Publicação
Percepção, Tempo e Memória na Génese da Fotografia
| Resumo: | A fotografia parece escorregar por entre os dedos de quem a pretenda capturar. Sempre em meio de se fazer, de se definir ou de transformar as suas próprias condições de possibili-dade, a fotografia é múltipla na sua génese. Por isso, ensaiámos uma ontologia da fotografia, que não fosse uma tese sobre o seu ser, mas o pensamento do seu aparecer múltiplo. Pela sua relação constitutiva com a dimensão temporal, intuímos nela um tipo diferente de percepção e de memória que, por sua vez, nos levou a uma nova formulação e experiência do tempo. Dispositivo paradigmático de outros meios de (re)produção de imagens, a fotografia pare-ce aderir ao potencial de documento e instrumento na investigação sobre o homem e a sua subjectividade, ao mesmo tempo que se revela como óptimo meio de ficção e potência do falso. Abordando o campo conceptual de Henri Bergson e Gilles Deleuze sobre imagem, per-cepção, memória e tempo, pretendemos extrair os conceitos fundamentais à presente investi-gação, enquanto que de Paul Virilio ou Vilém Flusser obter a intuição das dobras relativa-mente à articulação destes conceitos com o processo e a imagem fotográficos. Procurámos, ainda, compreender na fotografia as suas características próprias, como a serialidade, a repro-dutibilidade ou a instantaneidade, portanto, aquilo que nela insiste e que nela precipita não só uma constantemente renovada experiência do mundo, mas, sobretudo, um novo princípio de realidade. A partir de uma reconceptualização de noções como imagem, percepção, memória ou tempo, e de um olhar sobre obras cujo médium expressivo e objecto temático remete para a fotografia, procurámos aquilo que nela parece dar a ver passado, presente e futuro — ou o tempo todo — num instante como imagem. Ensaiando desenvolver um sistema de pensamento aberto mas, ainda assim, um sistema, experimentámos, também, a plasticidade dos conceitos, fazendo-os intersectar práticas de saber distintas e, deste modo, encontrar uma possível forma de expressão sensível. Subli-nhando a ideia de (e)vidência como síntese da nossa investigação, ensaiámos criar uma obra fotográfica que, por si só, afirmasse o processo que lhe é inerente e a imagem que revela. Experimentámos, portanto, dar a ver, com e pela fotografia, uma percepção, uma memória e um tempo, intrinsecamente ligados à sua génese. |
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| Autores principais: | Fonseca, Rossana Mendes Sequeira Baptista da |
| Assunto: | génese memória percepção tempo genesis memory perception photography time fotografia |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Coimbra |
| Idioma: | português |
| Origem: | Estudo Geral - Universidade de Coimbra |
| Resumo: | A fotografia parece escorregar por entre os dedos de quem a pretenda capturar. Sempre em meio de se fazer, de se definir ou de transformar as suas próprias condições de possibili-dade, a fotografia é múltipla na sua génese. Por isso, ensaiámos uma ontologia da fotografia, que não fosse uma tese sobre o seu ser, mas o pensamento do seu aparecer múltiplo. Pela sua relação constitutiva com a dimensão temporal, intuímos nela um tipo diferente de percepção e de memória que, por sua vez, nos levou a uma nova formulação e experiência do tempo. Dispositivo paradigmático de outros meios de (re)produção de imagens, a fotografia pare-ce aderir ao potencial de documento e instrumento na investigação sobre o homem e a sua subjectividade, ao mesmo tempo que se revela como óptimo meio de ficção e potência do falso. Abordando o campo conceptual de Henri Bergson e Gilles Deleuze sobre imagem, per-cepção, memória e tempo, pretendemos extrair os conceitos fundamentais à presente investi-gação, enquanto que de Paul Virilio ou Vilém Flusser obter a intuição das dobras relativa-mente à articulação destes conceitos com o processo e a imagem fotográficos. Procurámos, ainda, compreender na fotografia as suas características próprias, como a serialidade, a repro-dutibilidade ou a instantaneidade, portanto, aquilo que nela insiste e que nela precipita não só uma constantemente renovada experiência do mundo, mas, sobretudo, um novo princípio de realidade. A partir de uma reconceptualização de noções como imagem, percepção, memória ou tempo, e de um olhar sobre obras cujo médium expressivo e objecto temático remete para a fotografia, procurámos aquilo que nela parece dar a ver passado, presente e futuro — ou o tempo todo — num instante como imagem. Ensaiando desenvolver um sistema de pensamento aberto mas, ainda assim, um sistema, experimentámos, também, a plasticidade dos conceitos, fazendo-os intersectar práticas de saber distintas e, deste modo, encontrar uma possível forma de expressão sensível. Subli-nhando a ideia de (e)vidência como síntese da nossa investigação, ensaiámos criar uma obra fotográfica que, por si só, afirmasse o processo que lhe é inerente e a imagem que revela. Experimentámos, portanto, dar a ver, com e pela fotografia, uma percepção, uma memória e um tempo, intrinsecamente ligados à sua génese. |
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