático e criativo, tantas vezes usado para sublimar este tipo de processos traumáticos. |
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Atividades financiadas
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