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Conhecimentos/Crenças/Adesão/Controlo da Diabetes em Doentes a participarem em Ensaios Clínicos

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Resumo:Introdução: a prevalência da diabetes tipo 2 nos países desenvolvidos tem vindo a aumentar nos últimos anos. Sabendo-se que, por um lado, a adesão à terapêutica melhora o controlo da doença e que, por outro lado, um maior conhecimento da doença e crenças positivas sobre a medicação parecem estar associados a uma melhor adesão à terapêutica pretende-se, com a presente investigação, verificar se existe correlação entre o nível de conhecimentos do doente diabético a participar em ensaio clínico sobre a sua doença e o grau de controlo dessa mesma doença, ao mesmo tempo que procura avaliar o impacto das crenças da medicação e a importância da adesão à terapêutica em todo este processo. Objectivo: o objectivo é o de avaliar, numa amostra de doentes diabéticos a participarem em ensaios clínicos, a associação entre o nível de conhecimentos relativos à doença, as crenças sobre a medicação, o grau de adesão à terapêutica e o grau de controlo da diabetes. Métodos: análise dos dados obtidos através de entrevista a doentes diabéticos a participarem em ensaios clínicos na Unidade de Investigação Clínica em Cardiologia (UICC) do Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra (CHUC) e recolhidos durante o período de Outubro de 2016 a Abril de 2017. Indivíduos adultos com diabetes tipo 2 a fazer um medicamento antidiabético não insulínico (antidiabéticos orais e injectáveis que não a insulina) foram incluídos. Doentes diabéticos a fazer apenas medicamento antidiabético insulínico foram excluídos. Doentes com menos de 18 anos, mulheres grávidas ou doentes com dificuldades cognitivas não foram incluídos. Esta análise consistiu numa recolha de dados feita através da realização de uma entrevista aquando da visita programada do doente à consulta no âmbito do ensaio clínico em que o doente participa. Plano de Investigação: após a assinatura do Consentimento Informado e o preenchimento dos dados sociodemográficos e da terapêutica habitual do doente, foi aplicada a versão portuguesa dos três questionários seguintes: Conhecimentos sobre a Diabetes - Questionário de Conhecimentos de Berbés, Crenças sobre a Medicação - BMQ específico e Adesão ao tratamento - 8-MMAS. De seguida procedeu-se à: Determinação da hemoglobina glicada e da glicémia ocasional através de uma picada no dedo para recolha de uma gota de sangue de cerca de 2 microlitros, medição da pressão arterial e medição do perímetro abdominal. Posteriormente, foi realizada uma análise estatística descritiva e aplicada uma análise multivariada. Tratamento dos Dados: o tratamento dos dados foi realizado tendo como variáveis em estudo o género, a idade, se vivem sozinhos, a situação laboral, a idade aquando do diagnóstico de diabetes, há quanto tempo iniciaram a medicação antidiabética e valor da hemoglobina glicada. Foi feita uma análise só de frequências às respostas obtidas ao Questionário de Conhecimentos de Berbés, ao Questionário Crenças sobre a Medicação (BMQ) e à Escala de Adesão à Terapêutica de Morinsky. Foi realizada também uma avaliação das possíveis correlações entre os parâmetros analisados e algumas características populacionais. Resultados: neste estudo foi possível verificar que se pode relacionar a hemoglobina glicada com a idade ao diagnóstico de DM: em que quanto maior o valor de HbA1c menor a idade em que foi feito o diagnóstico de DM; com o uso de insulina, sulfonilureias e inibidores da DPP-4: em que o valor de HbA1c é mais elevado com o uso destas terapêuticas antidiabéticas.; com o regime de monoterapia: em que o valor de HbA1c é inferior no regime terapêutico de monoterapia e com os conhecimentos sobre a doença: em que valor de HbA1c é mais elevado em indivíduos que obtiveram maior pontuação ponderada no Questionário de Conhecimentos de Berbés. Também foi possível observar que se pode associar a idade e a idade aquando do diagnóstico de DM com os conhecimentos sobre a doença: em que quanto maior a idade do doente e diagnóstico mais tardio de DM, menor é a pontuação ponderada obtida no Questionário de Conhecimentos de Berbés; a idade, a idade ao diagnóstico de DM e o facto de ser activo ou reformado foram relacionados com as crenças sobre a medicação: em quanto mais idade o doente tiver e mais tardiamente tiver sido feito o diagnóstico de DM menos os pontos obtidos no Questionário Crenças sobre a Medicação BMQ e se o doente ainda se encontrar activo a pontuação obtida é menor em comparação com um doente reformado; e foi encontrada associação entre o género e a adesão à terapêutica: os homens são menos aderentes (obtêm menor pontuação na Escala de Adesão à Terapêutica de Morinsky 8-MMAS) do que as mulheres. Conclusões: Do estudo conclui-se que os factores que influenciam o controlo da DM em doentes que estão a participar em ensaios clínicos na área da Cardiologia são a idade em que é feito o diagnóstico de DM, o tipo de terapêutica antidiabética e os conhecimentos sobre a doença.
