Publicação
Casas de emigrantes: enquadramento fotográfico numa região: uma análise visual: projeto fotográfico
| Resumo: | Na região mais litoral do distrito de Aveiro, nas povoações vizinhas da ria, existem marcas na topologia e organização do espaço urbano, nomeadamente numa parte destacada das edificações habitacionais, propriedade de emigrantes que, em vários períodos do século XX, atravessaram por mar, ou por terra, as fronteiras duma vida minguada, ou fuga ao risco de uma guerra colonial injusta, duradoura e perdida. Ao partir, os homens, muitas vezes, deixam para trás as esposas que vestem de negro, manifestação solidária e de implicação sofrida, como ‘viúvas’ provisórias dos que um dia voltarão para despertar a felicidade, em modo de pausa, esperançada na promessa feita a qualquer santa da boa viagem. O regresso de uma América mítica, ou de outras proveniências europeias, com dólares, francos ou marcos no bolso, deu lugar a construções de palacetes, vivendas, ou maisons de “fazer ver”, ostentação de estrangeirado, prova do sucesso que na terra nunca julgariam alcançar. O preenchimento, bem ornado destas casas, dá lugar, muitas vezes, a um esvaziamento e a um silêncio duradouro, acontecido pelo regresso ao lugar de imigração, ficando para trás a imagem despida e fria de uma casa desabitada, sempre em espera do seu dono que um dia virá..., ou não. As “casas de emigrantes”, envoltas nesta atmosfera, constituirão os referentes para uma análise fotográfica do paradigma das várias aculturações, identidades singulares e sociológicas, em consonância com a influência da época e das diversas regiões para onde os seus donos emigraram. O projeto fotográfico confluirá num conjunto de imagens a preto e branco, enaltecendo a nostalgia do abandono, em tensão e confronto com imagens coloridas pela presença humana, ou pelos adornos que trazem cor a um vai e vem, entre cá e lá. |
|---|---|
| Autores principais: | Lemos, João Miguel Simões Vidal de |
| Assunto: | Fotografia Emigração Casas de Emigrantes Aculturação Aveiro (Portugal) |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | outro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto de Arte, Design e Empresa - Universitário |
| Idioma: | português |
| Origem: | Instituto de Arte, Design e Empresa - Universitário |
| Resumo: | Na região mais litoral do distrito de Aveiro, nas povoações vizinhas da ria, existem marcas na topologia e organização do espaço urbano, nomeadamente numa parte destacada das edificações habitacionais, propriedade de emigrantes que, em vários períodos do século XX, atravessaram por mar, ou por terra, as fronteiras duma vida minguada, ou fuga ao risco de uma guerra colonial injusta, duradoura e perdida. Ao partir, os homens, muitas vezes, deixam para trás as esposas que vestem de negro, manifestação solidária e de implicação sofrida, como ‘viúvas’ provisórias dos que um dia voltarão para despertar a felicidade, em modo de pausa, esperançada na promessa feita a qualquer santa da boa viagem. O regresso de uma América mítica, ou de outras proveniências europeias, com dólares, francos ou marcos no bolso, deu lugar a construções de palacetes, vivendas, ou maisons de “fazer ver”, ostentação de estrangeirado, prova do sucesso que na terra nunca julgariam alcançar. O preenchimento, bem ornado destas casas, dá lugar, muitas vezes, a um esvaziamento e a um silêncio duradouro, acontecido pelo regresso ao lugar de imigração, ficando para trás a imagem despida e fria de uma casa desabitada, sempre em espera do seu dono que um dia virá..., ou não. As “casas de emigrantes”, envoltas nesta atmosfera, constituirão os referentes para uma análise fotográfica do paradigma das várias aculturações, identidades singulares e sociológicas, em consonância com a influência da época e das diversas regiões para onde os seus donos emigraram. O projeto fotográfico confluirá num conjunto de imagens a preto e branco, enaltecendo a nostalgia do abandono, em tensão e confronto com imagens coloridas pela presença humana, ou pelos adornos que trazem cor a um vai e vem, entre cá e lá. |
|---|
Atividades financiadas
Não foram encontrados projetos financiados.