Autores principais:Pereira, Vanessa Sofia da Silva
Assunto:Diabetes tipo 2 Hemoglobina Glicada Adesão à Terapêutica Crenças sobre a Medicação Conhecimentos sobre a diabetes Type 2 diabetes Glycated hemoglobin Adherence to therapy Beliefs about medication Knowledge about diabetes
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Coimbra
Idioma:português
Origem:Estudo Geral - Universidade de Coimbra
Descrição
Resumo:Introdução: a prevalência da diabetes tipo 2 nos países desenvolvidos tem vindo a aumentar nos últimos anos. Sabendo-se que, por um lado, a adesão à terapêutica melhora o controlo da doença e que, por outro lado, um maior conhecimento da doença e crenças positivas sobre a medicação parecem estar associados a uma melhor adesão à terapêutica pretende-se, com a presente investigação, verificar se existe correlação entre o nível de conhecimentos do doente diabético a participar em ensaio clínico sobre a sua doença e o grau de controlo dessa mesma doença, ao mesmo tempo que procura avaliar o impacto das crenças da medicação e a importância da adesão à terapêutica em todo este processo. Objectivo: o objectivo é o de avaliar, numa amostra de doentes diabéticos a participarem em ensaios clínicos, a associação entre o nível de conhecimentos relativos à doença, as crenças sobre a medicação, o grau de adesão à terapêutica e o grau de controlo da diabetes. Métodos: análise dos dados obtidos através de entrevista a doentes diabéticos a participarem em ensaios clínicos na Unidade de Investigação Clínica em Cardiologia (UICC) do Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra (CHUC) e recolhidos durante o período de Outubro de 2016 a Abril de 2017. Indivíduos adultos com diabetes tipo 2 a fazer um medicamento antidiabético não insulínico (antidiabéticos orais e injectáveis que não a insulina) foram incluídos. Doentes diabéticos a fazer apenas medicamento antidiabético insulínico foram excluídos. Doentes com menos de 18 anos, mulheres grávidas ou doentes com dificuldades cognitivas não foram incluídos. Esta análise consistiu numa recolha de dados feita através da realização de uma entrevista aquando da visita programada do doente à consulta no âmbito do ensaio clínico em que o doente participa. Plano de Investigação: após a assinatura do Consentimento Informado e o preenchimento dos dados sociodemográficos e da terapêutica habitual do doente, foi aplicada a versão portuguesa dos três questionários seguintes: Conhecimentos sobre a Diabetes - Questionário de Conhecimentos de Berbés, Crenças sobre a Medicação - BMQ específico e Adesão ao tratamento - 8-MMAS. De seguida procedeu-se à: Determinação da hemoglobina glicada e da glicémia ocasional através de uma picada no dedo para recolha de uma gota de sangue de cerca de 2 microlitros, medição da pressão arterial e medição do perímetro abdominal. Posteriormente, foi realizada uma análise estatística descritiva e aplicada uma análise multivariada. Tratamento dos Dados: o tratamento dos dados foi realizado tendo como variáveis em estudo o género, a idade, se vivem sozinhos, a situação laboral, a idade aquando do diagnóstico de diabetes, há quanto tempo iniciaram a medicação antidiabética e valor da hemoglobina glicada. Foi feita uma análise só de frequências às respostas obtidas ao Questionário de Conhecimentos de Berbés, ao Questionário Crenças sobre a Medicação (BMQ) e à Escala de Adesão à Terapêutica de Morinsky. Foi realizada também uma avaliação das possíveis correlações entre os parâmetros analisados e algumas características populacionais. Resultados: neste estudo foi possível verificar que se pode relacionar a hemoglobina glicada com a idade ao diagnóstico de DM: em que quanto maior o valor de HbA1c menor a idade em que foi feito o diagnóstico de DM; com o uso de insulina, sulfonilureias e inibidores da DPP-4: em que o valor de HbA1c é mais elevado com o uso destas terapêuticas antidiabéticas.; com o regime de monoterapia: em que o valor de HbA1c é inferior no regime terapêutico de monoterapia e com os conhecimentos sobre a doença: em que valor de HbA1c é mais elevado em indivíduos que obtiveram maior pontuação ponderada no Questionário de Conhecimentos de Berbés. Também foi possível observar que se pode associar a idade e a idade aquando do diagnóstico de DM com os conhecimentos sobre a doença: em que quanto maior a idade do doente e diagnóstico mais tardio de DM, menor é a pontuação ponderada obtida no Questionário de Conhecimentos de Berbés; a idade, a idade ao diagnóstico de DM e o facto de ser activo ou reformado foram relacionados com as crenças sobre a medicação: em quanto mais idade o doente tiver e mais tardiamente tiver sido feito o diagnóstico de DM menos os pontos obtidos no Questionário Crenças sobre a Medicação BMQ e se o doente ainda se encontrar activo a pontuação obtida é menor em comparação com um doente reformado; e foi encontrada associação entre o género e a adesão à terapêutica: os homens são menos aderentes (obtêm menor pontuação na Escala de Adesão à Terapêutica de Morinsky 8-MMAS) do que as mulheres. Conclusões: Do estudo conclui-se que os factores que influenciam o controlo da DM em doentes que estão a participar em ensaios clínicos na área da Cardiologia são a idade em que é feito o diagnóstico de DM, o tipo de terapêutica antidiabética e os conhecimentos sobre a doença.

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